Heróis Anônimos! – A Saga dos Esquecidos – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 14 Abril 2010

 

Heróis Anônimos! A Saga dos Esquecidos – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião 14 Abril 2010

Heróis Anônimos! – A Saga dos Esquecidos.

 

Numa era de idolatrias nacionais e estrangeiras, numa era em que os holofotes são direcionados aos ungidos do poder e da glória, numa era em que alguns são semideuses ou quase imortais e disputam o trono como as divindades do Olimpo, numa era em que riqueza e poder e glória são sinônimos de sucesso, ali por trás dos panos e na obscuridade dos bastidores está uma legião de pessoas quase iguais a nós – os Heróis Anônimos. Assemelham-se por sua configuração humana, mas diferenciam-se por fazerem a diferença na evolução da humanidade. Não são sumidades científicas e jamais fascinarão o mundo ou escreverão seus nomes entre os gênios, mas eles criaram as bases e os alicerces para que o mundo evoluísse e tornasse-se um lugar melhor e mais digno para vivermos.

São tantos e nas mais diversas categorias profissionais e nas mais diversas funções. O bombeiro que balança um nenê em seu colo enquanto seus colegas tentam as manobras para ressuscitar a mãe sucumbida no desastre. O amor que resplandece numa cena despercebida e num plano secundário. Bombeiros molhados e imundos e feridos numa insana busca de sobreviventes nos desastres das enchentes ou dos terremotos. O popular na luta para resgatar das ferragens do carro acidentado com as labaredas iniciando-se as pessoas presas enquanto o socorro especializado tarda trancado num trânsito esgoelado e maluco. O policial cujo principal escudo é o seu corpo na luta pela defesa da sociedade ante a ferocidade insana da marginalidade crescente e protegida. A mãe que organiza uma ONG e que nela outros se associam a perambular pelos bares da noite tentando tirar os jovens do álcool e das drogas e, por conseguinte, dos acidentes de trânsito.

As professoras, jamais tias, que nas creches, maternais e escolas de infância inicial trabalham por amor substituindo pais e mães prisioneiros da sociedade de consumo crescente e dos impostos e taxas extorsivas dos governantes de plantão. Um peito, um gesto, uma palavra, um amor manifesto e os ensinamentos necessários na ausência relativa da família. Professores e terapeutas nas escolas das crianças com déficit físico ou mental escrevem diariamente páginas de amor e dedicação aos filhos que não gestaram, mas que se doam a cuidar e amparar.

As funcionárias dos postos ou unidades de saúde são os para-brisas ou para-choques dos desgovernos da saúde pública e alvos da raiva e das culpas pessoais de tantos que tentam proteger e cuidar. No lugar de um singelo agradecimento, quase sempre queixas. A insensatez é um privilégio da escassa iluminação do espírito e a raiva popular estranhamente não reflete a repulsa ao governante ou político demagogo ou francamente mentiroso.

Revolta-nos o lixo espalhado pelas ruas. Quem produz e quem espalha o lixo? Quem repetidamente amontoa seu lixo pessoal e doméstico em recipientes ou locais impróprios? No entanto, São raros o simples bom dia ou boa tarde aos lixeiros na sua sanha de livrar-nos da podridão crescente. Os moradores de rua – pessoas e animais – são febrilmente auxiliados e acompanhados por legiões de voluntários que ousam buscar um alívio para a fome, frio, abandono e dor. O sopão da madrugada e o café quente para quem encontra refúgio na caverna de caixas de papelão ou marquises desoladas…

Essa gente não é candidata ao teu voto. São candidatas ao amor cristão e um mínimo agradecimento ou reconhecimento deveria receber de cada um de nós!

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