Crônicas. Contos. Literatura. Jornalismo. Imagens e datas significativas.
24 jul 2026 Deixe um comentário
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Anjos da Morte ou Guardiões da Vida?
A história se repete nas aguadas do tempo. O farroupilha não se entregava aos viventes de alma turva; sabia separar o joio do trigo na antiga Província de São Pedro — este hoje exaurido Rio Grande do Sul. Era um tempo em que o papel só tinha valor quando respaldado pela palavra empenhada, pela honra da família e pelo amor à pátria.
Hoje, o Brasil parece oferecer o lombo ao matadouro quando a terra é inundada por caóticas escolas de medicina — sim, medicina com “m” minúsculo — onde um diploma não cultua dignidade, nem mérito. Não carrega as lutas lutadas, as batalhas vencidas nas incontáveis horas de estudo, no brete dos corredores hospitalares, nas salas de cirurgia, no estoicismo dos plantões, nem na sublime visão do nascer de uma criança. Avança uma máquina fria de fabricar “médicos” sem espírito e sem missão, com diploma como alvo final. Multiplicam-se como peste insidiosa. Muitos fugirão dos plantões de emergência — pediatria, obstetrícia, cirurgia de urgência/emergência — justamente onde vidas pendem por um fio. Ali, onde tantos morrerão ou ficarão marcados para sempre, suas deficiências profissionais saltarão aos olhos, ainda que tentem escondê-las sob títulos e discursos. Ou países de origem.
A Medicina brasileira — com “M” maiúsculo — ainda resiste no mérito, na ética e na dignidade ancestral. Mas há desvios de caráter. A obsessão ideológica e o flagelo político-eleitoral contaminam consciências e inflamam ódios. A justiça se adultera, a corrupção se repete, e a sensação de impunidade corrói as bases da confiança social. É especialmente grave quando “médicos” defendem tortura, perseguição ou a eliminação de adversários políticos. A história já conheceu o horror personificado no chamado “Anjo da Morte”, Josef Mengele — e basta lembrar para compreender até onde pode descer a degradação ética quando a ideologia suplanta a humanidade.
Como confiar em um “especialista em infecções” que torce pela persistência do mal? Em um “médico da mente” cuja própria razão está corroída pelo fanatismo do “meu lado é o único certo”? Em um “médico do coração” cujo peito pulsa ódio e desejo de sofrimento para mulheres, idosos ou enfermos graves? A lista cresce quando riqueza e poder passam a valer mais que a vida humana. Quando se deseja a destruição física e/ou moral de quem não reza pela mesma cartilha ideológica, a medicina deixa de ser sacerdócio e passa a ser instrumento/arma.
Pergunto, então: você entregaria seu corpo — sua cabeça, seu coração — a novos “anjos da morte”? E o corpo de seus filhos? De sua esposa? E, se sobreviverem, o de seus netos?
Talvez você não goste do modo como falo ou escrevo. Mas há 55 anos cuido de pessoas — você, sua família, milhares nos plantões, sobretudo de cirurgia de urgência e emergência. Não sou único. Somos muitos nessa missão silenciosa, sustentados por ética, capacidade técnica e, acima de tudo, amor real ao paciente e respeito aos familiares.
Qual é, afinal, a derradeira arma do cidadão honesto? A atitude. A escolha. O voto.
Nessa balada sombria, o voto pode sucumbir — ou pode resistir. Escolher os piores declarados? Ou filtrar, entre imperfeições humanas, aqueles de maior integridade e capacidade coletiva? Cerca de 30 milhões se abstiveram de decidir o futuro comum. A omissão também escolhe, geralmente o pior. É fácil dizer que todos são iguais, que não há solução, que “rouba, mas faz”, que Deus resolverá… Mas o vivente campeiro sabe: é preciso boa semente, água limpa e terra bem cuidada para colher bem. O gaúcho que se preza — espécie em rarefação — zela pela boiada, pelas ovelhas, pelo pingo, e nunca esquece o cusco que guarda o galpão.
A escolha é simples e dura: descuido ou vigilância?
Indiferença ou responsabilidade? Refletiu? Sim — ou não?
2026.04.07 – Anjos da Morte ou Guardiões da Vida
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico | Cirurgião | Escritor | Jornalismo
CREMERS7720 | RQE 4700
Medicina desde 1971
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A Melhora antes da Morte!
O Último Clarão da Vela ou a Alma e a Ciência da Lucidez Terminal.
Um fenômeno que desafia os manuais e toca o inexplicável. Chamamos de Lucidez Terminal, ou a “Melhora da Morte, ou Último Adeus”, e “Canto do Cisne”. Mas, para quem segura a mão do enfermo, é como se a vida desse um último e vigoroso "até logo" antes do silêncio definitivo. Na Antiguidade: Hipócrates e Plutarco mencionavam casos de pacientes com mentes nebulosas que recuperavam a clareza antes do final. No Século XIX, médicos vitorianos chamavam de “reloading of the lamp” (reabastecer da lâmpada). Em 2009, Michael Nahm, cientista, cunhou o termo “Terminal Lucidity” em centenas de casos com demência severa (múltiplas causas) que voltaram a reconhecer familiares, falar coerentemente antes de morrer.
O Caso Específico da Radiação: A "Fase de Caminhada Fantasma".
Em Hiroshima e Nagasaki (1945) refere-se a um processo fisiopatológico específico da Síndrome Aguda da Radiação (SAR). "Fase Latente": Após a exposição inicial massiva, ocorre a destruição imediata de células de renovação rápida (como as do trato gastrointestinal). Após o vômito/diarreia inicial, há um período de melhora aparente que pode durar dias. Mecanismo: O paciente se sente melhor porque a inflamação inicial cedeu, mas é uma "calmaria antes da tempestade". Enquanto ele se sente bem, sua medula óssea está morrendo (aplasia). Quando as células sanguíneas remanescentes esgotam sua vida útil, o sistema imunológico colapsa e ocorrem as hemorragias fatais.
Explicações Fisiológicas e Bioquímicas.
A ciência ainda busca uma resposta definitiva, mas as principais hipóteses para a lucidez terminal em doenças crônicas incluem: Cascata Neuroquímica Final: Nos momentos finais, o corpo pode liberar uma "tempestade" de hormônios do estresse (cortisol, adrenalina) e neurotransmissores. Isso poderia, momentaneamente, contornar circuitos danificados no cérebro. Mudança na Pressão Intracraniana: Em casos de tumores ou infecções, a desidratação terminal ou mudanças na perfusão sanguínea podem reduzir o edema cerebral temporariamente, permitindo um breve retorno da função cognitiva. Efeito de Reservas Energéticas: Uma última mobilização de glicose e ATP remanescentes para manter as funções vitais mais nobres (o córtex) antes da falência multiorgânica.
Explicações Espirituais e Psicológicas. O Equilíbrio da Esperança.
Para muitas tradições e cuidados paliativos, esse momento é visto com reverência. A "Preparação do Espírito": Muitas culturas interpretam como o momento em que a alma se desprende dos laços físicos e recupera sua integridade para a transição. Oportunidade de Encerramento: Do ponto de vista psicológico, é um fenômeno que permite o "fechamento de gestalts" — o paciente pede perdão, se despede ou espera um ente querido chegar para finalmente "soltar-se". Para a família, esse momento é uma armadilha emocional. Após dias de prostração ou confusão mental, o paciente senta-se, pede água, reconhece netos e recorda histórias. O coração dos parentes infla com a palavra "cura". Aqui reside o papel crucial do médico e do enfermeiro: ser o tradutor da realidade com a gramática do afeto. Não é uma recuperação: É uma janela de oportunidade. Não é o fim do tratamento: É o início da despedida consciente.
Orientações para o Momento. Reflexão Final.
Se você é profissional ou familiar diante deste cenário, aproveite a lucidez para o que os paliativistas chamam de as Cinco Frases de Ouro: "Eu te perdoo." "Me perdoe." "Obrigado por tudo." "Eu te amo." "Adeus (ou ‘pode ir em paz’)." Reflexão Final: A melhora antes da morte não é um erro da natureza, mas um presente da biologia. Ela permite que a biografia do paciente termine com um ponto final claro, e não com reticências confusas. Para a medicina, é um lembrete de humildade; para a família, é o último abraço em forma de palavras.
2026.04.14 – A Melhora antes da Morte
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
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O Olho Gordo/Grande no Garrão do Brasil!
Nossa Tradição reverenciada nos Galpões e nos 7 Povos das Missões.
Nas vastidões do Rio Grande do Sul, onde o vento Minuano corta como adaga de castelhano traído e o chimarrão circula na roda de mate como uma prece coletiva, há uma praga antiga que ronda as estâncias e os corações: o olho gordo, ou olho grande, esse olhar invejoso que azeda a sorte alheia. Imagina, tchê, um peão montado em seu pingo, orgulhoso de seu rebanho gordo e reluzente, quando um vizinho passa e lança aquele relance carregado de cobiça. É como se o Negrinho do Pastoreio, aquela alma das lendas gaúchas que vela pelos perdidos nas coxilhas, de repente virasse as costas, deixando o azar galopar solto. Sim ou não? Acredita nisso?
E nas Religiões, e na História…
Nas filosofias e religiões do mundo, esse mal é velho como manotaço de um índio charrua. No Islamismo, chamam de "al-ayn", uma maldição que o Profeta alertava, capaz de secar o poço da felicidade com um simples piscar. No Judaísmo, é o ciúme que corrói como ferrugem em boleadeira de ferro, ensinado nos textos rabínicos a evitar o olhar para o que não é teu. Já no Cristianismo, ecoa nas palavras de Mateus, onde o olho mau é avareza que escurece a alma, misturando-se no Brasil com o catolicismo popular, como um terço rezado ao pé de um cruzeiro nas missões jesuíticas. No Hinduísmo, é "drishti", inveja que murcha a criança como capim seco no verão, e até no Budismo, surge como veneno mental, um desequilíbrio que bagunça o karma. Nas antigas Grécia e Roma, era "baskania" ou "fascinus", força invejosa que até os deuses temiam, e aqui no Sul, sincretiza com o folclore afro-brasileiro e indígena, onde a inveja bloqueia o corpo como um laço mal atirado: um pealo maldito!
Diagnóstico – Sinais Traiçoeiros ou que a Boca Ruim delata…
Como se identifica esse bicho ruim? Pelos sinais traiçoeiros: uma febre repentina no guri, como se o vento sul tivesse entrado nos ossos; o gado que emagrece sem motivo, ou a colheita que azeda no galpão, o cusco que refuga a boia. No Brasil gaúcho, é depois de um elogio falso na roda de churrasco que o mal ataca – choros incessantes, acidentes bobos, plantas murchando como alma sem mate, revertério no amor, talvez um desenlace cruel. Testes antigos revelam: óleo que afunda, cravos queimados que estalam como fogueira de São João, ou um ovo passado no corpo que, quebrado, mostra o mal cozido dentro. Ainda: o poço que seca. Parente que se acampa e não sai mais… Um cuidado com as sogras. Nem todas! Uma que outra.
O Gaúcho não se entrega numa Peleia contra o Mal…
Mas o gaúcho não se entrega ao destino como potro brabo; combate com fé e astúcia pampeana. Amuletos como a ferradura nas portas, olho azul que reflete o mal de volta, ou a hamsa, mão protetora, viram figas penduradas no pescoço, misturadas com sal grosso espalhado no potreiro ou arruda e espada de São Jorge plantada na entrada do rancho, como sentinelas contra o invasor. Frases como "Masha’Allah" ou "Que Deus te guarde" saem da boca como tiro de garrucha e berro de espingarda. E rituais ancestrais: banho de ervas que lava o corpo como o Rio Jacuí limpa a terra, queimar pimentas vermelhas para espantar o demônio, ou cuspir três vezes, ecoando o tranco de um pala no vento.
De Trote Marcado e Nossa Senhora no Coração…
Assim, nos pampas, o olho gordo é alegoria do vento Sul invejoso, que tenta roubar o calor do sol gaúcho, como falso e traiçoeiro “amigo”. Mas com uma cuia de mate na mão e a fé no coração, o peão ri dele, sabendo que a verdadeira proteção vem da generosidade – compartilhar o assado, o causo e a vida, pra que a inveja não encontre brecha. Porque aqui no Sul, tchê, a sorte se constrói no galope coletivo, não no olhar solitário e enviesado de ódio e ciúmes. E quem planta maldade, colhe desgraça, uma hora seu boleto chega! E tenho dito!
2026.04.21 – Olho Grande ou Olho Gordo
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
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Quem manda no Corpo Humano?
A Criação do Corpo do Vivente.
O leitor mais apressado vai apontar o dedo e gritar aos quatro ventos que é “O Careca do Supremo”. Não deixa de estar certo. Parcialmente! Mas essa educativa crônica, sempre afinada com as diletas e notáveis interpretações diagnósticas da vida comum dos mortais, e também afiada com a espiritualidade – deixando a religiosidade para cada pessoa ou sua corrente de fé, com total respeito. Sem mais delongas vamos destrinchar esse mistério: Quem manda no Corpo?
Deus, o Patrão Velho da Estância Celestial, admirava as suas criações: a luz, os mares, o bicharedo correndo e brincando, o macaco puxando a juba do leão e dando peteleco na orelha do amigo urso, quando resolveu investir mais um pouco. Requisitou argila aos anjos, que prontamente fizeram um monte. E o Pai Eterno enfiou a mão na massa, e começou a modelar o barro ancestral. Faz a cabeça, o tronco e logo os membros direito e esquerdo. Bota uma orelha de cada lado da cabeça, para um dia as “tias” puxarem. Um nariz com dois furos para respirar melhor. Unhas sem silicone, dentes variados e implantados, umbigo por sugestão angelical e assim aprimorou a obra – ainda sem piercing e tatuagem. Então soprou na sua face e a vida se fez do barro. Nesse trotezito do cronista, vocês conheceram, de leve, da saga do Adão, da Eva e logo da serpente master corrupta.
Ainda sem redes sociais, todos se comunicavam. Incrível como conseguiam isso!
Há quem explique que, no início, bem inicial mesmo, as partes do corpo já humano, conversavam entre si, como os animais e o Adão, quando a Eva “janjando” permitia. Trovavam sobre futebol, a bolsa cerveja e a motocicleta. Nesse causo, as partes começaram uma peleia de boca. O cérebro foi o primeiro a parar rodeio: “Eu estou no topo do corpo, no cume e daqui alguns salpicos do cume caem; eu sou o ministro chefe dessa tropa aí debaixo”. A boca saltou assobiando ou sibilando – “Se não fosse por mim tu era mudo e sem sotaque, eu mando no corpo, pois sou a única parte para falar ou então será um ato antidemocrático – chama a Federal e os melancias”.
O corpo se repuxava mais que chiclé em boca de guri. O nariz deu uma fungada profunda e sacou: “Se eu não respirar vocês morrem”. A orelha meio cabana: “E tu também, fungador de esquerda”. A situação se agravava. Uma galera angelical, de foice na mão e boné, se acampou para ver a desgraça dos outros. O pulmão chiava. A barriga roncava grosso: “E pode me chamar de Maduro, pois meus movimentos das tripas vai acabar em estrume”. Os braços apertaram as mãos e mandaram rebenque: “Sem nós, gêmeos, quem vai levar comida à boca…” Os pés chutaram o balde: “E quem vai caminhar para levar vocês pro carnaval, pros fandangos, dançar a chula e subir no pingo, ou jogar GreNal? Ou comer lagosta e caviar em Brasília?”
Esquerda ou Direita?
E nesse tranco a coisa estava quase virando uma balada funk. Eis que de algum lugar inferior, espremido entre glúteos, uma voz gutural, rouca e flatulenta largou o berro-pum, digo, o verbo: “Eu mando no Corpo e pode me chamar de Moraes se não Entendaes”. A galera caiu na risada. O pênis até se urinou entre gargalhadas. E não sobraram ofensas: fedorento, boca de sogra, fiofó – assim nasceram as dezenas ou centenas de nomes do dito cujo – … “Tu é cagão, general da banda”. Até o coração rompeu a fleuma e a doce fonte poética: “Tudo que tu faz é merda!”
Foi demais. O ânus se encanzinou e fechou-se num silêncio mortal. Sem pum. Sem cocô. Nada! Três dias e a turma dos andares de cima tomavam vinho e comiam lagostas, descartaram as togas e apelaram para bermudas e havaianas nas mansões baianas. Uma semana. Três semanas e o corpo estava de cinza para preto. “Intochicado”. Envenenado. Ninguém dizia coisa com coisa. Quase comatoso, com a bossoroca. “PelaamordeDeus, help, chama o Trump!” Então o FioFó falou: “E aí galera, quem manda nessa barca?” Entre flatos cruéis. Nem precisou de urnas: “É tu! Gritaram em coro, já moribundos.”
E assim, nesse tango ancestral, o cronista traz cultura, democracia e… um churrasco pra contrabalançar o resultado final! Tipo um habeas corpus anal.
2026.04.28 – Quem manda no Corpo Humano
Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
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Os Dentes Sombrios da Vitória!
Uma Crônica de Guerra, Luxo e Contágio.
No crepúsculo sangrento de Waterloo, em 1815, onde 50 mil almas tombaram sob o trovejar dos canhões, não foram apenas impérios que se ergueram das cinzas. Dos corpos jovens e robustos dos soldados — franceses, britânicos, prussianos — emergiu um comércio macabro: os "Dentes de Waterloo". Saqueadores, com pinças enferrujadas, arrancavam incisivos e molares ainda quentes, vendendo-os por guinéus em Londres e Paris. Para a elite vitoriana, esses dentes humanos eram o auge da odontologia primitiva: realistas, duráveis, montados em bases de marfim de hipopótamo.
Um sorriso "de herói" era um troféu, um luxo que disfarçava a podridão do açúcar excessivo nas mesas dos ricos. Mas o que se ocultava por trás daqueles brancos perfeitos? A sífilis, a "grande imitadora", espreitava nas carnes infectadas dos caídos. Soldados, muitas vezes portadores da doença venérea — comum em acampamentos lotados de miséria e promiscuidade —, legavam não só seus dentes, mas também a bactéria Treponema pallidum, que sobrevivia à esterilização precária e se infiltrava nos novos donos, causando úlceras, rush e, por fim, a loucura neurossifilítica.
Dentaduras de Sebastopol.
A prática se espalhou como pólvora. No Cerco de Sebastopol, durante a Guerra da Crimeia (1853-1856), os campos gelados da península ucraniana viraram minas de ouro dentário. Ali, entre trincheiras enlameadas e epidemias de cólera, os "Dentaduras de Sebastopol" foram colhidas de russos e aliados tombados. Relatos sussurrados em tavernas londrinas falavam de dentes "frescos" importados, mas carregados de contágio. Pobres doadores vivos, nas ruas de Dickens, vendiam seus próprios molares por um pedaço de pão — extraídos sem anestesia, deixando rostos desfigurados. Esses "vendedores de sorrisos" frequentemente carregavam sífilis, transmitindo-a aos compradores abastados que, ironicamente, buscavam beleza eterna. Um dentista parisiense, em 1850, registrou casos de pacientes que, meses após o implante, desenvolviam cancros orais, atribuídos aos dentes "amaldiçoados" de Sebastopol.
Dentaduras da Guerra Civil Americana.
Do outro lado do Atlântico, na Guerra Civil Americana (1861-1865), o horror se repetiu. Campos como Gettysburg e Antietam, com seus 620 mil mortos, abasteceram o mercado negro. Dentes de confederados e unionistas — jovens fazendeiros e operários, muitos infectados por sífilis em bordéis de campanha — foram arrancados por coveiros oportunistas. “Dentaduras de Gettysburg" adornavam bocas de nova-iorquinos ricos, mas o preço era alto: infecções cruzadas, onde lesões confundidas com varíola espalhavam a praga venérea. Um cirurgião da União relatou soldados se autovacinando com pus de colegas, inadvertidamente propagando sífilis, ecoando o risco nos dentes pilhados. A elite, cega pela vaidade, tratava restos mortais como commodities, ignorando a ética que via corpos como sagrados.
Dentaduras de Waterloo – a Mácula Eterna.
O declínio veio no final do século, com porcelanas aprimoradas e a aurora da assepsia. Mas a lição perdura: na busca por perfeição, a humanidade devorou seus próprios fantasmas, transformando vitórias em venenos. Os dentes de Waterloo, Sebastopol e da Guerra Civil não eram apenas próteses — eram cápsulas de contágio, sorrisos que mordiam de volta. Há quem acredite que nas insaciáveis orgias de Trancoso e nas naus de sexo, álcool e drogas do poder brasileiro na Europa, a Justiça Divina cobrará esses boletos que sangram e envergonham a pátria que luta e persiste pela honra e pela ética inegociável.
2026.05.05 – Os Dentes Sombrios da Vitória
Uma Crônica de Guerra, Luxo e Contágio
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
História da Medicina
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
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Homem Provedor vs Macho de Estimação!
Viamão já teve um “filósofo” e “orientador médico” que nos intervalos cortava cabelos e fazia barbas – Panca, o Mostardeiro, uma figura sacramentada e torneada nos redemoinhos da vida. Gente boa uma barbaridade. Tinha seu salão no costado do Bar do Zeca, nas franjas da Caixa D’Água. Meu caro tio Álvaro ia “bater ponto” diariamente para saber das notícias no tambor da cidade. Bem humorado brincava comigo, fazendo “Medicina”, sobre remédios e suas orientações, já contadas em outras estoicas crônicas.
Certa feita: “Edinho, qual a profissão que mais tem em Viamão”? Citei algumas. Errei todas. Com um largo sorriso, falou: Corretores. Pastinha debaixo do braço, cigarros, um cafezinho e uma cerveja no Bar do Zeca. Flertando umas mulheres na Rodoviária. Negociava uma casa, uma chácara, um carro, etc. Todos a mesma coisa. Na verdade, eram casados com professoras, 90 (?) horas semanais e revoltadas com a vida acompanhando o CPERGS-Sindicado nos “panelaços” e nos protestos ferozes. O ‘Corretor’ tranquilo esquentava outros pelegos enquanto a “guerreira” ia pra luta. Lembram do governo do Alceu Colares (1991-1995)? O “Colar” pedia 100 dias para tomar pé na bronca toda do Estado. A ideologia falou mais alto e pioraram os “panelaços”. Principalmente com o Calendário Rotativo para recuperar tempo perdido.
A Nobre Arte do Lençol.
O mundo não mudou, piorou! Nada contra, nada mesmo, que o homem assuma a casa, os filhos, a cachorrada, a sogra, faça comida, vá no mercado e faça faxina, sendo a mulher a principal provedora do lar. Alguns sentem como doloroso. Eu creio que é épico, merece aplausos reais. Mas a crônica vai no GPS dos malandros, vagabundos. Vagabundos assumidos, não sumidos e consumidos pelas lutadoras. Não há uma lei Maria da Penha (similar) porque a maioria é como “macho de estimação”. Até relativamente apto para os interlúdios dos lençóis e das fronhas. Ruim de trabalho e “meia-boca” de cama, nos pelegos do “Love is All”. Na atual escassez de homens, quando a maioria já anda de freio e buçal, ou empanzinado de Viagra, encontrar esse vivente virou garimpagem de pérola no deserto. Uma dessas lutadoras dizia, fazendo as unhas, para a manicure: Ruim com ele, é pior sem ele!
O “Corretor”.
Uma constante é que o “Corretor” sempre tem dificuldade de arrumar emprego fixo, principalmente emprego com pouco ou nenhum serviço. Não tem sorte o coitado. Sofre da coluna e teve disritmia, que melhora com cerveja gelada e mulher (outra) “caliente”. E o boneco até pode ter diploma ou ser “profissional” (ônibus, etc), mas continua sendo um emérito vagabundo. Vagabundo que se preza, que a mulher sustenta, jamais vira “ex-vagaba”. Muitos se aboletam na política, nos partidos, sindicatos, em qualquer potreiro que dá algum disfarce e renda.
“Machos Pet”
Essa é a classe de “machos pet”. Algumas mulheres adotam uns cachorros e complementam com esse formato de homem, companheiro pet. O Arigó do pé da Lomba contou que tem um primo que já está na 5ª mulher, sendo essa uma viúva e meio forrada dos pilas. Bem aposentada e com boa herança, até com casa no Quintão e carro novo. Ele sempre fala que: A fila anda! Um estimado primo, no fricassê dessa conversa, largou o cafezinho na mesa, antes do primeiro gole, e sacou: Sei com certeza em quem essas criaturas votam! Essas biscas… Será que sabe mesmo? E você?
2026.05.12 – Homem Provedor vs Macho de Estimação
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
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O Causo do Curativo “Sinistro”!
Assenta o chapéu, vivente, puxa o banco que o causo é de tirar o fôlego e deixar a alma em suspenso!
Era um fim de tarde de sol rachando o lombo, naqueles campos de terra batida que a gente chamava de "Estádio Maracanã", mas que não passava de um potreiro cheio de bosta de vaca e pedra de amolar. Eu tava lá, de bombacha curta e pés descalços, jogando uma pelada que valia mais que a honra do Rio Grande.
No meio de um entrevero pela bola, o "Tião Faca-Cega" me deu um carrinho que não era de brinquedo. Eu voei por cima da poeira e aterrissei de joelho numa ponta de cascalho. O estrago foi feio: o joelho parecendo um bife à milanesa, misturado com terra e o que sobrou da minha dignidade. O problema não era o osso aparecendo, era o que vinha depois. Tentei chegar em casa nas "pontas dos cascos", sem fazer barulho, pra ver se a mãe não notava. Mas mãe de gaúcho tem faro de perdigueiro pra cheiro de sangue e terra.
— "Vem cá, meu anjo… que que tu aprontou dessa vez?" — disse ela, com aquela voz doce que a gente sabe que esconde o chicote.
Ela me sentou no banco da cozinha. Eu já tremia mais que vara verde em dia de minuano. Do lado dela, o "Kit do Suplício": o vidro de Iodo (que parecia veneno de cobra), o Mertiolate (o traiçoeiro) e o Mercurocromo (o pincel da discórdia).
— "Mãe, pelo amor de Deus, passa o vermelhinho! O Mercúrio! Esse não dói, mãe!" — eu implorava, quase rezando um terço de mãos juntas para o céu. Mas a mãe tava com o espírito do inquisidor naquele dia. Olhou pro meu joelho cheio de terra e sentenciou:
— "Isso aqui tá muito sujo, guri. O Mercúrio não vai dar conta. Tem que ser o Mertiolate pra ‘limpar do fundo’." Me botou a ferida pra lavar na torneira. Bah, tchê… Quando ela destampou aquele vidro transparente, o ar da cozinha gelou. O cusco fugiu ganindo e o gato se enfiou debaixo do armário. Ela molhou um chumaço de algodão que parecia uma nuvem de tempestade. Eu agarrei as bordas do banco com tanta força que quase saiu suco da madeira.
Quando o algodão encostou na ferida… “Mas que barbaridade!”
Eu dei um grito que o vizinho do terceiro campo achou que tinha morrido um boi no grito. A dor era uma mistura de brasa viva com picada de marimbondo-caboclo. Minha alma saiu do corpo, deu três voltas no telhado, consultou o dicionário pra ver se existia palavrão novo e voltou só pra eu poder chorar. O joelho fervia! Eu soprava tanto que parecia um fole de gaita velha, mas quanto mais soprava, mais o álcool do Mertiolate parecia rir da minha cara.
Depois da tortura, pra "arrematar" o serviço e não dizerem que ela não era caprichosa, ela pegou o Mercurocromo e pintou um sol vermelho por cima de tudo. Saí da cozinha com a perna esticada, parecendo um robô com defeito, todo manchado de vermelho vivo, mas com o consolo de que a "limpeza" tinha sido feita. Naquela noite, eu dormi com o joelho grudado no lençol, mas orgulhoso. No outro dia, lá estava eu no campo de novo, exibindo a crosta vermelha como se fosse uma medalha de guerra, pronto pra outra "estrepolia".
Z37 2026.05.19 – O Curativo Sinistro – Edson Olimpio
Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
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SABEDORIA vs ESPERTEZA!
Como diferenciar Sabedoria de Esperteza? Há relativa confusão, veja a vazão ao “jeitinho brasileiro” que exalta a esperteza. Observe: quantas vezes você escuta ou lê algo sobre sabedoria? Exalta-se a cultura do esperto, do mais apto a escamotear, fingir, mentir, jogar na sua intenção e do lucro antiético, do “rouba, mas faz”, mérito ao sacana, medalha ao safado – ‘Vote Nele!’. Duvida? Olha a qualidade dos selecionados, escolhidos pelo voto ou daqueles que vencem com ou sem maioria de votos – isso fecunda a mãe da ditadura e alimenta a justiça mais injusta e ilegal, sem ética e imoral. O poder e a esperteza se autoalimentam, um círculo vicioso e maligno. Perverso e criminoso!
Deuses da Sabedoria e da Esperteza.
Você acostumou-se com minhas citações religiosas, da Antiga Grécia e dos romanos. Sabedoria: a principal divindade é Atena, que representa a sabedoria estratégica, a razão, a justiça e a inteligência aplicada em benefício da civilização. Ela nasceu da cabeça de Zeus, simbolizando que a sabedoria é a manifestação direta do intelecto supremo. Esperteza: Hermes é o deus da astúcia, da esperteza, da lábia e da rapidez. É o patrono dos comerciantes e até dos ladrões, usando sua inteligência para enganar, negociar, obter vantagem. Incito que você descubra outras divindades gregas, suas virtudes e defeitos. E olhe o horizonte nacional da corrupção!
Sabedoria como Virtude.
Na filosofia – especialmente para os estoicos e Sócrates, a sabedoria é considerada uma virtude fundamental, pois é o conhecimento do que é bom e do que é mau. A sabedoria guia, orienta o caráter para o equilíbrio e a retidão. Essencial! Escassa e corrompida na ditadura?
Esperteza como Defeito de Caráter.
A esperteza, por si só, é uma ferramenta neutra de sobrevivência. Entretanto, ela pode e deve ser vista como um defeito quando se torna desonestidade e/ou manipulação, sendo usada, empregada para enganar outros em benefício próprio ou da sua turma, agremiação ou partido. Enquanto a sabedoria é sempre vista como positiva, a “esperteza” pode degenerar em vício, se desprovida de princípios morais. O Brasil é um campo fértil, coberto por ervas daninhas. Sim?
No estoicismo.
Para os estoicos, a Sabedoria é a mãe das virtudes: consiste no discernimento e controle de nossas ações e opiniões e o que pode não estar (eventos externos, fama, riqueza), sendo sábio agir pela razão e natureza, buscando a serenidade e o bem comum. A Esperteza: mera sagacidade para obter vantagens, manipular, ou até a indiferença com o erro. O Imperador Marco Aurélio enfatizou que algo que não é verdadeiro ou justo, não deve ser dito ou feito, independente de possíveis vantagens.
Na Doutrina Cristã.
O cristão separa a “sabedoria divina” da “astúcia nesse mundo”. A Sabedoria é um dom do Espírito Santo que permite ver, sentir, observar e agir na Vida pelos olhos de Deus; fundamenta-se na humildade, no amor e no temor a Deus (respeito sagrado). A Esperteza: a Bíblia alerta que Deus “apanha os sábios na sua própria astúcia”. A esperteza é humana – ganho próprio em detrimento de outrem. No entanto, há o incentivo à “prudência”: Jesus disse para sermos “prudentes com as serpentes e simples como as pombas”, sugerindo que a inteligência seja usada para o bem, sem malícia. Infelizmente não é a situação que transborda veneno…
2026.05.24 – Sabedoria vs Esperteza
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico | Cirurgião | Escritor | Jornalismo
CREMERS7720 | RQE 4700
Medicina desde 1971
. * .
24 jul 2026 Deixe um comentário
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A Lida do Sono e a Sementeira da Vida!
Uma Peleia de Amor entre Lençóis ou Pelegos.
Diz o ditado que "quem não descansa, não alcança", mas a história nos conta que os antigos sabiam de um segredo que a luz elétrica acabou por extinguir, feito fogo de palha no vento. Antes que o mundo se tornasse esse corre-corre de relógio de pulso, cliques de computador, o homem não dormia de um fôlego só. O sono era como um baio gateado: tinha suas manhas e seus intervalos. Seus porém e seus entretanto!
O Primeiro Sono e a Quietude do Corpo.
Quando o sol se escondia nas coxilhas e a "estradinha de Santiago" (a Via Láctea) surgia no céu, o vivente se recolhia. Era o Primeiro Sono. Médicos de antanho, lá do tempo em que se curava com ervas e rezas, diziam que esse era o descanso da carcaça. Era o momento do corpo "cozinhar" o churrasco da janta, acalmando os humores e baixando a poeira da lida bruta – Regimen Sanitatis Salernitanum, famoso manual médico da época.
A "Vigilância": O Intervalo da Criação.
Lá pela meia-noite, o índio acordava. Mas não era aquele despertar sobressaltado de quem perdeu o gado. Era um despertar sereno, uma "folga" no meio da noite que os antigos chamavam de Vigilância. É aqui, que a história se cruza com a biologia. "Era no silêncio do galpão da alma, entre o primeiro e o segundo sono, que a semente encontrava terra fértil." Depois da Peste Negra, que passou feito um minuano gelado ceifando um terço dos viventes da Europa, a mão de obra ficou mais cara que cavalo de patrão. Nobres senhores e a própria Igreja olhavam para as sesmarias vazias e sabiam: “Precisamos de Gente! E a recomendação vinha certeira, como um laço bem jogado: o sexo na Vigilância era o mais produtivo. Gostoso e criativo! Bom para os dois e bom para o serviço e a reprodução aos olhos de Deus.
A Ciência por Trás do Poncho da Noite.
Por que essa "estratégia de reprodução" funcionava? Imagine um pingo (cavalo) que galopou o dia todo. Se você tentar encilhá-lo logo na chegada, ele nega o arreio. Mas, se der a ele umas horas de pasto e água, no meio da noite ele está pronto para outra jornada. 1. O Sossego dos Hormônios: Naquele intervalo, o cortisol (o hormônio do estresse, esse bicho brabo) estava lá embaixo. 2. O Reparo Biológico: O corpo já tinha feito a primeira manutenção. A testosterona e outros fluídos estavam "apurados", prontos para a sementeira. 3. A Entrega Sem Pressa: Sem o cansaço do dia e sem a pressa do alvorecer, o casal se encontrava na mais pura calma — e a natureza, que não é boba nem nada, aproveitava esse remanso para garantir a sucessão da espécie. A Igreja usava a Bíblia: Genesis 1:28 (ao criar o homem e a mulher) e em Genesis 9:1 e 9:7 (para Noé e seus filhos após o Dilúvio).
O Segundo Sono e o Despertar da Vida
Depois desse "entrevero" de afeto (‘sêmen mais forte e útero mais receptivo’), vinha o Segundo Sono, mais profundo, onde o corpo selava o compromisso com a vida. Ao clarear o dia, o homem e a mulher estavam prontos para a labuta, e o ventre da amada, quem sabe, já guardava o futuro herdeiro das terras, da herança de amor ou da natureza do compromisso.
O Que Fica para Nós? Sobreviventes da corrupção e da saúde precária.
Hoje, trocamos o candeeiro pelo celular e o sono bifásico pela insônia monofásica. Mas fica a lição didática para médicos e educadores: a fertilidade e a saúde caminham no passo do descanso. Não se colhe boa safra em terra esturricada pelo estresse. A Peste Negra mudou a economia, inflacionou o braço do trabalhador e nos ensinou que, no aperto da falta de gente (ceifou quase a metade dos europeus), a biologia respeitada é o melhor remédio. Aquela recomendação antiga não era superstição de carrapicho; era a sabedoria de quem entendia que a vida, assim como um bom mate, precisa de tempo para "curar" e mostrar seu melhor sabor.
2026.06.02 – A Lida do Sono e a Sementeira da Vida
Uma Peleia de Amor entre Lençóis.
Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas
HISTÓRIA da MEDICINA
Crônicas & Agudas traz para Você: Conhecimento e Sabedoria!
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico | Cirurgião | Escritor | Jornalismo
CREMERS7720 | RQE 4700
Medicina desde 1971
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Gases “Bizarros”
Essa didática e exuberante coluna, a mais lida do garrão do Brasil, chamusca sinônimos para o termo bizarro: estranho, excêntrico, extravagante, incomum, grotesco, mas também: gentil, elegante, nobre, valente, até arrogante. Esses singelos esclarecimentos são para dar uma cor e uma justificativa aos gases emanados do orifício inferior do corpo da criatura, próximo ao “playground” (sabedoria popular). O arroto fica para outra façanha épica. Flato ou pum são algumas denominações dessas emanações que, por vezes, são ruidosas, nem tanto como tiroteio no Rio, mas podem ser barulhentas o suficiente para alertar as narinas de que algo fétido, como latrina de congressista e bocas conhecidas, está a caminho.
Origem do pum!
O pum nasceu com o barro da criação. Grande parte desses gases vêm diretamente da boca – “um faz e o outro paga”! O ar ingerido, muito por ansiedade ou por atribulações nervosas, como até sentimentais. Outra fração desses puns são nativos da fermentação e da digestão. Após a meia idade perdemos de 1 a 3 % ao ano de capacidade vital – para tudo. Desde trabalho, lazer, sexo, digestão e absorção de nutrientes. Certas profissões, como jogador de futebol, é “velho” aos 35 anos. Eis aí de uma tacada só o motivo da terceira idade ser uma época de foguetório anal. Sempre que você olha uma bela moça, uma Gisele, sua mente jamais vai endereçar uma carta sabendo dos seus puns ou do “barro intestinal”. Não combina e nem anima pensar – grotesco?
E o mau odor?
Ou fedor mesmo… pois é, aqui o leitor corajoso/intimorato, como aquele sufocado num elevador ante tiroteio de puns silenciosos (surdos), espera o diagnóstico: enxofre. O enxofre e seus odores sempre estiveram associados ao inferno, ao supremo reduto de Satã. Pum é cultura clássica e eterna, pode adornar capítulos da História da Medicina e da queda de impérios. No Canto XI de Inferno de Dante Alighieri há passagens de “cheiros nauseantes” de enxofre. Na mitologia cristã e na Bíblia há “fogo e enxofre”. Fala-se muito no bioma intestinal, mas o resumo é que tudo termina em estrume. Ou terminam, acabam casamentos e interlúdios amorosos.
A primeira relação que fracassou.
Certo cidadão viamonense de meia idade, clássico, terno de linho branco, colete, gravata e chapéu – dá pra sentir o timbre do homem, tecia as linhas de um namoro com uma jovem já mais veterana (vetusta não) e que ainda estava na estação da vida e os trens já haviam passado. Uma época de vírgulas e reticências, principalmente porque o sexo fora do matrimônio era um “pecado mortal”. E foram tempo, muito tempo, se negaceando, até que certo dia marcaram um encontro de finalmentes no melhor hotel da capital. Dele se sabe que teve um trabalho monumental de preparo estético e atlético para o embate no tatame dos lençóis de linho egípcio. No aposento decorado previamente, as preliminares foram rápidas e objetivas. Ela já em fardamento de jogo (a de treino usava em casa!), no leito perfumado espera ele despir todo o paramento de cardeal supremo. E… sucedeu-se o desastre: um sonoro, acintoso, despropositado e fedorento pum inundou o ambiente, afogando qualquer ideia ou pretensão. Não se falaram. Vestiram-se e… nunca mais houve clima para um reencontro. Qual a sua dúvida atroz (ou atrás)?
Cuidados redobrados!
Do tiroteio com trovões valentes, nas enfermarias masculinas, aos gemidos e barrigas inchadas das mulheres nas enfermarias femininas, a vida galopa com tiros de garrucha a estouros de canhão. Vezes selando o destino de relações. E, com a idade, o esfíncter vai relaxando as pregas e soltando de improviso um alerta de que algo possa estar vindo atrás e… com velocidade. Cuidados redobrados! Derradeira informação: vezes se expele o gás metano que é inflamável – “fogo no rabo”. Felizmente é da vida de toda a criatura, do cão à mais bela moçoila! Bah!
Z 2026.06.09 – Gases Bizarros
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
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