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O Olho Gordo/Grande no Garrão do Brasil!
Nossa Tradição reverenciada nos Galpões e nos 7 Povos das Missões.
Nas vastidões do Rio Grande do Sul, onde o vento Minuano corta como adaga de castelhano traído e o chimarrão circula na roda de mate como uma prece coletiva, há uma praga antiga que ronda as estâncias e os corações: o olho gordo, ou olho grande, esse olhar invejoso que azeda a sorte alheia. Imagina, tchê, um peão montado em seu pingo, orgulhoso de seu rebanho gordo e reluzente, quando um vizinho passa e lança aquele relance carregado de cobiça. É como se o Negrinho do Pastoreio, aquela alma das lendas gaúchas que vela pelos perdidos nas coxilhas, de repente virasse as costas, deixando o azar galopar solto. Sim ou não? Acredita nisso?
E nas Religiões, e na História…
Nas filosofias e religiões do mundo, esse mal é velho como manotaço de um índio charrua. No Islamismo, chamam de "al-ayn", uma maldição que o Profeta alertava, capaz de secar o poço da felicidade com um simples piscar. No Judaísmo, é o ciúme que corrói como ferrugem em boleadeira de ferro, ensinado nos textos rabínicos a evitar o olhar para o que não é teu. Já no Cristianismo, ecoa nas palavras de Mateus, onde o olho mau é avareza que escurece a alma, misturando-se no Brasil com o catolicismo popular, como um terço rezado ao pé de um cruzeiro nas missões jesuíticas. No Hinduísmo, é "drishti", inveja que murcha a criança como capim seco no verão, e até no Budismo, surge como veneno mental, um desequilíbrio que bagunça o karma. Nas antigas Grécia e Roma, era "baskania" ou "fascinus", força invejosa que até os deuses temiam, e aqui no Sul, sincretiza com o folclore afro-brasileiro e indígena, onde a inveja bloqueia o corpo como um laço mal atirado: um pealo maldito!
Diagnóstico – Sinais Traiçoeiros ou que a Boca Ruim delata…
Como se identifica esse bicho ruim? Pelos sinais traiçoeiros: uma febre repentina no guri, como se o vento sul tivesse entrado nos ossos; o gado que emagrece sem motivo, ou a colheita que azeda no galpão, o cusco que refuga a boia. No Brasil gaúcho, é depois de um elogio falso na roda de churrasco que o mal ataca – choros incessantes, acidentes bobos, plantas murchando como alma sem mate, revertério no amor, talvez um desenlace cruel. Testes antigos revelam: óleo que afunda, cravos queimados que estalam como fogueira de São João, ou um ovo passado no corpo que, quebrado, mostra o mal cozido dentro. Ainda: o poço que seca. Parente que se acampa e não sai mais… Um cuidado com as sogras. Nem todas! Uma que outra.
O Gaúcho não se entrega numa Peleia contra o Mal…
Mas o gaúcho não se entrega ao destino como potro brabo; combate com fé e astúcia pampeana. Amuletos como a ferradura nas portas, olho azul que reflete o mal de volta, ou a hamsa, mão protetora, viram figas penduradas no pescoço, misturadas com sal grosso espalhado no potreiro ou arruda e espada de São Jorge plantada na entrada do rancho, como sentinelas contra o invasor. Frases como "Masha’Allah" ou "Que Deus te guarde" saem da boca como tiro de garrucha e berro de espingarda. E rituais ancestrais: banho de ervas que lava o corpo como o Rio Jacuí limpa a terra, queimar pimentas vermelhas para espantar o demônio, ou cuspir três vezes, ecoando o tranco de um pala no vento.
De Trote Marcado e Nossa Senhora no Coração…
Assim, nos pampas, o olho gordo é alegoria do vento Sul invejoso, que tenta roubar o calor do sol gaúcho, como falso e traiçoeiro “amigo”. Mas com uma cuia de mate na mão e a fé no coração, o peão ri dele, sabendo que a verdadeira proteção vem da generosidade – compartilhar o assado, o causo e a vida, pra que a inveja não encontre brecha. Porque aqui no Sul, tchê, a sorte se constrói no galope coletivo, não no olhar solitário e enviesado de ódio e ciúmes. E quem planta maldade, colhe desgraça, uma hora seu boleto chega! E tenho dito!
2026.04.21 – Olho Grande ou Olho Gordo
Edson Olimpio – Crônicas & Agudas
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico | Cirurgião | Escritor | Jornalismo
CREMERS7720 | RQE 4700
Medicina desde 1971
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