![]()
Quem manda no Corpo Humano?
A Criação do Corpo do Vivente.
O leitor mais apressado vai apontar o dedo e gritar aos quatro ventos que é “O Careca do Supremo”. Não deixa de estar certo. Parcialmente! Mas essa educativa crônica, sempre afinada com as diletas e notáveis interpretações diagnósticas da vida comum dos mortais, e também afiada com a espiritualidade – deixando a religiosidade para cada pessoa ou sua corrente de fé, com total respeito. Sem mais delongas vamos destrinchar esse mistério: Quem manda no Corpo?
Deus, o Patrão Velho da Estância Celestial, admirava as suas criações: a luz, os mares, o bicharedo correndo e brincando, o macaco puxando a juba do leão e dando peteleco na orelha do amigo urso, quando resolveu investir mais um pouco. Requisitou argila aos anjos, que prontamente fizeram um monte. E o Pai Eterno enfiou a mão na massa, e começou a modelar o barro ancestral. Faz a cabeça, o tronco e logo os membros direito e esquerdo. Bota uma orelha de cada lado da cabeça, para um dia as “tias” puxarem. Um nariz com dois furos para respirar melhor. Unhas sem silicone, dentes variados e implantados, umbigo por sugestão angelical e assim aprimorou a obra – ainda sem piercing e tatuagem. Então soprou na sua face e a vida se fez do barro. Nesse trotezito do cronista, vocês conheceram, de leve, da saga do Adão, da Eva e logo da serpente master corrupta.
Ainda sem redes sociais, todos se comunicavam. Incrível como conseguiam isso!
Há quem explique que, no início, bem inicial mesmo, as partes do corpo já humano, conversavam entre si, como os animais e o Adão, quando a Eva “janjando” permitia. Trovavam sobre futebol, a bolsa cerveja e a motocicleta. Nesse causo, as partes começaram uma peleia de boca. O cérebro foi o primeiro a parar rodeio: “Eu estou no topo do corpo, no cume e daqui alguns salpicos do cume caem; eu sou o ministro chefe dessa tropa aí debaixo”. A boca saltou assobiando ou sibilando – “Se não fosse por mim tu era mudo e sem sotaque, eu mando no corpo, pois sou a única parte para falar ou então será um ato antidemocrático – chama a Federal e os melancias”.
O corpo se repuxava mais que chiclé em boca de guri. O nariz deu uma fungada profunda e sacou: “Se eu não respirar vocês morrem”. A orelha meio cabana: “E tu também, fungador de esquerda”. A situação se agravava. Uma galera angelical, de foice na mão e boné, se acampou para ver a desgraça dos outros. O pulmão chiava. A barriga roncava grosso: “E pode me chamar de Maduro, pois meus movimentos das tripas vai acabar em estrume”. Os braços apertaram as mãos e mandaram rebenque: “Sem nós, gêmeos, quem vai levar comida à boca…” Os pés chutaram o balde: “E quem vai caminhar para levar vocês pro carnaval, pros fandangos, dançar a chula e subir no pingo, ou jogar GreNal? Ou comer lagosta e caviar em Brasília?”
Esquerda ou Direita?
E nesse tranco a coisa estava quase virando uma balada funk. Eis que de algum lugar inferior, espremido entre glúteos, uma voz gutural, rouca e flatulenta largou o berro-pum, digo, o verbo: “Eu mando no Corpo e pode me chamar de Moraes se não Entendaes”. A galera caiu na risada. O pênis até se urinou entre gargalhadas. E não sobraram ofensas: fedorento, boca de sogra, fiofó – assim nasceram as dezenas ou centenas de nomes do dito cujo – … “Tu é cagão, general da banda”. Até o coração rompeu a fleuma e a doce fonte poética: “Tudo que tu faz é merda!”
Foi demais. O ânus se encanzinou e fechou-se num silêncio mortal. Sem pum. Sem cocô. Nada! Três dias e a turma dos andares de cima tomavam vinho e comiam lagostas, descartaram as togas e apelaram para bermudas e havaianas nas mansões baianas. Uma semana. Três semanas e o corpo estava de cinza para preto. “Intochicado”. Envenenado. Ninguém dizia coisa com coisa. Quase comatoso, com a bossoroca. “PelaamordeDeus, help, chama o Trump!” Então o FioFó falou: “E aí galera, quem manda nessa barca?” Entre flatos cruéis. Nem precisou de urnas: “É tu! Gritaram em coro, já moribundos.”
E assim, nesse tango ancestral, o cronista traz cultura, democracia e… um churrasco pra contrabalançar o resultado final! Tipo um habeas corpus anal.
2026.04.28 – Quem manda no Corpo Humano
Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas!
Jornal Opinião de Viamão
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico | Cirurgião | Escritor | Jornalismo
CREMERS7720 | RQE 4700
Medicina desde 1971
. * .