Hipocrisia! – por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas e Agudas – Jornal Opinião – 04 Abril 2010

4 Abr 07 – Hipocrisia – Coluna Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

Hipocrisia!

Vivemos alguns, somos engolidos outros por um mundo de regras de convivência, de leis e de normas gerais. Criou-se a denominação do politicamente correto como uma forma de dourar a pílula ou até de tragar o intragável. A imensa maioria das pessoas não é o que é. É o que lhes permitem ser. Somos seres teatrais em quase constante representação. Estamos permanentemente fantasiados no palco iluminado ou sombrio da vida. Pense a sua vida! Pense em quantas vezes consegue exprimir-se ou manifestar seus sentimentos de forma plena ou o temor de magoar alguém ou de ser afligido por alguma lei maquiavélica lhe impedem de ser “real”.

Nem tudo que está na lei é ético ou é moralmente correto. Tens dúvidas? Observe ou relembre as qualidades éticas e morais de maioria dos nossos congressistas. Basta? A mui famosa Constituição Cidadã de 1988 não foi aprovada por grande parte dos políticos, inclusive de muitos que estão no poder e que agora a defendem com unhas e dentes. Raras são as pessoas que podem e tem a capacidade de dizerem o que pensam publicamente e sobreviverem ao tsunami de processos da ideologia contrária. Outro dia assisti a um debate sobre homossexualismo na TV com o pastor Silas Malafaia. Pastor Silas – não precisa comungar com sua religião nem com as centenas de milhares que o acolhem, mas é um homem iluminado e incomum.

Alguém não está saturado da brutal violência do dia-a morte-dia? Somos caçados por hordas ou falanges de marginais, a todo o momento e em todo lugar. Vivemos reclusos e gradeados enquanto “faltam recursos” para a polícia deslindar os crimes e sobra caridade para certos juízes soltarem a bandidada. Comenta-se que o governo aprovou uma lei dando entre “otras cositas” quase dois salários por mês para os presidiários – e os aposentados e as vítimas deles? Os movimentos de direitos humanos raramente visitam as vítimas ou sequer acompanham seus dramas, no entanto, lastimam e protestam pelas “más condições das cadeias e dos presos”. Uma coisa jamais deveria excluir a outra. A mídia amiga de criminosos faz levantamento de quantos criminosos morreram em tal período e raramente dos policiais que tombam no exercício da defesa da sociedade contra a escória crescente.

– O Cara reagiu e foi morto!

– Ela acelerou e ele atirou e a bala acertou ela na cabeça e vai ficar vegetativa!

– Ela gritou e o guri cravou a faca nela, devia ter entregado a bolsa ou dado pra ele e hoje taria cuidando dos filhos!

Acima estão três frases repetidas nas crônicas policiais e nas entrevistas do rádio e da TV. Nós deixamos de ser vítimas e o bandido tem a atenuante de que reagimos, ou que ele estava drogado, ou que era inexperiente e garoto (1,80m, 17 anos e 75kg). Somos duplamente culpados por não fazer tudo – Tudo! – que o marginal deseja e ainda por exercer o princípio ou o instinto mais básico do ser humano – reagir para sobreviver! Poderia ser uma ironia, mas é realidade. Um famoso jornalista viamonense dizia no rádio quando algum bandido morria – “um a zero pra nós, esse não incomoda mais!” O marginal “que é o produto de uma sociedade cruel e capitalista” está exercendo a sua antiga profissão. Nós é que não colaboramos – ironia!

“A bandidagem no Congresso desarmou a sociedade” – dizia um amigo durante uma festa. “Para o cidadão honesto e trabalhador ter uma arma para defender-se, defender a sua família e a sua propriedade é crime, para o bandido é instrumento de trabalho. Anistias, regime aberto, progressão de pena, deixa passar por falta de recursos humanos, solta, pois as prisões estão cheias demais, é “de menor” de idade, isso é delito pequeno, vamos recorrer, bandido também é gente, estava drogado e não sabia o que fazia, é doente, é o Estatuto do Menor e do Adolescente, foi crime político, merece asilo, pois é refugiado político” – expressões! Dezenas de outras estão aí nas bocas e ouvidos para o deleite da criminalidade e sofrimento do cidadão, trabalhador e ser humano de categoria inferior, pois é presa.

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