5 Mai 05 – Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida! Crônicas e Agudas – Jornal Opinião
Vida depois da Morte ou Vida depois da Vida!
– Eu é que não sei o que tem depois, pois ninguém que morreu voltou para contar! – Essa é uma das várias formas de serem expressas as angústias ou temores de diversas pessoas. Piora quando quem assim se expressa conclui: – Temos que aproveitar tudo que dá agora, pois depois ninguém sabe!
Quase que invariavelmente quem assim se manifesta professa alguma religião. Nunca vi algum ateu dizer isso. E maciçamente são cristãos. Ou assim se dizem e rotulam. De um modo geral somos primitivos em nossos raciocínios e sentimentos. E um dos sentimentos e necessidades primitivas do ser humano é ser tribal. Pelo bem e pelo mal. É como se o lobo que habita o nosso íntimo buscasse a sua alcatéia e assim sentir-se protegido e poderoso.
As três maiores religiões ocidentais tem em seus alicerces os ensinamentos dos grandes profetas do Antigo Testamento que nós cristãos aceitamos. Todos eles pregavam o Deus Superior e uma vida depois desta vida. Com Cristo aconteceu a sublimação e o aperfeiçoamento de todos os ensinamentos e para nós – Deus Filho torna-se um ser humano. E como ser humano vive, sofre e sente todas as qualidades e dores dos seres humanos. E sempre ensinou-nos que há uma vida depois dessa vida. Esse é um dos pilares basais em qualquer religião ocidental ou oriental. Observem os magníficos ensinamentos de Buda e de Maomé. Observem que até entre as mais diversas civilizações em épocas e regiões distantes entre si acreditam e vivem a vida do agora sabendo de uma vida depois dessa.
Alguns pregam que isso faz parte da necessidade do ego humano e nesse caminho dezenas de versões se acumulam. Muitos psiquiatras enveredam por essa sombria vereda, no entanto, centenas de outros tratam seus enfermos em “hospitais espíritas”. Os ensinamentos espíritas vertidos por Kardec trouxeram o renascimento do amor pleno e incondicional – o amor de Cristo – com a denominada “fé raciocinada”, significando que tudo que ofender a razão, pode ser ruim para o ser humano. Eu acrescento que toda a ideologia ou toda a fé que busca a aniquilação das outras e o sectarismo ou o radicalismo vassalo está sendo odiosamente manipulada ou muito mal entendida. A unidade de um Deus de Amor jamais terá a face sangrenta da morte ou a posse do irmão para aumentar seu poder.
O grande debate deveria estar centrado pelo título desse ensaio em como é ou pode ser a vida depois da morte. Ou o que nos espera depois dessa passagem aqui na terra? O que acontece com o espírito imortal que vive e usa esse habitáculo que denominamos de corpo? Para muitos o livre arbítrio ou o uso da razão que permite à ovelha permanecer com seu pastor ou rebelar-se contra o falso pastor é uma “maldição” da humanidade.
Nos idos da metade da década de 1980, buscava explicações para “fenômenos” comuns à vida do médico. Isso me permitiu acrescentar a uma base cristã e católica de meus pais e principalmente de minha mãe Dora o estudo de novas filosofias e tentar extrair da fé de outros, novos ensinamentos. Pelo motociclismo fiz centenas de amigos e desbravei terras que jamais sonhei existir e conhecer, pois foi o motociclismo que me aproximou de um grupo que estudava a “vida depois da morte” e até as “vidas passadas”. Tinha a liderança nacional pela médica paulista neuro-psiquiatra Maria Júlia Prietto Peres e do emérito professor e mestre psicólogo Antônio Veiga. Pelas intricadas teias das existências, o Veiga é um viamonense e professor de diversas universidades e Maria Júlia com uma cunhada viamonense – a querida Mara Peres Ramos. O intuito era de um grupo de estudos e pesquisas, sem qualquer vínculo religioso, como outros que se formaram pelo mundo afora que buscava a vertente da vida depois da vida e a reencarnação. Depois de vários anos, seguimos caminhos diversos os membros da época. Mantenho ainda contato com o Veiga e seu estudo e trabalho contínuo da pesquisa e da iluminação do ser humano. Inúmeros são os médicos e psicólogos que foram e são seus alunos e eternamente gratos pelos horizontes de amor que ousa e persiste ensinar e difundir. O amor se constrói e sedimenta com disciplina e dor e mesmo os mais empedernidos, refratários e primitivos em suas essências vitais serão compelidos a evoluir.