5 Mai 26 – Amigas e Amigos – Leitores – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Amigos e Amigas – Leitores!
– Assunto é o que não falta! – dizia-me um leitor dessa formidável página semanal. Pelo menos essa ainda é a opinião da Doralina e de mais um monte de leitores. Quase uma dúzia no último censo. Pois, esse ávido leitor, queixava-se da repetição de temas que são abordados nos jornais. – Tem muita encheção de linguiça por aí Edinho! – seu humor e o desabafo não eram para muita discordância. E nem há como discordar radicalmente dos leitores. Pois assim como cliente sempre tem razão, o mesmo parece valer para o leitor. Encontrar alguém que se interesse por ler já é uma raridade na sociedade. Encontrar alguém que procura entender e discutir os textos é uma raridade ainda maior. Sabe-se que cerca de 1/3 dos alfabetizados são incapazes de entender um texto simples de mais de dez linhas.
Assuntos e repetições! Esse mote sempre me assombra. Escrever para consumo próprio é como o cão que brinca com a própria cauda. Escrever evitando a redundância é outro desafio. Escrever para um público heterogêneo como é de um jornal é uma situação como agradar gregos e troianos. – Quem são os gregos? Tem-se uma interação entre as manifestações dos leitores ou a falta delas. – Faça umas colunas de humor, chega de política e sofrimento! – dizem uns. – Conta umas lendas e histórias de Viamão! – querem outros. – Gostei muito e até lemos a tua coluna para as colegas de trabalho! – refere uma cara amiga. Aqui entramos nesse universo formidável dos Amigos e Amigas. Gente especial que nos aceita até quando a inspiração é menor que a transpiração. Perdoam nossas bobagens e incentivam ainda quando sentimos que tropeçamos no teclado.
Descobrimos pessoas que mesmo discordando de certas opiniões, riem das cores do humor que tentamos pintar a dura vida da maioria de nós. Encontramo-nos pela casualidade e dizem: – Sou seu leitor! Amei e guardei aquela coluna que escreveste sobre os cães! Eu também tive um cão como o Peludo e como ele enriqueceu as nossas vidas! – abraçava-me uma leitora. Isso mais que gratifica, cria uma corrente ou uma egrégora de sentimentos compartilhados. Se instigamos a raciocinar, se cutucamos com a guilhada das palavras e das frases, tentamos gerar luz e fazer da vida um caminho mais belo a ser compartilhado. A busca por temas para serem abordados transita por esses caminhos – aquilo que possa palpitar em nossos corações. Ousadia ou esperança? Talvez Fé!
O jornal pode ser um ente vivo ou já sair às ruas como letras mortas. De quem depende? Assim como a sociedade pode ser um ente amorfo, sem vontade social, até mesquinha e egoísta nas suas escolhas ou massa disforme dos maus líderes, nossas responsabilidades devem ser maiores do que nós. Cada texto ou cada coluna não deve ser um mero turista descompromissado a vagar entre os leitores, deveria ser um ente que deva tocar e ser tocado. Árdua tarefa, jamais impossível.