5 Mai 12 – E Nós Avisamos – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
E Nós Avisamos!
Por muito tempo essa coluna foi uma voz solitária reclamando da inércia ou da indolência das autoridades para o surgimento de um flagelo social já experimentado em outras cidades e que aqui nascia – a pichação. Raros foram os ecos que essa coluna ou que a sociedade atingida foram ouvidos.
Inicialmente picharam os muros de algumas casas. Diziam ser coisa de garotos – brincadeiras! – Que os atingidos os pintassem novamente. – Pensavam e diziam. Logo paredes, janelas e portas foram pichadas. – É um excesso da gurizada! – Ouvia-se. A onda crescia. As novas paradas de ônibus eram concluídas à tarde e destruídas à noite. As escolas tornaram-se alvos dos vândalos. E ai dos professores que ousassem punir esses vândalos. Alguém já esqueceu as agressões das famílias, dos defensores de “crianças” e da mídia biruta contra quem ousasse tomar alguma atitude de defesa? Não havia limites para a depredação do patrimônio público e privado. Outros birutas tentavam transformar a pichação e a destruição em algo chamado de “arte urbana”. O fórum central foi coberto de pichações e panfletagem e até as paredes da OAB. Estava escancarado o desafio aos últimos redutos da Justiça e defesa do cidadão de bem.
Relatamos a associação das drogas com o vandalismo. Alguns nos disseram que isso deveria ser “raro” e que “muitos eram filhinhos de papai”, daí a maior impunidade. O consultório médico ainda deve permitir as emanações da verdade comprimida e constrangida em muitos corações. Assim como o confessionário foi no passado para muitas pessoas. E ali se assistem relatos atemorizantes do que é a vida dos professores que ousam e teimam em continuarem em seus ofícios nas salas de aulas. Hordas desenfreadas impedem que os professores possam cumprir a tarefa de ensinar e formar cidadãos, enquanto muitas lideranças de classe debatem-se na teia ideológica como predadores ou presas.
Destruíam os orelhões e os abrigos de ônibus. – Que vá o governante restaurar! Destroem-se escolas. – Que a sociedade e os professores calem suas bocas! Agora se destroem postos de saúde. Acordemos! É isso mesmo que estás lendo aqui. Posto de saúde coberto de pichação e incendiado. Repetimos – incendiado. Logo incendiarão com pessoas dentro. Há muito tempo isso aqui está um Iraque. Há uma guerra em curso enquanto políticos discutem se a culpa é da direita ou da esquerda. E continua sofrendo quem está no meio – o cidadão que tenta trabalhar e entrega meio ano de suor e dor para os impostos e taxas dos governos. Num grupo de oito pessoas indagamos se alguém acreditava que os responsáveis seriam encontrados e punidos? Resultado deste ibope privado – ninguém acredita! Se for “de menor” – alguma advertência aos pais ausentes. Se for “de maior” – certamente uma cesta básica.
Raros são “os mais veteranos” que nestas horas de tristeza e revolta não sentem saudades da disciplina da ditadura. Outros alertam que em Cuba a punição seria exemplar. Outro lembra o caso de uma idosa e viúva que buscou socorro no chefe do tráfico da sua região. Outro lembra ainda: – Que mundo deixaremos para nossos filhos… Ou que filhos deixaremos para o mundo! Tristeza e indignação nos assolam. A esperança é calcada na fé. Fé em algo superior ao homem, mas como Deus fará aquilo que nós teimamos, relutamos ou absolutamente não fazemos? Respondamos!