6 Jun 02 – Marcas – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão
Marcas!
– Será que o meu remédio não está falsificado doutor? – pergunta um paciente.
– Qual o motivo da sua dúvida?
– Acho que não está fazendo efeito igual ao outro que tomava antes! – conclui.
Isso é uma dúvida atroz para muitos necessitados consumidores de medicamentos. Muitos comparam as amostras grátis que recebem em alguns consultórios com os medicamentos de balcão e ficam na dúvida. Esse é um território pantanoso, com muita areia movediça. O número de especialidades farmacêuticas à venda no país é absurdo e astronômico – dezenas de milhares. O advento do chamado Genérico trouxe uma avalanche de cópias e pseudocópias. No momento do registro e autorização de venda espera-se que haja inspeção adequada. Depois… Impossível. Talvez por amostragem ou por denúncia.
Seria o Brasil um Paraguai gigante? Seria um império de falsificações? Quantos tipos de leite existem no comércio? Poucas. Pouquíssimas se comparadas com o número de remédios. Outro dia tivemos o escândalo do leite com soda, água oxigenada, etecétera e tal. Deu em que? Quem souber que nos diga e que a mídia noticie. Tem o caso da bela miss desfilando na TV no domingo que por denúncia descobriu-se ser… Homem. Até o sexo pode ser falsificado? Quantas dúvidas e tantas certezas. Vamos exemplificar num remédio para hipertensão arterial. Se a pressão persiste alta, as dúvidas pairam no médico que errou ao prescrever, no paciente que não está tomando corretamente, na dieta que não é adequada e vai por aí. E a qualidade do remédio? Eis porque os anticoncepcionais não estão aos borbotões no mercado. Se a “pílula” falhar é muito mais fácil identificar onde está o erro ou se é “pílula de farinha”.
Uma senhora respondeu assim a um balconista de farmácia ansioso por aumentar seu faturamento alegando que tudo que é “genérico e remédio é igual e a mesma coisa”. – Então rapaz, eu sou mulher como a tua mãe e somos diferentes ou não? Eu sou mulher e não me comparo com essas drogadas e prostitutas que estão ali fazendo ponto no centro. E a tua mãe? Tudo que é mulher é igual? Tu ias querer pra esposa uma assassina e traficante porque tudo é mulher? – Relata a senhora que “ele enfiou o rabinho entre as pernas e foi buscar” o que ela pediu. Exemplo fascinante desse senhora. E corajosa. Próprio de mulher responsável!
No mercado de produção e consumo não existe mágica. Valores absolutamente distantes podem significar algum tipo de fraude. Seja do produto ou do vendedor. Como apregoa a sabedoria popular na eterna música – até o santo desconfia de muita esmola na sacola.
O ser humano tende a ser conservador nas marcas preferenciais. Qual a sua cerveja? Qual o cigarro? Qual o carro? Qual a TV? Qual a erva mate? Qual a farinha? Qual o leite do filho? Qual… Observe as coisas de uso diário, eventual seu e da família ou até do trabalho e lazer ou informação. Temos marcas preferenciais em quase tudo. – Mulher pra mim só a Genoveva! – exclama o primo. Tem os que preferem somente de dois tipos – nacionais e estrangeiras (rsrsrs). Há gosto e desgosto pra tudo!
Assim deve ser com medicamentos também. Tenha suas marcas de confiança e dê mais valor a sua saúde. Tenha sua farmácia e farmacêutico de confiança e que respeite o receituário do seu médico, que também deve ser de sua inteira confiança. Jamais economize trocados para sua saúde e de seus familiares ou pessoas que ama. Em saúde jamais se gasta, faz-se investimento. O melhor investimento!