O Mistério das Aranhas de Itapuã! – Parte 2 – Por Edson Olimpio Silva de Oliveira – Jornal Opinião – 14 Julho 2010

7 Jul 14 – O Mistério das Aranhas de Itapuã – Parte 2 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

 

O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 2

 

A

 gigantesca igreja barroca que emoldura o cimo desta coxilha onde está encravada a cidade de Viamão – a Igreja de Nossa Senhora da Conceição – traz amalgamada em suas paredes de cerca de dois metros de espessura o sangue e os ossos de seus construtores desde os primórdios da colonização do Continente de São Pedro, hoje Rio Grande do Sul. E ali nos bancos de madeira carcomidos pelos cupins, pelas unhas dos devotos e das beatas tementes a Deus em busca de uma proteção contra o medo ancestral das bestas e do inferno – vagam seus temores. Em seus alvores, lá pelo século XVII, esta região amplamente denominada de Campos do Viamão estava fora dos domínios portugueses, pois ficava a oeste da linha do Tratado de Tordesilhas que passava por Laguna. Inicialmente por paulistas de São Vicente, logo o gado abundante e selvagem trouxeram a cobiça e a riqueza. Riqueza e cobiça são irmãs da morte e essa terra viu o sangue lavar-lhe as entranhas em intermináveis combates.

 

– E a aranha do farmacêutico? – indagam atentamente.

Pois a gigantesca aranha criada na casa do farmacêutico teria vindo de Itapuã. A vida é como uma interminável colcha de retalhos ou fragmentos em aparente desarranjo. Onde não há uma conexão? Tudo na existência da humanidade de alguma forma está interligado. Nesta existência ou trazido de outras vidas ou de outros planos existenciais conforme as crenças de cada pessoa.

v   

Itapuã e as Pedreiras!

Itapuã! – Ou pedra de ponta ou ponta de pedra no vocabulário de raízes guaranis. Hoje é uma vila ou um distrito do município de Viamão. Ao sul da cidade, uma vila de pescadores encravada na goela do Lago Guaíba com a Lagoa dos Patos. Onde o canal torna-se mais profundo e com um antigo farol para sinalizar aos barcos o risco de suas águas traiçoeiras e rochas graníticas. Sim, uma região de muitas rochas e que durante décadas foi acossada por pedreiras que arrancavam de seu ventre os pavimentos das estradas e ruas, alicerces das casas e enviadas por navios para o outro lado do oceano. Também por muitas décadas a sua vida selvagem diversificada esteve prestes ao extermínio. Os bugios eram os mais visíveis. Mas havia outros animais. E as aranhas caranguejeiras eram com as jararacas a única – ou seria a penúltima? – defesa da região. Depois de muitas delongas judiciais, grande parte da região foi transformada e ainda mal protegida como parque estadual de Itapuã.

 

Nota do Editor: Aguarde, leia e guarde essas colunas. Pesquise suas personagens. Conte para suas crianças e deixem em seus corações a imagem eternizada desse mito.

Deixe um comentário