O Mistério das Aranhas de Itapuã e a Negra das Aranhas! – Parte 6 Final – por Edson Olimpio Oliveira – 11 Agosto 2010

8 Ago 11 – As Aranhas de Itapuã – Parte 6 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A Negra das Aranhas! – Parte 6 – Final

– Final da Saga de Mitos e Verdades de O Mistério das Aranhas de Itapuã –

V

elhos negros escravos sobreviventes de senzalas imundas falavam de uma deusa negra vinda das florestas do coração da África em busca de seu amado humano trazido escravo para a colônia e feito reprodutor em alguma senzala desconhecida. Uma deusa pagã filha de homem e fera – uma aranha. Com poderes de vida e morte. De vida eterna a ser saciada com o sangue de guerreiros. Ao encontrar seu amado morto após jogar-se de um penhasco nas extremas ânsias de sua ausência, vagou pelas batalhas da América. Elegia algum indômito guerreiro e com ele convivia certo tempo. Logo a sina mortal do aracnídeo era mais forte e… Desaparecia.

Caçada ferozmente pela Igreja, sumia algumas eras para reaparecer em relatos de alguma frente de batalha – a Negra das Aranhas!

Durante toda a Revolução Farroupilha não se encontram relatos sólidos de embates na região de Itapuã ou de acampamentos de soldados imperialistas ou dos farrapos nesta região. Um impenetrável silêncio paira nesse período, mas lendas sobre aranhas venenosas e devoradoras de gente atormentavam essa parte do Rio Grande. Somente alguns raros relatos aparecem na primeira metade do século XX, onde fugitivos do leprosário de Itapuã eram dados como absolutamente desaparecido.

– Muitos buscam no suicídio na Lagoa Negra a paz para o sofrimento do corpo apodrecido em vida! – alegava um médico daquele campo de concentração de humanos tão escravos como os negros que os antecederam. Agora escravos de uma maligna senhora que há milênios traz o horror e a morte, o abandono das famílias, o amor enclausurado e o estigma do castigo divino em suas carnes putrefatas – a Lepra! Não encontramos nenhum relato consistente sobre a Negra das Aranhas, mas uma carta escrita por um descendente alemão para sua família em Santa Cruz do Sul traz “se a maldita lepra não nos matar, as aranhas irão nos devorar”.  

 

Epílogo.

Fantasias ou realidades. A realidade pode tornar-se uma fantasia aos olhos de outras pessoas. O inverso será verdadeiro. O homem tido como civilizado classifica como fantasia ou delírio tudo aquilo que a sua razão encontra obstáculo para explicar ou esclarecer. A religião Yorubá ou o idioma de povos africanos Yorubá, agrupa dezenas ou centenas de etnias confluentes e conflitantes com uma imensa riqueza de credos, hábitos e costumes alguns milhares de anos antes da era cristã. A ciência provou e comprovou que a humanidade que hoje conhecemos iniciou-se na África e daí ocupou o planeta. Infelizmente os povos africanos continuam em suas sagas de dor, sofrimento e matança. Talvez como o vírus do Ébola saíu das florestas mães para dizimar humanos de todas as cores, credos e ideologias, seres míticos e poderosos estejam misturados com as massas humanas de vertiginoso crescimento populacional servindo-se e alimentando-se como sempre o fizeram. O desaparecimento de alguns milhares de humanos, como gado para predadores desde o alvorecer dos tempos, será pouco notado e logo esquecido neste frenesi de consumo e poder.

 

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