O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 1 – por Edson Olimpio Silva de Oliveira

7 Jul 07 – O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 1 – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

 

Os leitores acompanharão durante as próximas colunas a ressurreição de uma lenda ou do resgate de fatos históricos encadeados pelo folclore. Pessoas que realmente existiram, fatos realmente vivenciados e verídicos com histórias reveladas a boca pequena e pelo interesse maior de poderosos foram sepultadas em alguma gruta de Itapuã. Acompanhem-nos!

 

O Mistério das Aranhas de Itapuã ou a Negra das Aranhas! – Parte 1.

 

E

xistiu um farmacêutico aqui na velha e legendária Viamão que a alvura de sua pele somente faiscada por alguns sinais negros escondia uma vida reclusa e de hábitos temerários para a maioria dos mortais. Pessoa dedicada ao ofício numa terra onde a Medicina não era uma profissão exclusiva dos raros médicos. Caridoso e de extrema habilidade na formulação dos medicamentos na botica familiar e de reconhecida maestria em puncionar veias que a todos os mais hábeis fugiam das agulhas. Residia próximo ao local de trabalho em casa com quintal onde trazia para seu refúgio aves nativas – marrecas caneleiras, marrecas piadeiras, marrecões, tarrãs, entre outros. Seu casamento nunca lhe trouxe um rebento. Isso era uma mácula numa sociedade em que crescei e multiplicai-vos não era somente uma expressão bíblica. As mulheres que nesta época não geravam filhos traziam maldoso estigma social num povo ignorante ou perverso – eram denominadas de Figueiras do Inferno. Ou seja – figueiras incapazes de produzir frutos. Terrível? Pior. Forjavam-se seres que se alienavam do convívio social e buscavam na reclusão dos lares e das casas fechadas algum tipo de conforto para suas dores. A casa ou o lar representa a caverna ancestral de todo o ser humano e o último ou derradeiro refúgio e propriedade. Ali ele torna-se rei e senhor. Ou um cativo!

As versões divergem quanto ao tamanho e quantidade… Mas a maioria conduz para uma lenda urbana ou um fato surrupiado do conhecimento público. Entre os animais de estimação daquela família, ou daquele casal tinham… Aranhas. Aranhas? Aranha? Conta-se à boca estreita que uma enorme aranha caranguejeira vagava livremente pelo assoalho de madeira e pelos móveis. – Muito maior que um prato fundo e dos grandes! – conta-se. O poderoso animal teria uma especial afinidade pelo casal e particularmente pela mulher.

– Eles estão conversando com a aranha! – cochichavam alguns corajosos ou intrometidos e curiosos que ousavam espreitar as janelas da casa à noite.

– Estão desaparecendo cachorros e alguns gatos da vizinhança! – alegavam alguns. O imaginário popular é prolífero nas suas fantasias quando o medo invade suas almas.

Nota do Editor:  Aguarde, leia e guarde essas colunas. Pesquise suas personagens. Conte para suas crianças e deixem em seus corações a imagem eternizada desse mito.

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