7 Julho 28 – A Negra das Aranhas e As Aranhas de Itapuã – Parte 4 – Crônicas e Agudas – Jornal Opinião de Viamão
A Negra das Aranhas! – Parte 4
– Mitos e Verdades –
– Fica aí com o Tisnado! Ouviu Mário! – berrou o negro Zé. Continuaram varrendo o perímetro em busca do agressor e assassino. Então estacaram na entrada da caverna aberta pela explosão. Com candeeiros nas mãos, os homens armados lentamente acostumavam os olhos com a escuridão. Uma cova ampla que se alargava após uns três metros do acesso. Logo a penumbra fantasmagórica permitia vislumbrar ossadas. Diversas ossadas! O negro congelou na frente dos companheiros que jamais deixaram de receber a luz do sol. O terror varou a alma deste negro que já havia enfrentado e vencido a lepra e trazia as marcas de deformidades em suas orelhas, nariz e mãos. Um suor gelado escorreu em sua fronte e pela ravina das costas musculosas. E…
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ão logo se recobrou, Zé avançou na profundidade da cova. Ossadas humanas. Várias! Ossadas de animais. Muitas! Saiu em carreira daquela sepultura coletiva. Sua mente agitava-se em consonância com os tremores do seu corpo. Os homens abandonaram rapidamente o acampamento para buscar a polícia na cidade. Eram anos de dor no Brasil. A ditadura apertava os tentáculos para dominar e restringir os adversários. Muitos desapareceram do palco brasileiro, seja por covardia, seja por morte anunciada ou não. Aqui os relatos misturam-se, embaralham-se num único resultado – a caverna foi explodida e seu conteúdo destruído agora sim. Sepultada definitivamente por toneladas de rochas. A ordem foi para que esquecessem e jamais contassem para alguém a funesta descoberta. Ou? – Quem desobedecer poderá ter o mesmo destino!
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“Deus cria! O Diabo separa. Mas eles se encontram e viverão juntos por suas vontades!” – Aldo Flores de Oliveira
Século XVIII.
O continente de São Pedro, atual Rio Grande do Sul, ferve sob o fogo da artilharia e ilumina-se pela prata das espadas e adagas. O General Pedro Ceballos, governador de Buenos Aires invade a Cisplatina e avança avassalador sobre as colônias e povos rio-grandenses. Como a cachorrada com a cola entre as pernas em ganidos de covardia, o governo foge da vila-fortes feitos Capital do Rio Grande. São acolhidos pelos estancieiros dos Campos do Viamão e aqui instalam a capital da capitania. Daí Viamão ser a primeira Capital de todos os rio-grandenses, pois pela vez primeira concentra governo e ardor patriótico. A falta de exércitos regulares faz com que a Junta Governativa do Rio de Janeiro determine: – “A guerra contra os invasores será feita com pequenas patrulhas atuando dispersas, localizadas em matos e nos passos dos rios e arroios. Destes locais sairão ao encontro dos invasores para surpreendê-los, arruinar-lhes cavalhadas, gados, suprimentos e mantê-los ainda em contínua e persistente inquietação.” (Arquivos Históricos do Exército Brasileiro)
O feroz Rafael Pinto Bandeira filho do corajoso Francisco Pinto Bandeira chefia guerrilhas – chamadas de Cavalaria Ligeira. Surge aí um intrépido paulista de nome Cypriano Cardoso de Barros Lemes que ao menor som de seu nome faz os espanhóis urinarem-se nas trincheiras. Caçadores Índios formavam grupos remanescentes das guerras guaraníticas que se bandearam para o lado português e também fustigavam incansavelmente os espanhóis. Isso é a história oficial. Comprovada! E reconhecida por todos os lados do conflito. (Continua!)