9 Set 29 – Sou Burguês e nem sabia – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
E na fila do Banco:
– “Sou Burguês e nem sabia”!
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ausa estranheza a frase acima? Causou inclusive em quem a pronunciou. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas e IBGE cerca de 50 milhões de brasileiros ingressaram na classe média nos últimos anos. Ainda causa mais estranheza os discursos inflamados de candidatos combatendo a “elite dominante”, teoricamente seriam os chamados ricos ou “novos-ricos”. O Brasil agrega nomes entre os bilionários do planeta. E isso é bom. Estamos no século XXI (21). Há quem pense e age como se ainda estivesse no século XIX (19). Naqueles anos dolorosos com o processo de industrialização que a aristocracia dominante perdeu espaço para uma nova classe social que se não ostentava títulos de nobreza ou nobiliárquicos detinha a produção e os serviços gerais. Como exemplo, os profissionais liberais.
No século XX (20) a humanidade enfrentou guerras mundiais, holocaustos e a queda do império soviético. Que soçobrou mais por seus defeitos do que pelas virtudes do capitalismo. Esquerda e direita digladiam-se ainda, infelizmente aos “civis”. Eis que há poucos dias, um dos maiores símbolos do comunismo – Fidel Castro – confrontou-se com sua própria consciência e referiu que o sistema cubano é inadequado ao mundo vigente. Mérito do grande líder ou o pé no pescoço da economia e do povo cubano fê-lo assim sentir. Ou o exemplo do gigante chinês num misto de capitalismo feroz com regime comunista? Anuncia-se que de imediato 500 mil cubanos (10% do funcionalismo) serão demitidos da teta mãe do emprego no governo. Vão ter que se virar para sobreviver neste esboço inicial de economia aspirante à capitalização?
Os Novos Burgueses! O ser humano nasceu para ser feliz ou para sofrer? Para servir ou ser servido? Para conquistar seus desejos ou permanecer sufocado em suas aspirações? Mais de 2/3 da nova classe média estudou mais que seus pais. Mais de 2/3 tem e aspira melhorar os confortos disponíveis no mercado. Mais da metade faz turismo e os que não foram planejam viajar ao exterior. Mais de 2/3 tem computador no lar. E por aí vai. Há que acredite e propague que o brasileiro cresce apesar de seus governantes que cravam cerca de 40% de impostos no cidadão que paga as más administrações de todas as cores. Somam-se as rapinagens dos políticos e de seus comparsas fartamente publicados na mídia.
Quem não quer ser burguês se isso significa comer melhor, morar melhor, ter um carro melhor, estudar melhor, enfim viver melhor e oferecer uma vida melhor para seus familiares? Outro dado interessante, cerca de 2/3 gostaria de continuarem morando na mesma região, mas com melhores condições de infraestrutura e segurança. Qual ou quais os caminhos para ser um novo burguês? Ou para crescer sem causar mágoas – um novo classe média? Estudo de qualidade, trabalho e estabilidade econômica. Em algum tempo teremos uma nova consciência coletiva da sociedade pela liberdade e pela realização dos sonhos. Em tempo – quer coisa mais burguesa do que as carreatas que aí estão colorindo ruas e estradas? Milhares de veículos, a maioria com menos de dez anos de uso desfilando com bandeiras e adesivos em competição democrática e ostentando seus recursos e posses? Ser burguês é crime ou pecado? Usufruir do esforço próprio e trabalho é o mesmo que locupletar-se pelo trabalho alheio ou nas maracutaias sem fim? Um espiritualista falando sobre “Nossa Casa” lembrou que “nos planos mais evoluídos e iluminados não há Direita ou Esquerda…”