Flávio Ribeiro e Maria de Lourdes Silva – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 25 Agosto 2010

8 Ago 25 – Flávio Duarte Ribeiro e Maria de Lourdes Albanus da Silva – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Flávio e Maria de Lourdes!

– Quando a Terra perde pessoas exemplares e o Céu ganha mais dois Anjos. –

 

A

certos e erros! Amigos e inimigos! Virtudes e defeitos! Coragem e covardia! Perseverar e desistir! Nesta balança visível ou invisível as qualidades e incorreções dos seres humanas são pesadas e avaliadas. Muitas vezes um incidente, como um pouso problemático, pode colocar nas sombras toda uma trajetória de vida. O somatório é o mais importante para a balança pender para a Luz e para o Bem. Contadores e economistas lidam diuturnamente com somatórios. Daí com balanços! Sintam a simetria. E os números precisam chegar ao final demonstrando perfeição ou exatidão. E quando alguém morre ou desencarna, num livro do Criador fecha-se um balanço. O balanço de uma vida. E logo de muitas vidas!

Longos anos numa instituição bancária. Muitos mais a frente de uma empresa de Contabilidade. Cuidando do patrimônio dos outros. Defendendo o dinheiro dos outros. Como alguém passa a sua existência cuidando do “bolso” e dos bens alheios e persiste colhendo elogios, respeito e admiração? Como alguém tem a sua vida associada a um partido político e persiste cultivando o respeito e a admiração dos adversários de legenda e ser um balizador moral para tantos? Como alguém vê suas forças físicas serem sugadas por enfermidade deformante e sinistramente lenta e sempre mantém a coragem e a determinação da cura e da palavra de conforto para todos a sua volta?

– Ele era seu fã! – Disseram-me a Fabiane, o Flavinho e a Therezinha em momentos diversos, quando tentei através dos seus grandes amores, abraçar mais uma vez o amigo Flávio Duarte Ribeiro. Sabia dele próprio que era um leitor assíduo de meus textos. Mas muito antes disso, conhecemo-nos por meus pais. Sempre teve um especial apreço pelo velho Aldo. A dor de quem perde alguém que ama é brutal. Quem já perdeu sabe! A espiritualidade nos acalenta e até pode atenuar, jamais deixar de sentir a chaga que se abre em nosso coração e em nossa alma. Somente com o Tempo, esse companheiro inexorável, podemos auferir Entendimento e assim conviver com nossas cicatrizes.

tantas coisas para nos lembrarmos das pessoas que amamos! Mesmo quando essa vida de trabalho e compromissos ousa e consegue que convivamos de menos com pessoas exemplares. Cada um sente-se tocado por algo – palavras, atos, gestos, escritos ou pela Luz. Essa Luz estava no olhar do Flávio. Havia uma Luz especial em seu olhar. Nos momentos de silêncio, entre os espasmos do corpo lutando contra a enfermidade que o torturava e aprisionava-o, ali estava ela – a Luz! Pensem! Apercebam-se! Guardo a Luz do olhar de um amigo do meu pai e meu! Que guarde a Viamão que ele tanto amou seu exemplo de cidadão e pai e que seu legado jamais siga caminho diferente do que ele foi.

Maria de Lourdes Albanus da Silva! – A Luz no Olhar.

H

á poucos dias encontrei novamente essa Luz. Novamente em um corpo frágil de uma mãe querida e avó muito amada. O peso dos anos, faltavam quatro dias de seu aniversário de uma longa vida de dedicação e amor, sobrecarregava seu corpo. Ao atendê-la em seu leito, o frágil coração não conseguia retirar a Luz que sempre teve. O ser humano sente-se tocado por tantas coisas, mas creio que, como os poetas sentem, através dos olhos vislumbramos uma alma. Sentimos pelos olhos a Humildade e o Amor. Muitas pessoas esquivam-se de velórios e de seu conteúdo de despedida e intenso sofrimento e preferem guardar em seus corações as melhores imagens daquela pessoa e o toque de sua Luz. Temos o privilégio de cruzar na existência com pessoas especiais e iluminadas.

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