Filé de Traíra! – por Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 20 Outubro 2010

10 Out 20 – Filé de Traíra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Filé de Traíra!

– De onde vem o leite Maria?

– Quando não tem na geladeira, vem do mercado! Ora essa!

A

 família dos Oliveira teve pescadores, caçadores e afins ou assemelhados. Cresci escutando as histórias sobre meu avô paterno – Olimpio Laurindo de Oliveira. Onde hoje é a igreja da Estância Grande, ali tinha o seu comércio de “secos e molhados” (como se dizia antigamente aos mercados ou armazéns em que de tudo um pouco era comercializado) e as terras que foram do seu Olimpio. Caçadas de marrecão durante o inverno quando a temporada de caça permitia e pescarias o ano todo e principalmente no verão.

Pescava-se de caniço com diversos tipos de iscas dependendo o peixe que se desejava. Inicialmente fio de linho ou similar e depois com o advento do nylon, esse tomou conta. Dois peixes principais – jundiás e traíras. Afora as pescarias de lambaris – carás, tambicus, etc.. Os lambaris também serviam de isca para capturar as traíras. O jundiá é parente do bagre e carrega o sangue de baiano – lento quase parando. Já a traíra tem parentesco com a piranha, eu acreditava. São peixes de escamas com dentes afiados e vorazes. Fazíamos um preparo no anzol com arame para impedir que a traíra quando mordesse a isca cortasse o fio de pescar. Tudo artesanal inicialmente. Além do caniço usavam-se redes com uma, duas ou três malhas, estas chamadas de feiticeiras. Também se usavam espinhéis com diversos comprimentos e tamanhos de anzóis.

Meu pai Aldo era extremamente habilidoso em confeccionar esse material de pesca. Ops, esqueci das tarrafas, que meu pai não as usava. Voltando às traíras. Peixes com famosas espinhas em forquilhas que causaram engasgos até fatais em muitas pessoas e que as famílias evitavam que as crianças comessem dessa carne. Lembro do saudoso José Menezes, antigo tabelião do Cartório de Títulos e pai do advogado Dr. Fernando Menezes que nas pescarias colocava postas inteiras de traíra dentro da boca e com habilidade incomum separava as espinhas num dos cantos da bochecha e logo a seguir colhias com a mão em concha, descartando-as. Fantástico. Meu pai também era um dos mais hábeis cozinheiros entre os companheiros de caçadas e pescarias e fazia diversos tipos de pratos com peixe nos acampamentos. Peixe à escabeche num panelão de ferro, na alegria da barraca com os pássaros fazendo coro e eu um guri cheio de idéias e pretensões escutando as conversas dos adultos. Tudo de bom. Eventualmente: – Edson vai lavar os pratos e as panelas! – Isso era a senha que agora o assunto não era para guri. Tudo bem. Já estava bom demais.

– E o filé de traíra?

Pois seu Aldo preferia as traíras menores para retirar o filé. A faca era afiada na pedra e o dedo polegar servia para habilmente testar o fio. Então o filé era deitado na tábua pelo lado do couro e a faca traçava riscos longitudinais e horizontais na carne alva. Nunca mais que 0,5 cm entre cada corte. Isso cortava as espinhas em pedaços minúsculos. Logo esse filé era levado à frigideira com óleo ou banha fervente ao máximo com o fogareiro à querosene roncando. Fritos ao ponto de crocantes. Assim qualquer humano comeria traíras sem o risco de engasgar-se com as espinhas.

Vejam uma vida que carrega o ritual do preparo e anseio emocional com tudo que envolvia uma pescaria até aproveitar o sabor de algo temido, mas extremamente gostoso. Que essa analogia mostre-nos quantos filés de traíra a vida nos oferece. Muitos não sabemos de onde vem – lembram do leite acima? – e outros tantos temos medo ou não sabemos aproveitar o sabor e a energia.

 

 

Indiscreta

Aguardarei o pouso

Das feiticeiras asas que inventas,

E depois das tormentas

Galoparás auroras em meus braços.

Nas manhãs, sem pressa,

Envolvidos na seda dos lençóis e dos abraços,

assustaremos a  estrela distraída

que nos espreitou por toda a madrugada,

e depois, de tão cansada,

amanheceu no céu, adormecida!

Lúcia Barcelos – Poetisa

 

A Criação

Primeiro, era somente trevas.

Depois da Criação,

eram Adãos e Evas.

Em meio a essas criaturas, alguns ardiam inspiração.

E então,

Deus arquiteta:

faz o poeta!

Separa a luz da escuridão.

À treva, denomina “noite”,

À luz, denomina “dia”,

e a esta coisa que arde,

Chama POESIA!

            Lúcia Barcelos – Poetisa

 

 

 

Pensamentos Ruminantes! – Ou nem tanto assim.

 

# Pugilato na Câmara de Vereadores! – Quem bateu? – Quem apanhou? – Somente uma certeza – todo cidadão está envergonhado!

# Votar em branco seria manifestação de racismo?

# Tiririca e Maluf e incontáveis similares! – E depois reclamam das coisas!

 

 

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