11 Nov 03 – 2010 – Pegadoras e Cachorronas e Canalhas – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Pegadoras, Cachorronas e Canalhas!
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sociedade muda ou mudam as terminologias? Ambos? Pois se durante milênios existiu o que foi chamado biblicamente de “a mais antiga das profissões” para classificar a prostituição em suas mais variadas e lascivas formas. Quando o mundo se socializou e os sindicatos ocuparam o espaço representativo de todos os gêneros e graus de trabalhadores, restou uma parcela de mulheres (machismo isso!) classificadas como trabalhadoras no ou para o sexo. Com carteira assinada e direitos sociais inerentes à profissão exercida. Mas um contingente humano persiste na obscuridade do sexo vendido, alugado ou exercitado por prazer ou gana. O advento da pílula anticoncepcional alavancou essa realidade antes nas sombras das alcovas. E desse contingente um sem número jamais admitiria estar encaixado na prostituição. Nem na devassidão. Para muitos o romper dos grilhões da sexualidade restrita, passou direto da liberdade sexual para a libertinagem escancarada.
E as denominadas de “Pegadoras” estão nesta selva que sofreu o desmatamento pubiano e na linguagem do estuário funk e assemelhado são as predadoras. Saem para caçar e tal qual a antológica letra musical do “carcará pega mata e come” contam as suas proezas sexuais como os antigos pistoleiros que somavam os louros (e louras também) de sua espécie. Sabe-se que muitas começaram seu treinamento com o “fica”. E realmente “ficavam” com vários numa noite ou final de semana. E fora das baladas elas também representam uma ameaça importante para àquelas mulheres que querem e teimam em preservar seus homens. Algumas agem em alcateias, geralmente com a fêmea alfa orientando o grupo. Outras são caçadoras solitárias em festas, shoppings, bares ou qualquer lugar onde a presa desejada esteja visível ou farejável.
E as “Cachorronas”? Neste grupo estão as fêmeas aditivadas. Malhadíssimas. Físicos esculpidos a suor e lágrimas, muito exercício e algum aditivo especial. Conhecidas por seus nomes associados com frutas ou outro apelo ecológico. – É a Mulher Melancia? – É por aí! Qualidade ou agravo – “melancia nunca se come sozinho” – dizia com o cenho franzido um filósofo do cotidiano viamonense. Como seio não cresce com ginástica ou musculação, generosos silicones aperfeiçoam a figura apolínea. Seria um contrassenso buscar e inspirar-se na suprema forma de masculinidade num corpo feminino? Acrescentam os “entendidos” e versados – são “boas de casca e ruins de miolo” ou tem muito “fardamento, mas jogam pouca bola”!
– E onde entram os canalhas? – aguça-se o intrépido leitor. O canalha está inserido neste universo como tinta está em tatuagem. É uma espécie de predador masculino. A mídia estampa jogadores de futebol que preenchem com absoluta precisão vários graus e estirpes de canalhas. E há desde o tipo “mineirinho” até aquele em que “a propaganda é a alma do negócio”. Para muitos “a irmã, mãe ou esposa do amigo é como um violino” – usando a sabedoria popular. O tema é vasto, mas tentamos colorir e pincelar parte desta gigantesca tela.
Guerreiros Anônimos!
Todos nós conhecemos pessoas que fazem a diferença na sociedade. E geralmente ficam no anonimato. Muitas são os para-choques de muitas atividades essenciais para a população e passam como seres transparentes quando a gratidão ou o agradecimento deveria ser a regra primeira. Mas que no dia a dia sofrem com as carências do sistema e recebem muitas ofensas gratuitas. Algumas criaturas ainda explicam-se: – Eu estava nervoso(a) naquela hora! Teria valor se fosse desculpar-se pessoalmente e com a dignidade do arrependimento real. Mas é da vida e da pouca iluminação das criaturas. ![]()
Maria Elísia – Margarete – Neiva – Líria – são algumas das trabalhadoras essenciais que se doam diariamente na Unidade Sanitária do Centro de Viamão. Essa é uma pequena homenagem para elas e para todos os trabalhadores em Saúde na cidade de Viamão.