Tragédia e Incompetência!–Um Final Previsível.

1 Janeiro 19 – 2011 –  Tragédia & Incompetência! Um Final Previsível – Edson Olimpio Oliveira

 Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Tragédia & Incompetência!

Um Final Previsível.

Apesar de diversos leitores clamarem por textos com humor durante as férias de verão, o cronista sente-se constrangido quando a desgraça torna-se tão pesada e por vezes insuportável para tantos irmãos brasileiros. Sempre cabe alertar aos gansos de plantão que o cronista é inimigo da generalização. No entanto, solicito que pensemos juntos.

 

Falta de água e excesso de água! Isso é somente uma parte do tema. As mudanças climáticas são perceptíveis, mas certas condições climáticas e ambientais estão presentes há várias décadas. Assim como as áreas consideradas de risco para moradias ou trabalho estão mapeadas desde longa data.

 

A carência de água na região sul do Estado é histórica. Bagé sofre com racionamentos de água há mais de vinte anos. Certamente as promessas de sanar essa situação acompanham esse povo há mais tempo. Bagé é exemplar neste contexto, apesar de ser uma cidade com prestígio e poder num passado pouco distante. Ser bageense foi e ainda o é para alguns como algo charmoso, mas a realidade é de um flagelado. O flagelo da seca nunca foi exclusividade do Nordeste brasileiro. Governos de todos os naipes e cores se sucedem. Homens públicos afloram e sucumbem na mesmice dos anos secos. Populações rurais dependem da água barrenta e fétida ou dos escassos caminhões para matar a sede das pessoas e dos animais. As plantações esturricadas e o gado magro formam um quadro do árido nordestino no Rio Grande do Sul.

 

Eis que somos invadidos pela aluvião de imagens, sons e notícias de outra aluvião que carregou e soterrou centenas de pessoas no Rio de Janeiro. A nossa humanidade fica dilacerada diante de tanta dor que nossos sentidos captam. Os estragos materiais são gigantescos, mas a destruição de vidas, famílias, sonhos e até de esperanças é algo incomensurável. Os primeiros e segundos, ou terceiros sentimentos são de pesar e constrangimento. Logo vem a sensação de que somos como folhas de árvores que sucumbem ante a natureza em fúria. Temos alguma dimensão da pequenez do homem ante as forças da mãe Terra. A nossa impotência e finitude são absolutamente gritantes.

 

A complexa natureza do homem ante os outros seres vivos e à própria natureza exige-nos algo mais. Até podemos entender que talvez haja mais gente do que regiões do planeta suportem. Em 1968 cerca de oitocentas pessoas morreram em circunstâncias similares no mesmo Estado informa a mídia. A mesma mídia mostra que quase anualmente as tragédias se repetem. No entanto, as soluções jamais aparecem. São postergadas por motivos diversos expelidos em bocas diversas. Os brasileiros, autoridades e políticos ou não, estão adequadamente aptos e preparados para as festas de belos e iluminados carnavais. Despreparados para a prevenção e para a situação de tragédia. A prevenção é óbvia para todos – ou quase! Nas primeiras vinte e quatro horas, somente bombeiros locais e as próprias pessoas voluntárias se auxiliavam. Hoje, depois de quase três dias de desgraça, muitos locais continuam isolados, passíveis de resgate soterrados ou entregues à própria sorte, falta de água e alimentos e remoção para áreas de menor risco. Pessoas entregues ao pânico pela falta de gerenciamento eficaz do cataclismo. Autoridades entrevistadas aguardam que outras autoridades… Outras revelam a “liberação do fundo de garantia” e outras coisas absolutamente secundárias e despreparadas para salvar e gerenciar as vidas sob suas responsabilidades. A Band registrou “onde estão as Forças Armadas”, pois quase 48 horas depois e ainda se sucedendo o caos, somente os helicópteros das empresas de jornalismo auxiliavam no resgate. Isso demonstra a falta de um protocolo imediato para grandes tragédias por todas as autoridades responsáveis há décadas.

 

Essa realmente é uma herança maldita que nossa Presidenta recebe. Outra é ter que acomodar o vampirismo explícito de partidos e de pessoas para tentar governar. A Ditadura não foi eficiente para isso. A nossa Democracia também não será enquanto a natureza de nossos eleitores elegerem ineptos ou ainda pior – bandidos. Lembra-se de alguém assim?

 

 

Pipas d’ água e outras reminiscências!

Alguém recorda dos pipeiros? Certamente o ilustre viamonense Antoninho Ávila, uma enciclopédia viva da história, terá inúmeras e belas histórias para nos contar. Pois eu tive um irmão de minha mãe Dora, também Toninho, que foi pipeiro. Vamos ilustrar a cena: a pipa era uma carroça puxada por cavalo ou burro com um tanque de metal ou madeira que enchida de água era levada aos lares e descarregada. Pagava-se por pipa. Não recordo de onde vinha a água. Outro viamonense que pode auxiliar nesta regressão histórica é o Haroldo Franco.

Algumas casas coletavam a água da chuva em tonéis. A higiene? Geralmente precária, pois minha mãe sempre me alertava para aquelas águas não filtradas e fervidas que tinham “micróbios”. E realmente viam-se as larvas em alegre fandango nos tanques. Muitas casas tinham as talhas de cerâmica e acima delas uma caneca de metal – muitas confeccionadas pelo funileiro Pasqualino, esposo da amiga negra Doca Lavadeira – e ao seu lado um tripé também de metal com uma bacia para a higiene rápida. Nas residências “mais finas” ou dos mais abonados havia um belo lavatório de louça ricamente desenhada e colorida. Ainda havia os filtros de cerâmica, similares aos que os governos entregam nos flagelados da seca na Campanha. O filtro é composto de duas cubas redondas acopladas. Na superior é depositada a água que através de duas velas internas realizavam a filtragem. Os filtros eram higienizados semanalmente, talvez. As velas eram retiradas e escovadas e trocadas quando gastas. Já lavei e escovei muito filtros e velas.

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