Segredos de Alcova! – Edson Olimpio Oliveira – 02 Março 2011

 

03 Março 02 – 2011 – Segredos de Alcova! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Segredos de Alcova!

Aos idólatras do lema – “a propaganda é a alma do negócio”, a atividade amorosa é tão somente um embate carnal de posse e prazer e a catapulta para atingir novas conquistas e tatuar na mente ou no corpo as presas abatidas. Sabe-se também que a fronteira ou a divisa entre o amor e o ódio pode ser tão tênue e nebulosa quanto o humor e conceitos de amantes. E geralmente nesta ordem – amor inicial e ódio feroz e mutilador depois.

– Ele é meio fresco! – acusa em repetidos sussurros entre amigas e familiares para justificar seu abandono ou troca por “outra”. Essa era – ou é – uma prática acusatória de mulher preterida. A expressão facial e meias frases ou frases truncadas desabonam mais.

O homem pouco denegria a antiga parceira seja em respeito aos filhos, fidalguia com o sexo dito frágil ou na agressividade atávica e machista de alguns “pra que chutar cachorro morto”. No último caso geralmente a traição feminina falava mais alto e a macheza não havia “lavado a sua honra no sangue da traidora ou do amante”.

Essas facetas acima pertencem a um tempo mais romântico (?) e de tentativas de relacionamentos mais estáveis e duradouros. Eis que o mundo mudou ou as pessoas com as mentes entupidas de metais pesados e defensivos agrícolas tornaram os relacionamentos transitórios. Tão passageiros quanto as mensagens de internet. Embarca-se no folhetim de alguma novela global e os capítulos seguem um curso sabidamente autolimitado. Há pouca ou quase nenhuma tolerância para o erro-acerto. Tanto a vagina quanto o pênis, por exemplo, não possuem um hodômetro que marque a distância ou leitos percorridos. É facilmente constatável que quanto maior a “quilometragem percorrida em diversos veículos”, menor a tendência ao casal de persistir em seu relacionamento e aprimorar suas qualidades e aceitar seus defeitos.

Para a falange machista essa é uma verdade tangível e intocável. Vamos a uma pequena e verídica estória. Um mestre de obras fazia que os funcionários deixassem os calçados de trabalho em local determinado da construção. Nem sempre adiantava, pois sumiam os pesados calçados frequentemente. Pela manhã, o pessoal ia chegando e calçando as botinas ou botas conforme sua função ou vontade. Para a maioria sequer havia a vontade de encontrar o seu par de calçados diários. Colocava o de mais fácil acesso. Essa era uma das rotinas diárias. Certo dia, uma jovem andava nas imediações da construção e de namoros/ficas com os operários até empoleirados nos andaimes. Já havia “ficado” com alguns deles. Eis que o mestre alertou um jovem peão que se iniciava na profissão: – Calma o pito aí guri, essa daí é que nem botina de obra, qualquer um vem e enfia o pé. Mas não tem dono nem pátria. É de qualquer um e só traz desgraça!

Esses tempos atuais tanto velozes quanto vorazes, jogam as imagens da entrega sexual na internet para gáudio de uns e sofrimento de outros. Amor e ódio? Ou somente ódio e poder. Posse com uso e abuso? E a dignidade? Sentimento e prática ou mero e pútrido substantivo?

 

Carnaval!

[Que eu quero morrer no seu bloco]

[Que eu quero me arder no seu fogo]

A Noite dos Mascarados é para esse cronista uma das mais belas poesias de encantamento do amor de Carnaval. Assim como Quem te viu e quem te vê! Do mesmo Chico de uma época em que o amor e a ideologia incendiavam sua alma e explodia em versos de puro sentimento. Os tempos mudaram e nós mudamos. Tudo mudou? Ou sentimentos primários à criatura humana nos acompanham desde o advento do idílico e fatal Éden?

Somos seres de amor e de guerra. Somos seres de combate e de perdão. Nascemos pela dor e amamos com dor. Evoluímos de bestas sedentas de poder para seres iluminados pelo amor.

[Carolina de seus olhos fundos guardam tanta dor…/ uma estrela caiu …/ eu lhe mostrei sorrindo…/ mil versos cantei para lhe agradar…/ lá fora amor uma rosa morreu…/ eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu…] Mais encantamento e sedução do velho Chico de tantos amores quantos os poemas de seu espírito sedento e faminto de sentimentos eternos enquanto durarem.

Espaço de Encantamento pela Poetisa Lúcia Barcelos.

Novelos…

Glorifico a Deus cada manhã

Em que o sol se ergue

Envolvendo as sombras com seus braços de luz.

Agradeço ao Criador

Por este amor sem medida

E por todas as manifestações de vida!

Glorifico a Deus cada manhã!…

E depois, qual tecelã,

Tramo os fios do universo:

Teço rimas e versos

E descubro que os poemas são,

Simplesmente,

novelos de palavras!

 

Goteira

A chuva cai pesada.

Há sussurros na madrugada

E ruído de chave nas portas

Nas horas mortas.

Há uma canção inteira

Na goteira!

Uma mulher acordada

Conta os pingos da saudade!

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