04 ABRIL 06 – 2011 – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO
Arroio Mendanha!
Neste mundo de tantas coisas mal feitas, inacabadas ou jamais começadas arriscamos a contaminarmo-nos com o vírus da letargia e assim engrossarmos as falanges do acomodamento e da desilusão. Semana passada fui visitar um amigo residente lá onde os caminhos do Cemitério Novo se encontram com a Rua Telmo Pinto de Godoy, anteriormente Rua Pinto Bandeira e mais distante ainda Rua do Mendanha. Diversas crônicas, contos e lendas viamonenses foram por esse autor trazidas ao conhecimento dos caros leitores em minhas páginas de jornal e nos diversos livros e revistas que participei com temas do Mendanha, de suas negras e de suas lavadeiras.
Quem foi Mendanha? Grande parte da minha infância brinquei nas margens daquele falecido arroio e com os filhos das lavadeiras e seguindo o seu curso d’água que passa pelo atual bairro do IPE e desemboca no Lago Tarumã. Quantos ainda sabem disso? Assistia tropas de gado chegando ao Matadouro dos Pintos. Espiávamos alguma carneação. Temerosos, mas curiosos. – E o Mendanha? – impacienta-se o leitor. Pois Mendanha foi o autor da música do Hino Rio-Grandense. Comendador e Maestro Joaquim José Mendanha é seu nome. O autor da letra do hino foi Francisco Pinto da Fontoura. Pois saibam que não há mais Arroio Mendanha ou qualquer denominação que possa ter. Um esgoto sufocado por lixo e macegal e por residências com uma simplória placa anônima solicitando que não coloquem lixo resta ali. Destruir um curso d’água é fatal para a Terra e seus habitantes. E desconhecer a história de onde se vive?
Contei para esse amigo alguns desses detalhes perdidos e vergonhosos para a cidade de Viamão. E assim clareamos outros fatos. Infelizmente uma batalha está travada na cidade para homenagear ao ilustre viamonense Flávio Ribeiro com seu nome em uma rua. É artilharia de todos os calibres e das mais diversas razões. Acredito que o Flávio mereça essa e outras homenagens. Flávio foi durante a vida um cidadão e um guerreiro honesto e valoroso que enfrentou longos anos de cruel enfermidade, jamais abdicando do trabalho e do bom humor e do desejo de uma Viamão melhor para todos. Então por que do conflito? Infelizmente ainda homenageamos mais aos mortos do que aos vivos. A homenagem que seria prestada afetaria os familiares e a história de outro vulto local – alegam alguns contrários. Caminhe-se pelos caminhos do Sim e do Não. Quais seriam alternativas a serem consideradas para dar-lhe essa homenagem de nome de rua? Vejamos – e a rua defronte sua empresa, a Rua Osvaldo Aranha? É um vulto histórico, mas têm remanescentes ou vínculos com a cidade? Vejam que trocaram nomes de ruas no centro da cidade como citei antes sobre o Mendanha. A Rua General Osório (central) virou Rua Julieta César; a Rua Beco do Cascudo virou Fernando Vieira. Lembram-se de outras? Outros ilustres viamonenses foram gravados como Rua e Travessa – Alcebíades dos Santos, uma duplicidade por exemplo. O que fazer?
O importante é cancelar os conflitos, principalmente quando os homenageados foram e são de paz. Devemos evitar propostas sumárias e sim pesquisar e conscientizar aos interessados se as mudanças são amplamente aceitas e benéficas. A Cautela e a Previdência são amigas do Respeito, da Gratidão e do Amor!
Despedidas.
Se entrares, ó meu anjo, alguma vez
Na solidão onde eu sonhava em ti,
Ah! vota uma saudade aos belos dias
Que a teus joelhos pálido vivi!
Adeus, minh’alma, adeus! eu vou chorando…
Sinto o peito doer na despedida…
Sem ti o mundo é um deserto escuro
E tu és minha vida…
Só por teus olhos eu viver podia
E por teu coração amar e crer…
Em teus braços minh’alma unir à tua
E em teu seio morrer!
Mas se o fado me afasta da ventura,
Levo no coração a tua imagem…
De noite mandar-te-ei os meus suspiros
No murmúrio da aragem!
Quando a noite vier saudosa e pura,
Contempla a estrela do pastor nos céus,
Quando a ela eu volver o olhar em pranto…
Verei os olhos teus!
Mas antes de partir, antes que a vida,
Se afogue numa lágrima de dor,
Consente que em teus lábios num só beijo
Eu suspire de amor!
Sonhei muito! sonhei noites ardentes
Tua boca beijar… eu o primeiro!
A ventura negou-me… mesmo até
O beijo derradeiro!
Só contigo eu podia ser ditoso,
Em teus olhos sentir os lábios meus!
Eu morro de ciúme e de saudade…
Adeus, meu anjo, adeus!
Poema de “Álvares de Azevedo – o maior poeta romântico nacional”, do livro homônimo editado por Benedito Saldanha com lançamento no próximo 12 de Abril no Centro Cultural CEEE, Rua dos Andradas 1223.