As Pedreiras de Viamão e os Calceteiros!– Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

03 Março 16 – 2011 – As Pedreiras de Viamão! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

As Pedreiras de Viamão e os calceteiros!

 

– Muitas criaturas olham e não veem. Outros tocam e não sentem. (T.J.)

 

As pedreiras eram inúmeras desde o Fiúza até Itapuã. Granitos de vários matizes, como tons de rosa e nuances de azul, e durezas diversas. Nossos espíritos primitivos desconheciam a degradação ambiental. Os cortadores de pedras com extrema habilidade tiravam blocos simples e duplos para alicerces de construções, moirões para alambrado e parreiras, cordões e cubos para pavimentação de ruas. Já enviamos nosso granito inclusive para a Itália. Observem como várias ruas são pavimentadas com esses cubos de granito. Os colocadores foram os calceteiros, como o saudoso hispano-brasileiro Manoel “Galego” Sueiro, pai do Dario e do Nonito – histórico do CTG Armada Grande. Depois do piso argiloso aqui do centro ser nivelado, colocavam os cordões em perfeito alinhamento, marcando os lados direito e esquerdo. Depois vinham os caminhões com carrocerias de madeira e carregados e descarregados à mão com areia de rio. Aquela turma de homens no olho do sol ou no alívio das chuvas colocavam os paralelepípedos alinhados ou até marcando o centro da rua com uma faixa diferente. Rejuntados com areia e com “água de cimento” nas sarjetas de muito fluxo de chuva. Grossos canos de cimento do Renner captavam as águas nas bocas de lobo. Tudo isso é de um encantamento e respeito aos guris que se acercavam dos trabalhadores.

 

Bebiam água com limão e como chupavam e comiam laranjas! Melancias tinham suas épocas nesses canteiros vigiados pelo capataz da turma. Um trago da azulzinha da faxina e o dorso da mão e o braço empoeirado nos “beiços secos”. Quatro varas de taquara e uma lonita em toldo para alguma sombra fugaz. A comida vinha enrolada num pano com as pontas em cruz – talvez inconscientemente para abençoar a boia. Farofa de carne de panela, mais salgada ainda pelo insistente suor gotejante das faces de escassos dentes. De cócoras, na batida seca da marreta coloca a pedra e com seu cabo ou uma colher de pedreiro, arrumando a cova na areia para acomodar o bloco.

 

Como escasseassem hábeis cortadores de pedra, os preços dos melhores blocos encareciam. E como a sobra e os restos da pedreira precisavam um destino útil e econômico, surgiu a pavimentação das ruas com pedras irregulares. Baixo custo e mão de obra menos qualificada estava mais disponível, logo qualidade inferior. Muitas cidades conservam seus pavimentos de paralelepípedos sem cobertura asfáltica – o que facilita a filtragem das águas no solo, entre outras vantagens ecológicas – com perfeita manutenção.

 

Quando vemos as destruírem e não reconstruírem com esmero esse patrimônio que é histórico, causa-nos profunda dor. Classificam o centro da cidade de Centro Histórico apenas para exigir dos moradores manter casarios desabando em absoluta obsolescência sem condições econômicas de manter a tapera que na imensa maioria das vezes nada tem de histórica.

 

Quem conheceu a tradicional Igreja e a vê agora, o que sente? O mesmo entendimento aos índios e quilombolas também deveria respeitar o trabalho e o sangue dos trabalhadores e a qualidade do seu legado nos pavimentos das ruas? E aí José? E aí Maria?

 

Via Ápia ou Regina Viarum!

 

A Rainha das Estradas é uma dessas construções emblemáticas da humanidade. Mais de três séculos antes de Cristo, escravos construíram essa estrada de mais de 300 km iniciais com blocos de pedra. Diversas dessas estradas pavimentadas encontram-se em perfeito estado de conservação tanto na Itália como por todo o antigo Império Romano. Inclusive em Portugal. Milhares de anos de admiração e respeito. Daí a conservação do chamado “patrimônio histórico”.

 

Lembram-se de um antigo provérbio – “todos os caminhos levam a Roma!”? A qualidade e a conservação das estradas eram vitais para o rápido deslocamento das tropas militares, das pessoas, do comércio, enfim… A vida flui por artérias e veias em bom estado e cuidado, daí a humanidade lutar contra o colesterol e outras gorduras. Alguém consegue imaginar o mesmo respeito que teria algo assim em nossas vilipendiadas ruas?

 

E por falar de AMOR…   – por João de Souza Machado

 


Tudo está calmo, os ventos já não bramem

e o ontem passou rugindo em tempestades!

Já se acalmaram as abelhas nos enxames

e não há presságios de calamidades.

 

Por ora se acalmaram os Elementos,

antes agitados por forças soberanas.

Foram sentando no fundo, os sedimentos

das naturais imperfeições humanas.

 

Então a Sabedoria chegou perto,

mostrou que nenhum dos dois estava certo,

que era tudo capricho aquele horror!

 

E mandou todo mundo pensar sério!…

Pois pode ruir até um império

quando não fala mais alto a voz do amor.


 

E por falar de AMOR… – por Lúcia Barcelos

 


Não creio ser o amor uma magia,

apesar de crê-lo inspiração divina

soprada ao coração feito poesia!

 

Creio, sim, ser o amor uma graça

Poderosa, Divinal, orbitando no Universo,

que nos é dada como uma canção ou um verso.

 

Porém, como tudo no cosmo é movimento,

O amor merece cuidados, zelo e ternura.

Se não cuidarmos do amor com devotamento

Vai adoecendo, adoecendo, até não ter mais cura!

 

Creio no amor, sim, e até na sua imortalidade,

Desde que cuidado como a um presente dado,

Não é justo ao amor expô-lo à tempestade

Deixá-lo à deriva de um devastador tornado.

 

Amor e conflito não fazem uma combinação boa!

Amor é da alma, e não da ordem material.

Não acho justo ao amor, ser interpelado à toa

por elementos à parte da dimensão espiritual.

 

O amor deve sempre ter prioridade e voz,

jamais ser submetido à  impulsividade.

A impetuosidade ataca como um algoz,

Podendo desferir no amor, um golpe até mortal!


 

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