“Border Line”–No Limite!– Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

03 Março 23 – 2011 – Border Line – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

 

“Border Line” – no Limite!

Alguém está espantado com o novo escândalo dos pardais, caetanos, controladores de velocidade e outros multadores de plantão? Certamente, a maioria dos (e)leitores atentos deve estar vendo a confirmação de algo sempre suspeitado. Temos a tendência de justificar qualquer coisa vendo o lado da “educação e da necessidade”. No caso dos multadores, precisam-se coibir os abusos dos motoristas que se excedem em velocidades perigosas e do uso do dinheiro das multas para educar os motoristas e demais cidadãos sobre obrigações e riscos do trânsito. Isso em tese!

Eis que os multadores espraiam-se de forma alarmante. Observem que existem ou são colocados em lugares absolutamente desnecessários e ausentes onde deveriam estar. Exemplos? São extravagantes e desnecessários neste trecho da RS 118 entre Viamão e Gravataí onde uma estrada de pista horrível com pavimento absolutamente destruído e sem reparação adequada, sem escolas, comunidades ou outros aglomerados de risco – existem dois pardais multadores. Já na RS 040 na saída/entrada de Viamão há vilas como a Bragança, Fiuza e Valença que os moradores ficam entregues aos anjos de guarda na velocidade perigosa de carros e carretas. Ainda nos cruzamentos assassinos da RS 040 com RS 118 e RS 118 e Bento Gonçalves e José Garibaldi, aqui no perímetro central que entram e saem governos e os desastres se repetem insanamente.

Eis que o repórter Giovanni Grisotti da RBS escancara ao Brasil essa roubalheira desenfreada no Fantástico. As próprias empresas dizem onde devem ter os multadores e fazem os contratos ao seu bel prazer e conivência criminosa de autoridades públicas (sic). Simulam concorrências e levam a parte do leão (60 a 85%) das multas. E é tudo legal – ironia! Os aparelhos pertencem às empresas e elas gerenciam seu funcionamento e lucro. E evidente que tem de lucrar – a nossa custa, ironia caro (e)leitor.

A mídia simplória extasia-se quando algum alucinado é autuado ou flagrado a 120 km/h, por exemplo. Mas quantos milhares são autuados com fotografia e tudo trafegando a 68 km/h quando o limite é de 60 km/h? Pouco acima da margem de tolerância? Conheço diversas pessoas que foram assim multados. Inclusive o autuado – vítima no caso de fraude! – ainda lamenta-se de: – Pô foi tão pouco a mais! O cidadão até acha que realmente estava ou poderia estar levemente acima da velocidade permitida quando na verdade o aparelho está calibrado para… Multar! E multar! Com foto e tudo. E desconhece-se ou são raríssimos os casos que o cidadão recorre à autoridade responsável e obtém algum sucesso.

Qual a similaridade entre a multa de trânsito e a CPMF?

Quando pouco se pode fazer, o humor ainda é uma saída honrosa e menos dolorosa. Seriam as duas umas excrecências? Seriam abusos e roubalheiras? Seriam males necessários? Seriam duas formas de fazer de bobos os cidadãos alegando fins nobres e servindo apenas para enriquecimento ilícito de muitos? Que outras alternativas teríamos quando os meios não estão justificando os fins?

 

 

Espaço de Encantamento!

A poetisa Lúcia Barcelos, tão frequente nos espaços deste editor, receberá logo-logo um espaço pessoal no Jornal Opinião de Viamão.

Exílio

Sempre vou, enquanto fico…

Iludidas retinas que aqui contemplam minha ausência,

meu exílio é nas estrelas.

Mas sempre regresso,

porque não me sacia

o líquido duvidoso da palavra fria:

minha pátria é a poesia!

Por Lúcia Barcelos – Poetisa

 

Goiabas!

É tempo de goiabas! Esqueça a bela e lustrosa goiaba dos potentes mercados. Acredite que ainda existem goiabeiras na selva de tijolos e asfalto esburacado. Ainda existem as goiabeiras semissilvestres em restos de matos sobreviventes. Verdade! Ainda existem nos sítios e em até em terrenos baldios. Você já saiu para apanhar e comer essas goiabas? Você já sentiu o perfume debaixo dos galhos de uma goiabeira de frutos maduros? E de olhos fechados inspirando profundamente?

Experimente! Houve uma época distante de um mundo inacreditável que se disputavam as goiabas com os sabiás, saíras e outros pássaros e apanhavam-se goiabas colocando-as nos bolsos e numa bolsa feita com a camisa ou o casaco. Esfregava-se a goiaba na roupa para limpá-la e comia-se com gana. – E os bichinhos? – resolve alguém interrogar. Dizíamos: – O que não mata, engorda!

E colhíamos goiabas para nossas mães fazerem chimias, geleias da polpa e goiabadas em caixinhas de madeira. Pão com queijo e goiabada estava na merenda que eu comia no recreio do Grupo Escolar Setembrina, sentado numa pedra sob o abraço de uma árvore. Minha mãe era campeona nos doces de goiaba – goiaba em calda, lembrei-me – e fazia-os retirando todas as sementes.

 

Cáqui!

Muitos comem frutas, outros amam as frutas. Estou neste segundo grupo. Acredito que em outra encarnação, ou ainda nesta, deveria fazer fotossíntese. Os cáquis ou caquis da minha infância tinham uma trava na boca ao comê-los. Mesmo assim me deliciava com os chocolates e principalmente com aqueles alaranjados, maduríssimos, escorrendo entre os dedos e pelos braços. Dulcíssimos! Lamber os dedos quando nada poderia perder-se. E depois de uma pelada ali na pracinha da descida do cemitério velho? Ou na casa da tia Dolvira ali nas franjas do estádio do Tamoio?

 

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