Caminhos da Páscoa! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

04 ABRIL 20 – 2011 – Caminhos da Páscoa! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião de Viamão

Caminhos da Páscoa!

Por mais que a parcela espiritualizada da humanidade busque a reflexão e o aprofundamento dos melhores sentimentos nos ensinamentos da cristandade, um mundo agressivo e voraz envolve os demais na ansiedade do consumo, na compulsão do ter mais e melhor e mais novo. Nossos sentimentos em muito manipulados pelos governantes e pelos formadores de opinião são sempre emulsionados pelas ondas do momento. Qual momento? Qualquer momento! Geralmente associado a alguma desgraça de proporções contundentes – inundações, terremotos, maremotos, guerras, assassinatos em massa e tantos outros.

Para muitos de nós os caminhos da Páscoa se confundem com os caminhos do feriadão em busca de repouso e novas alegrias em alguma paragem distante do local de trabalho e da toca doméstica. Muitos não estarão aqui no reinício pós Tiradentes e Páscoa. Infelizmente serão chacinados nos caminhos fatídicos do lazer. E logo serão absolutamente esquecidos até pela maioria dos que os “amavam”. – O mundo continua! – dirão muitos. – O espetáculo continua! – grita ao microfone o capitão do picadeiro circense. Seria essa uma analogia equivalente e possível para vermos nossas vidas e nossas existências como grandes picadeiros deste imenso circo que é o mundo?

Talvez aqui esteja uma singular diferença entre o feriado do Coelho e o feriado do Noel. O Noel é humano – dizem. O Noel é um cara muito vivido e tem um enorme saco para encher e esvaziar com as encomendas crescentes dos pedinchões. E tem uma paciência de Jó para suportar pais e avós e criançada o tempo todo no colo e no ensardinhamento dos shoppings. O gordo parece ter essa disposição de ver o mundo com outras cores. O cara é tão legal que apesar de vestir-se de vermelho é aceito por gremistas e outras torcidas. São muitos os prós-Noel. E o Coelho? Seria uma mutação, talvez transgênico de alguma multinacional imperialista. – Se coelho é mamífero, donde se viu um macho e mamífero botando ovo e sentado num ninhozinho? – indaga um amigo perspicaz. Mas o Coelho deve receber proteção do IBAMA ou de alguma lei de cotas. Logo não dá para muitas confianças e reflexões, daí que é muita gandaia no feriadão de Páscoa. Como sou um bocado antigo, não tanto quanto o Noel, convivi e vivi muitos retiros em tempo de Páscoa.

Retiros! Lembra-se do Retiro de Páscoa? Na minha cristandade católica fazíamos um dia para as crianças e três dias para os adultos de retiro. Ou seja, afastamento da vida mundana, que seria a vida comum dos humanos, com períodos intercalados por palestras de padres, penitências, e literalmente tentava-se lavar a alma dos pecados. Tentava-se o afastamento, mesmo que transitório daquilo aceito como pecaminoso. Semana Santa sem álcool e sem sexo. Com roupas discretas e muita oração. As rádios tocavam músicas clássicas ou barrocas. Filas enormes nos confessionários das Igrejas. A alforria dos pecados significava também licença para matar. Como um 007! Durante os cultos e nos incultos também a fera humana continuava cobiçando a mulher do próximo e do distante, e a esmola ia para alguma caderneta de poupança lá no Céu. Sabe-se que até vendiam lugares no Céu e ainda vendem no Paraíso. Apesar dessas tortuosidades, a alma de muitos se perfumava e clareava com o poder das orações individuais e da coletividade. Sentia-se um ganho geral após esse período de isolamento e reflexão. Muitos somos primitivos em vários aspectos e estamos numa época de transição da humanidade. Aproveitemos a Páscoa com oração e amor! Já é muita coisa.

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