O Silêncio! – Edson Olimpio Oliveira– Jornal Opinião

 

04 ABRIL 13 – 2011 – O Silêncio! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O Silêncio!

Aperceba-se do que está ecoando em seus ouvidos agora. Quais os sons que você identifica? Está difícil? Experimente fazer uma lista, tome uma caneta e escreva os sons que estão penetrando ou invadindo seu corpo. Concentre-se! Faça esse exercício algumas outras vezes em horários e locais diferentes. – O que vou ganhar com isso? – perguntou-me alguém. Num mundo de ganhos e perdas é natural que as pessoas mirem em lucros e fujam de perdas e tenham dificuldades em sentir que os ganhos podem ser até imperceptíveis. Ou que as perdas nos conduzem a um universo com maior qualidade de vida. Entendam que silêncio nem sempre é ausência absoluta de sons.

O homem – e a mulher – ditos civilizados preferem os aglomerados de ruídos e barulhos aos sons da vida, do seu corpo, da natureza… Os sons do silêncio! O silêncio fala ao espírito. O silêncio toca à alma. Nas filosofias orientais somente ocorre elevação pessoal e espiritual no culto ao silêncio, com a consequente meditação. Nos ensinamentos bíblicos, Jesus foi ao cume da montanha para orar e meditar, talvez o cume da montanha traga mais silêncio que a vastidão do deserto… Ou também signifique que a analogia de subir a montanha e da proximidade dos céus, aproxime da Verdade e da Luz. São incontáveis os ensinamentos dessa passagem de Cristo.

O homem fala mais e a mulher fala menos? Um faz mais ruído ou emite mais sons que o outro? No humano ancestral, os lampejos da inteligência apontavam que o homem sendo o caçador da família ou do clã, por seus dotes orgânicos de testosterona, manteria silêncio e o mínimo de sons para caçar com maior habilidade e não ser caçado pelos predadores. A fêmea humana, ficando na caverna ou nos agrupamentos, cuidando da prole e trabalhando, tagarelava permanentemente em soberba gritaria e fazia o maior número de ruídos para afugentar as feras. Esses traços ainda hoje se manifestam nas populações indígenas e nos humanos das cidades. Sabe-se de casamentos que terminaram por mulheres falando demais ou homens falando de menos. Homens ainda gostam de pescarias, esporte de muito silêncio, e mulheres preferem o burburinho dos shoppings centers.

Aceitam um pouco de bom humor? Observem um comercial da Sky com a Gisele Bündchen. O cara está casado com a mulher-modelo mais desejada do planeta – há controvérsias, claro! – e por mais que ela faça ele tem a sua fixação no controle remoto e na TV. Independente do simbolismo fálico do controle remoto aos freudianos, o homem do comercial gosta de mulher, controle remoto e TV. Não necessariamente nesta ordem. Talvez falte a cerveja que sempre se associa com a mulher também. Na TV ele volta a ser o caçador, ter seus alvos, mirar neles depois de selecioná-los com o controle remoto. Que também regula o som. O som! Ele só vai escutar o que quer e quando quer. Até vai se sentir no grupo de caça assistindo um jogo de futebol, por exemplo. E cerveja, como diz um amigo, “é como mulher engarrafada que se toma com tesão”.

Quantas analogias quando se conhecem as origens! Ao início, o exercício do silêncio ou do som comedido e controlado aperfeiçoa a alma e respeita a vida.

 

 

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