Verdureiros de Rua!– Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião

 

03 Março 09 – 2011 – Vendedores de Rua! – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Verdureiros de Rua!

Nostalgia significa saudade, ou intrinsecamente pode ser compreendida como dor. Como ensina o Filósofo do Apocalipse, o mui famoso e lendário T. Jordans, “pelo desdobre da palavra vemos de algia vem do grego e significa dor, lembra precordialgia, odontalgia, mialgia e outros e nost, é nossa. Daí nossa dor!” Para prurido e dor de cotovelo dos eruditos, novamente o Filósofo está correto. Imagine-se ou coloque-se no centro da área de frutas, legumes e similares de um mercado do padrão Bourbon. É de ajoelhar-se e agradecer aos deuses do capitalismo e da democracia real estar num paraíso ao alcance dos olhos, dos narizes e até da degustação. Imagino que o Jardim do Éden com que o Criador agraciou seus filhos diletos, Eva e Adão, seria melhor porque tudo estava assim à disposição e sem precisar pagar nada nem ao Criador, nem aos seus fiscais.

Na minha longínqua infância na Viamão de ruas de terra com alguma poeira que lufadas de vento poderiam erguer na época do Minuano ou do vento Norte de Finados, mas sem essa buraqueira infernal e destruidora de carros e dentes que se tornaram nossas ruas, havia vendedores de verduras e legumes em latas e baldes. Muitas casas tinham as suas hortas de fundo de quintal e adubadas com o esterco das galinhas depois de bem curtido. O pessoal aqui do centro comprava desses vendedores, a maioria mulatos ou negros da banda do arroio Mendanha. Eram alface e couve, beterraba e cenoura, agrião (“cuidado, lava bem o agrião que ele é colhido dos valos muito sujos” – advertiam os pais) e salsinha com molhos de cebolinha. O verde era verde e o amarelo era amarelo ao natural e com escrúpulos, jamais entupidos de venenos ou aditivos.

Logo surgiram os primeiros carros de mão com os vegetais adequadamente distribuídos e alguns levavam uma garrafa com água para ir molhando pelo caminho. Aquele orvalho forçado trazia jeito de “me leva e paga logo o homem”. Mas o homem também tinha um caderninho ou a cabeça com discutível memória, mas gigantesca confiança na dignidade dos compradores ou amigos consumidores. Todos conheciam todos e isso sempre facilita saber onde está a toca da cobra. Velhaco era defeito grave. Também isso mudou e calote virou defesa, ideologia e governabilidade.

Limão era galego ou bergamota. Cada qual com seus apreciadores e fins específicos. “Limão bergamota na cachaça é coisa de fresco” – alertava um tio. Já limão galego era mais eclético, pois passeava do vinho com açúcar ao tempero diverso. “Cenoura é a melhor coisa que tem pros olhos” – alertava uma tia diante de nós boquiabertos pela sua sabedoria. E continuava solenemente: – “Vocês nunca viram um coelhos de óculos!” – sacudíamos a cabeça em consentimento. Custou cair a ficha!

A minhoca eventualmente enrolada nas raízes servia para pescar lambari no Fiúza. Não tardou para que carroceiros ganhassem mais rapidez e espaço nas vendas dos singelos vendedores a pé. O cabo do relho batendo na madeira da carroça e o grito – “Verdureiro! Olha a verdura aí! É fresquinha!” As donas de casa, em bando, atacavam as melhores “verduras”. Quantas com os dinheiros amassados em rolo e enterrados entre os seios ou “dentro dos corpinhos”. Até os seios eram mais seios, não que a magia do silicone deixe de nos fazer salivar e estralar os olhos e… Isso é assunto para outra sessão nostalgia!

 

Soneto

Por João de Souza Machado

 


Tento escrever-te alguma cousa,

mas nada sai que valha a tinta.

É um impulso que confessar não ousa,

esta minha saudade tão faminta.

 

Faminta de comer tudo o que dizes,

e beber a luz que juntos produzimos

em nossos enlevos de amor. Felizes

os que sentem o que sentimos.

 

Seguimos juntos pela mesma estrada,

vivendo o sonho nessa caminhada,

onde o amor nos toma por inteiro.

 

Talvez como nós, outros caminhantes

nos acenem de páramos distantes,

onde cintila o Belo, o Justo, o Verdadeiro.


 

Sabor dos poemas

                              Por Lúcia Barcelos

 

Neste tempo em que o tempo não espera,

Trago a alma ocupada por canções e poesia!

Sem erguer a voz, apenas coração e pensamento,

Experimento o gosto forte do silêncio.

Neste tempo sem medida e sem fronteiras,

Com a alma banhada em luz,

Acolho as horas cansadas das viagens.

Durante as auroras brancas,

Cato palavras!

Aguardo o acordar do céu, do rio, da flor…

E então brotam poemas coloridos e de estranho sabor!

 

Sarney! – O poder acima do poder.

 

Eis que as quedas de governos e ditaduras que se “eternizaram” no poder estão varrendo o norte africano e tremendo o Oriente Médio. As barbas dos irmãos Castro devem estar de molho nas tépidas águas do Caribe. Mas poucos de nós se apercebem que um brasileiro exerce um domínio tanto visível quanto sutil por mais de cinco décadas. Jamais outro brasileiro exerceu tamanho poder por tanto tempo nesta terra chamada de Brasil por uns e Cabrália por outros. José Sarney é o Cara! Esse sim é o Cara. Desde a década de 50 transita com desenvoltura e poder por todos os governos com ou sem ditadura. Até a Academia Brasileira de Letras foi tomada pelos Marimbondos de Fogo que rejeitaram notáveis escritores. Os caminhos do destino levaram-no à Presidência e ninguém governa sem a sua anuência. Outro dia alguém afirmou: – Lula existiu porque Sarney permitiu! Qual a sua opinião?

 

Sagu! – Alguém não gosta!

 

Existe algum doce mais frequente em qualquer festa e buffet de restaurante que o sagu? Há várias modalidades como o sagu de laranja e o sagu de leite, mas nenhum compete com o sagu de vinho com cobertura cremosa ou em molho de baunilha. Ops! Alguém se lembrou da ambrosia? – Deuses da gula salvem-nos da tentação! Conheço amigos de colocam a mão espalmada ante os olhos ou desviam a face evitando olhar a mesa de doces, pois a salivação e o desejo dificultam-nos apreciar os pratos salgados. A criança que persiste em cada um de nós agiganta-se.

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