05 MAIO 25 – 2011 – A MOSCA AZUL! – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO
A Mosca Azul!
– Vamos por partes! – como preconizava Jack. Nestes tempos turbulentos de Colorado Campeão novamente e Grêmio segundo-último, há quem pense que o título refira-se a algo relativo ao tricolor da Azenha-Humaitá. Nada disso. Mosca Azul usava-se numa época em que o desconfiômetro estava ativado. A criatura estava com as sombras da dúvida tisnando sua vida e assombrando seu sono. A desconfiança é como um punhal cravado na criatura. Algumas vezes enterrado até o cabo!
– Que tipo de desconfiança? – argui-me o (e)leitor dessa portentosa crônica. Qualquer desconfiança. Quem tem semancol apercebe-se de que algo não está correto dentro dos seus conceitos. Desconfiança sempre está relacionada à traição. Qualquer perfídia. Principalmente às amorosas. A primeira traição diz-se ter sido da Eva que sucumbiu aos encantos da cobra e detonou com a vidinha do Adão. Eis que buscando o porquê de mosca azul os caminhos se cruzaram com a mosca-varejeira. – A mosca vem e bota o bicho na pessoa ou no animal, daí é que dá a bicheira ou o berne! – a sabedoria popular em suas singelas analogias e associações apercebe-se de que a mosca azul ronda as criaturas e deposita seu ovo ou seu filho – a dúvida – em alguma ferida ou até na pele sã. Aparentemente.
A mosca azul também ronda as cabeças. E em certas cabeças, em bovinos, por exemplo, estão os chifres. Ops! Aí está a mosca azul nos chifres. O macho tem dois medos mórbidos, dois pavores ancestrais – a impotência e a traição sexual Vejam outra pérola da sabedoria popular: – O brinquedo da mulher é abrir o salão e deixar dançar, mas o brinquedo do homem se não tiver de pé ele não dança no salão dela! Assim como o anticoncepcional foi a alforria das mulheres, pois a gravidez indesejada era um grande temor, os medicamentos para disfunção erétil – os viagras da vida! – foram as vacinas do macho ante o possível fracasso ou o mau desempenho amoroso. Eis que os embates no tatame dos lençóis perderam as fronteiras definitivas do casamento e do anelamento digital e salvem-se quem puder! Ou seria melhor – agarrem-se como puder!
A bola nas costas ou o engalhamento córneo da cabeça das criaturas ainda trazem o fantasma eterno da mosca azul. Os casamentos sem prazo de validade ou as uniões absolutamente liberais carregam em seus bojos a semente consentida ou não da mosca azul. Pois a liberdade ou a liberalidade dos impulsos primários da sexualidade tomaram os caminhos e os descaminhos da promiscuidade e como genitália não tem hodômetro (T. Jordans – o Filósofo do Apocalipse) somente a confiança afasta a mosca azul do sofrimento.
– Qual o remédio para a mosca azul? Há alguma vacina? – Os espiritualizados responderiam de pronto – evolução, iluminação, amor! Como temos imensas dificuldades em amar-nos, teremos abissais dificuldades em sermos amados. Absolutamente. Aperceber-se e buscar o entendimento de si para então viver integralmente. A separação ou o afastamento sempre nos atormenta. – No início era o UNO depois veio a grande separação, mas evoluiremos para o entendimento de que somos somente um! – sabedoria apócrifa.