O Dia de cada Um! – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 04 Maio 2011

 

05 MAIO 04 – 2011 – O DIA DE CADA UM! – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO

O Dia de cada Um!

Lutar pela vida e buscar algum entendimento pelas agruras da morte não nos torna melhores ou piores do que ninguém, no entanto leva-nos a tentar um caminho de compreensão destes fenômenos comuns e inevitáveis na existência dos seres humanos. Para muitos há um fatalismo associado a que trazemos uma existência escrita num grande livro. Ali neste livro estariam todos os caminhos e descaminhos desta rápida existência. Assim há uma aceitação de que seríamos como marionetes das divindades. Essa cultura ou essa filosofia acompanha a humanidade desde tempos imemoriais e durante a civilização grega, especialmente, criou as principais bases dos nossos povos atuais e ocidentais.

No entanto, a parcela da humanidade que entende que somos senhores de nossos caminhos e autores da novela ou da epopeia vivida é muito significativa. Assim fazemos a nossa escrita própria e dela pagaremos os impostos por nossos erros e receberemos as restituições benéficas por nossos acertos. Qual a corrente ou quais as facções certas ou erradas? Ou há um misto ou um entrelaçamento como as espirais de nosso DNA e dependendo de infinitas possibilidades, tantas quanto as estrelas do firmamento? Quando alguém acusa: – Levantei de pé esquerdo hoje! – significa que está dando errado aquele dia. Afora essa conotação de que esquerda é ruim, pela ideologia ou pela religião (haveria muçulmanos, por exemplo, que jamais comem com a mão esquerda por ser a mão impura) ou até pela cultura secular que hoje está esvaziada em nosso meio de dificultar canhotos entre destros. Essa pessoa poderia estender o raciocínio? Como?

 

Ainda bem que acordei! – Ainda bem que tenho um pé esquerdo! – Ainda bem que tenho pés! – Que não soe como uma ironia simplesmente ou uma tirada humorística. Tendemos a pouco valorizar tantas coisas que parecem aos desatentos simples frugalidades. Eis agora a parcela da humanidade que toma consciência da igualdade dos desiguais. Em centenas ou milhares de séculos que o homem habita esse planeta, no entanto o valor das crianças comuns e de qualquer sexo tem menos de um século. Hoje, em muitos lares e em muitas regiões as crianças ainda são seres descartáveis e cargas inaceitáveis. Estranhas? Pois o infanticídio é prática normal de certas populações. Afora toda a sorte de violências e aberrações contra as crianças que assistimos horrorizados.

– Deu azar! – Chegou o dia dele! – Não era bem o dia dele, mas era o dia do motorista ou do piloto e aí… – Quando tá na hora, ninguém escapa! – Quando a Morte bater na tua porta, não adianta mandar para a porta do vizinho! – Quando chega a hora H não adianta fugir ou esconder-se! – Incontáveis outras colocações se poderia arrolar. Precisamos ou necessitamos de algo que nos alivie. Buscamos um bálsamo para as dores do inevitável de almeida. O homem criou escolas e terapias para ensiná-lo a enfrentar o inevitável. Poliu e aperfeiçoou as filosofias e religiões para que as trevas dos sofrimentos e das dores lancinantes do afastamento e da perda sejam tornadas um colo materno de conforto e proteção. O mesmo cérebro que domina o átomo sucumbe ao coração e afoga-se no dilúvio das lágrimas. A metamorfose da Dor e da brutal sensação de abandono que acomete nossa singela humanidade na verdade é a mais poderosa alavanca para abrir os portais ou as pesadas portas da Luz e do Amor!

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