06 JUNHO 15 – 2011 – “MEUS PAIS NÃO ME AMAM!” – EDSON OLIMPIO OLIVEIRA – CRÔNICAS & AGUDAS – JORNAL OPINIÃO
“Meus pais não me amam!”
Conhecem alguém com essa queixa? Essa é uma lamentação muito comum em qualquer consultório e certamente aos ouvidos de muitos religiosos. Não há que desconsiderar o fato de ser verdadeiro esse sentimento em muitos casos. No entanto, creio que a maioria das vezes há uma deformidade na percepção do queixoso. Num mundo que confundiu liberdade com liberalidade; que transformou responsabilidades numa carta de uma única face atribuindo a apenas um dos lados a soma dos compromissos; que a palavra Não, a advertência ou a palmada educadora virou crime na ideação de travestidos pedagogos, há de criar-se uma cultura ou um caldo de cultura de condutas sombrias e atitudes desnorteadas.
Amar e estabelecer limites é amar intensamente. Limites são feixes de luz nos caminhos dos seres amados. Quando crianças, elas dependem intensamente dos pais ou dos cuidadores. Quando adultos, eles dependem de suas próprias vontades e decisões e devem parar de atribuir suas dificuldades ou descaminhos aos outros. – Jamais copiem os governantes! – dizia uma professora. – Ou se perverterão na vala comum de “que eu faço porque todos assim fazem”! – completa.
É comum os pais insistirem até na superproteção aos desvarios de seus rebentos e mirarem na meta: – Quero que eles tenham o que eu não tive! Quero que eles não passem pelo que passei! – arrebatam-se. Estoicamente vários. Infelizmente (?) cada um tem sua cruz e sua estrada. Vejam algumas inquisições: – Quando precisou de alimento, alguém providenciou que o tiveste? Foste alimentado com boa vontade e carinho? Cuidaram para teres uma cama quente e protegida? Velaram pelo teu sono? Foste amparado na doença? Quando acordavas no hospital, quem estava ao teu lado? Lutaram para te oferecer escola, livros e ajuda na tua educação? Havia proteção e segurança nas tuas idas e vindas? Lembra quem estava contigo nos Natais e Páscoas ou nos teus aniversários? Vocês, caro leitor e leitora, aumentarão essa lista consideravelmente. Até poderá fazer uma analogia com os governos de sua cidade, Estado ou país. A sabedoria popular usa – casa, comida e roupa lavada!
Talvez a maioria dos filhos tenha somente alguns fragmentos das demonstrações efetivas fora de palanque dos seus pais e familiares. Mas infelizmente, muitos que mais têm ou que muito tiveram são expostos à virulência queixosa do filho sofredor e mal amado. Erroneamente em importante parcela dos casos que conheço. Se a criatura não está se dando bem – como seria de esperar e supor-se – deve amar-se primeiro. Acrescenta-se disciplina e respeito. Muito a si mesmo! Recebeu as ferramentas necessárias para vencer ou tornar-se mais apto na selva humana, por que assim não o fez? Talvez estivesse perdendo tempo, saliva e dinheiro na autocomiseração.
Educação. Em casa e na escola. Formação. Em casa e na escola. A ordem hierárquica é exatamente essa – casa e escola. Estás satisfeito com a tua casa? E com a escola dos teus filhos? Que filhos deixarás para tua família e para a humanidade? Filhos de hoje ou pais e avós de amanhã?
O tema é amplo e apaixonante, pois lidamos com o maior patrimônio da humanidade – gente. Nossa gente. Nossa amada gente. Nossos pais e nossos filhos.
IMPORTANTE: Crônicas anteriores em https://edsonolimpio.wordpress.com