Orgia Gastronômica – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 1 6 Novembro 2011 e Poemas de Lúcia Barcelos

11 NOVEMBRO 16 – 2011 – ORGIA GASTRONÔMICA – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Orgia Gastronômica

− Ediiinho! Sei que vais ficar abalado com o que eu fiz, mas cara tenho que te contar. – assim fui interceptado na calçada do Chico Barbeiro.

Continuou: − Sabe aquele exame que me mandaste fazer ali perto do Hospital Mãe de Deus? Pois é cara, fiquei em jejum desde as 7 da matina e o exame marcado pras 3 da tarde. Como tudo atrasa, começaram umas 4 horas. Tava roxo de fome. Quase desmaiando. Ainda que fizeram um soro na veia com um remédio que me esquentou os canos braço acima até a cabeça. Um horror. E…

− Então desmaiaste?

− Que nada cara, segurei a bronca e matei no osso do peito. Mas pra te encurtar o papo que deve ter gente te esperando no consultório, saí dali desatinado pra comer alguma coisa. Nessa hora lembrei dos trailer de lanches ali no Beira Rio, do lado do Gigante lembra? Faz quase um século que não como isso. Foi tu que me proibiste. Lembra? Estacionei na frente do trailer. Já de cara me apaixonei prum xis que a mulher serviu prum barbudo com uma gatinha de coxas brancas Parmalat.

− Então tiveste uma dor na consciência e resolveste ir embora?

− A gatinha era um prato cheio com muita maionese e ketchup, mas levei fé e tomei coragem e falei pra atendente: − Me dá um xis como o dele! Ela respondeu: − O dele é de filé com ovo! Isso aí, respondi. E me dá uma Coca bem gelada enquanto espero. Tomei aquela Coca num gut-gut vendo um jogo na TV e as cruzadas de pernas da gatinha. Era muita coxa praquele magrão barbudo, por isso que o cara tava se abastecendo.

− Dupla dor na consciência – a mulher dos outros e gordura sem limites…

− Cara, o inferno é aqui mesmo. A boca fala e o fiofó paga. Deus não dá caneta pra analfabeto? Então hoje é o dia. E a atendente largou aquele xis maior que um prato de sopa na minha frente. Cara, fotografei com o celular pra mostrar pra minha mulher e já te mostro… Pedi mais uma Coca. Não peguei no garfo e na faca, arrumei direitinho nas mãos pra não cair nada, larguei um ketchup e uma mostarda e mandei a primeira bocada. Cara, um orgasmo. Aquilo rolou na boca e te jurou saiu lágrimas dos olhos. Que sabor, cara. A primeira mordida empurrei rápido demais pra dentro, pois a fome me matava. Daí em diante, comecei a curtir o xis. Assim como fazer sexo… Morde aqui e ali. Chupa aqueles molhos de carne com sei lá o que de tão bom tem. Vem fazendo um barulhinho o tomate sugado pelos lábios. O nariz molhou a ponta um monte de vezes, já que eu enfiava no xis para cheirar aquela beleza. O filé desmanchava na língua. Sabe rolar a língua ali entre uma rodela de pão e a outra, sugando o contiúdo como dizia o tio Brizola… Tesão de bispo, Edinho.

− Meu Deus do Céu…

− Edinho, quando acabei só me faltava virar pro lado e tirar uma soneca cara. O jogo tinha terminado e nem lembrava que times jogaram. A gatinha coxuda e o barbudo tinham desaparecido e a frente do Beira Rio tava toda engavetada com carros buzinando por outro acidente com motoqueiro que descobri depois. Paguei o tio do caixa e voltei aqui pros Viamão…

− Meu amigo, vou contar essa tua epopeia na coluna, mas fica frio pois quando o prazer é absoluto a natureza ajuda e trabalha em favor da criatura…

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

Cronista Jornal Opinião de Viamão

Visite: https://edsonolimpio.wordpress.com

Pode ser

O poema pode ser êxtase ou dor,

espinho ou flor.

O poema pode ser lágrimas ou suor…

Pode ter cor,

calor…

Pode ser arrebatador

ou causar torpor.

O poema pode ser provocador,

norteador…

Desolador

ou salvador.

O poema pode ser escrito com ardor

e até ter sabor.

O poema pode ser um clamor…

Um louvor…

Pode ter o esplendor

do sol em dias de calor.

O poema desafia o poder criador:

é para ser escrito sem pudor

e para ser lido por um sonhador.

O poema ocorre ao poeta

ao cantar o amor!

Lúcia Barcelos

Musas

Minha alma escapa

e acorre à musa que anda tonta

porque precisa do caminho que ela aponta

para ancorar a lágrima fria.

Mais uma tarde morre

e a noite chega.

E seria,

a noite,

tão vazia,

não fosse a poesia

na boca do vento!…

Quando não estás,

é tão longe a primavera!

Mas a esperança,

derivada da espera,

ensina o coração

a banhar-se em qualquer luz.

E a recordação de ti

inquieta, seduz,

desacomoda as musas,

que – confusas –

escalam as muralhas da distância,

percorrem estradas sem parar,

recolhem saudade e ânsia

e constroem poemas p’ra te dar.

Lúcia Barcelos

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