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11 NOVEMBRO 09 – 2011 – O QUINTO DOS INFERNOS – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
“O quinto dos infernos”
“… e que tudo mais vá pro inferno!” – assim cantava Roberto Carlos embalando nossos corações em plena epidemia de Jovem Guarda. O inferno, assim como seu proprietário – ou seria administrador? – é tema recorrente da poesia à agressão. E “quinto dos infernos” o que significa? Se perguntarmos para um engenheiro: − Como para aprovar o projeto da construção do inferno, a prefeitura exigiu estacionamento com xis vagas para os carros e viaturas demoníacas, daí esses e outros andares! Se perguntarmos para um militar: − Graduações cidadão! Tudo é uma questão de hierarquia, cidadão! Quem sabe a resposta de algum religioso: − Caríssimos irmãos, aqui neste momento de angústia a nos perguntarmos sobre o “quinto dos infernos” devemos elevar nossos corações ao alto e deixar nas mãos de Deus! – Realmente nada melhor. Mas ainda estamos na mesma…
O Brasil colônia pagava impostos ao reino de Portugal. O imposto era um quinto de tudo que se produzia ou retirava da terra brasilis. Vintinho! Vinte por cento ou um quinto. Com a Corte no Brasil e após com a Independência, veio o Império brasileiro, o quinto permanecia ali firme e impávido colosso. Mesmo aqui no garrão do Brasil, disputado entre lusitanos, espanhóis e outros de raças pouco definidas, o quinto era cravado nos postos de passagem (como na ancestral cidade de Santo Antônio da Patrulha) e nos portos (como Laguna e Rio Grande). Revoltas minavam o espírito de quem trabalhava para sustentar parasitas engalanados. Aí veio a origem real do termo “quinto dos infernos” – pagar 20% para o diabo e sua corte.
Eis que o mundo evoluiu – alguns acreditam que evoluiu como cauda de cavalo. Criou-se o socialmente correto. Tudo em nome de uma anestesia coletiva ou um amortecimento dos sentidos e de uma permissividade sem fim. O Brasil é a mãezona que tudo acolhe e que tudo recolhe. E como recolhe. O impostômetro voa espavorido lá em Sampa, dando uma amostra da voracidade fiscal dos governos. A sociedade pagadora é tungada (N.E. – ou tugada como gíria de espoliada, mas tuga é sinônimo depreciativo de português, portuga) com dois quintos do inferno. Mais de 40% de impostos de toda ordem e desordem são arrancados de nossos bolsos, das nossas mesas, dos nossos lares, dos nossos filhos e descendentes para alimentar o fogo insaciável do inferno. – Tudo pelo social! – Balela, balaca, sacanagem legal. Tudo pelo social somente se salva no gigantesco bife à parmegiana ali no restaurante homônimo em Porto Alegre.
− Vamos tirar dos ricos para dar aos pobres! – outra expressão emblemática dos quintos infernais. O rico está cada vez mais rico. Jamais os bancos auferiram maiores lucros do que na última década – está na comunicação da greve dos bancários. Imposto extorsivo e inflação (ou inflaMAção da economia) penalizam sempre os mais pobres. Para o rico 40% num pote de caviar russo ou no vinho famoso dos políticos, significa um nada ou uma merreca. Mas 40% na mesa do assalariado significa menos comida em volume e qualidade. O ascendente social ou o emergente dos esgotos a céu aberto, das periferias e filas do SUS sente na carne nova, algumas já com Botox e plastificadas, a ganância dos governos do ainda império brasileiro. Mas por ignorância ou passividade ( ou bovinamente como alega ilustre jornalista) persiste no brete da ignorância e da visão ideológica. Há solução? Sim e passa por educação de qualidade e liberdade dos meios de comunicação. O resto vem no mesmo caudal.
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico – Cirurgião
Cronista Jornal Opinião de Viamão