A insanidade no trânsito – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 08 Fevereiro 2012

02 FEVEREIRO 08 – 2012 – A INSANIDADE NO TRÂNSITO – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A Insanidade no Trânsito

Assistimos a uma escalada de fúria e violência desenfreada pelos motoristas. E não raras vezes por seus acompanhantes. A carteira de habilitação expedida após curtas etapas de avaliações, não examina as condições mentais ou psicológicas de feras armadas por seus veículos ou com outras armas. As vagas de estacionamentos são disputadas a ferro e fogo. Ocupando ainda as vagas destinadas a cadeirantes ou a idosos numa orquestrada orgia de levar vantagem ou “se não estão vendo ou proibindo…” Outros alegam como os políticos canalhas do dia a dia, que “outros também fazem”, como se estar errado coletivamente absolvesse a criatura.

Caso 1. Na avenida Assis Brasil em Porto Alegre, por algum motivo desconhecido, dois jovens num carro ofendiam aos brados ou motociclista numa CG125 com uma caixa de ferramentas no bagageiro. Um trabalhador. Um sujeito de certa idade e com aparência desgastada pelo tempo e serviço, visível pelo capacete aberto. Eis que um dos jovens desce do carro com intenção de bater no motociclista que não reagia às ofensas. No derradeiro momento antes de ser agredido, o homem sacou de um revólver sob a jaqueta e desceu da moto. O jovem correu para o carro e arrancaram em disparada. – Com o berro no focinho esses vagabundos se borram. – falou.

Caso 2. O motorista vinha em seu carro pela ERS 040 no sentido do Centro de Viamão quando por um trabalho da CEEE com caminhões e postes ocorria um estreitamento de pista. Congestionamento de veículos, carros e ônibus. Um carro buzinava insistindo em sair de sua fila, o que os outros não permitiam. Eis que o “nosso” motorista deu sinal de luz, um lampejo de faróis, para que aquele carro passasse. Logo a seguir, passou também. Pouco adiante, o carro beneficiado esperava-o. Em seu interior estavam crianças e uma mulher. O indivíduo, por algum motivo insano, descarregava toda sorte de impropérios contra aquele que o favoreceu. Este seguiu seu caminho deixando-o com sua raiva… e cavando sua própria sepultura.

Caso 3. Um casal com a filha menor estaciona defronte uma loja de móveis na avenida Protásio Alves, em Porto Alegre. Anteriormente, por telefone, havia combinado de pegar o pequeno móvel em seu carro e deixar o valor do pagamento. Após breves minutos o vendedor colocou o móvel em seu porta-malas e retornou rapidamente à loja. Observa um tumulto a poucos metros do seu carro. Uma camionete cabina dupla estacionada em diagonal, algumas mulheres gritando e um homem corpulento ensandecido dizia-lhe palavrões. Espantado sem saber se é consigo mesmo ou o porquê deste tsunami. A causa – a traseira de seu carro estacionado ocupou cerca de 50 cm do rebaixo do cordão de acesso a possível casa daquelas pessoas. Nada que sequer impedisse a camionete de entrar. Apesar de desculpar-se várias vezes e tentar tomar seu carro e sair, as agressões verbais aumentavam assim como o risco de agressão física. O “valente” ficava mais corajoso com suas desculpas e pelo estímulo das mulheres. Conseguiu embarcar no carro com esposa e filha em pânico e arrancou com o veículo sendo chutado e soqueado. – Algum dia esse “valente” vai encontrar um mais louco do que ele e aí será a tragédia. – comentou para a família. Algum tempo depois ao escutar o noticiário no rádio informavam de uma briga na altura do número tal da mesma avenida em que um indivíduo numa discussão de trânsito foi assassinado. Ao buscar os detalhes no jornal, estava o caso e a foto do defunto – o “valente”. A tragédia anunciada se fez realidade, alguém não suportou sua “valentia” e matou-o a tiros.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

(51) 3485-1800

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