2012 – 02 – 15 – Machismo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Machismo
Numa época de verdades relativas e tudo em prol de arranjos muitas vezes entre canalhas e rótulos de governabilidade, há que destacar a existência de criaturas como o Balaca. Vamos usar esse apelido para evitar expor ainda mais esse antigo ponteiro do rubro-negro. Verdades sejam ditas, transitório ponteiro, pois o Tamoio foi convidado para uma preliminar no Olímpico. Ganhamos de 2 a 1. Golos do Balaca. Entrevistado por repórter da Farroupilha: – Fizeste golo de direita e de canhota Balaca, qual teu membro preferido? – Aí veio a resposta mortal: − O do meio irmãozinho! – O cara sempre foi assim, sem limites e sem medo.
− Têm quatro tipos de mulher mermão. As novas, as seminovas, as usadas e as esbagaçadas, mas pra mim tanto faz, pois não quero pra carreira. – estufando o peito e limpando os lábios da moldura espumosa da loira suada. − Também ainda têm as nacionais e as estrangeiras, mas desde que seja mulher… – e o pior pessoal (ou o melhor para o Balaca), as meninas disputavam na unha e no puxão de cabelo as suas atenções. Ao que complementava: − Propaganda e fama são armadilhas do sexo, mas tem que comprovar no lençol. E aí é tudo comigo.
A vida tem caminhos e atalhos. Um cara bateu-me no ombro enquanto amargava a espera de uma conexão em Brasília. Demorou um tempo para meus neurônios fecharem a outra conexão e… o Balaca estava ali em carne, osso e careca. O sorriso era o mesmo, assim como o jeitão alegre e extrovertido, mas e a melena… O tempo faz estragos em todos nós, alguns mais que os outros. Fez uma “lista de chamada” perguntando sobre o pessoal da época. – Pô cara tem um monte de defunto. O Elmo deve ter faturado uma grana parda! Vê se consegue reunir o pessoal do Bentinho (Ginásio Bento Gonçalves que funcionava em anexo ao Grupo Escolar Setembrina) e aí me avisa.
O Balaca gosta tanto de mulher que casou oficialmente (?) umas cinco vezes e foram incontáveis os aconchegos. – Tenho filhas espalhadas por todo esse Brasil, que eu saiba nunca fiz um homem filho. Deve ser a minha sina. Quebrei várias vezes pagando pensão, advogados e broncas de separação e ainda dizem que sou marajá do governo… Tô morando na praia tal no Nordeste e tô casado com uma francesa meio comunista que vive de rendas da família na Europa e encarnou em mim. Algo meio místico e ideológico. Viaja muito e chega cheia de amor… Mas e tu cara, conta algo mais aí.
O aeroporto de Brasília é uma zorra absoluta. Quase um Iraque, pois os corpos espalhados pelo chão estão vivos ou quase. Criaturas desfiguradas pelo cansaço das longas esperas, salas lotadas, falta de bancos, filas para tudo desde o cafezinho morno ao banheiro sujo. Mudam o teu portão de embarque todo momento. De repente, some o anúncio do teu voo e ninguém sabe explicar nada verdadeiro. Então uma voz esganiçada: − Última chamada para o voo tal, pegar o ônibus no portão onde o demo perdeu as meias. – e de-lhe correria. O papo com o Balaca deveria ser mais longo, pois o cara é uma enciclopédia ambulante e seus causos vem aos borbotões. Para muitos que não o conheceram pode parecer pura “balaca” ou meras mentiras machistas. Numa época em que ser um “homem sensível” significava pendores “homo”, as mulheres talvez não quisessem arriscar e os tipo dom juan faziam carreira e história. E o importante – sem a bravura de aditivos tipo viagras. Caras que viviam e “confiavam no seu taco”. Há quem sinta saudades dessa época. E você?

