02 Fevereiro 01 – 2012 – Tramandaí! Que loucura de Verão – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Tramandaí! Que loucura de verão
“Andava a toa na vida quando” o primo me chamou: − Edinho de Deus foi bom te achar. Preciso te dar munição pra tua coluna. E sabe como povo tá chamando a tua coluna? Sonrisal. Isso mesmo Sonrisal.
− Essa eu não sabia. Por que primo?
− O cara se lê o jornal começando pela frente quando chega na tua coluna está empanzinado de política e aí vem tu com um papo até legal e é como um Sonrisal para a gente se aliviar. (Hehehehehehehe)
− Mas qual é a munição primo?
− Tu sabe que eu sou chegado numa praia. Da Cidreira pra baixo é quase praia de nudismo, cara. Sou radical social, pesco na Solidão e curto lá onde a Catarina ficou Santa com o Garibaldi. Tava com saudade do nordestão e fui salgar o lombo em Tramandaí. Cara a viagem pro litoral tá pior do que praga de pastor gago. Quase três horas de freeway engarrafada por acidentes. Tinha um motoqueiro bebum esparramado no para-brisa de uma jamanta. O cara se perdeu e atravessou pro outro lado… Fomos pra casa do Nestor, aquele meu colega da segurança que casou com a irmã do deputado… Aquele da bronca da soja. Cara tinha mais gente que comício do Lula. Tinha até umas barracas no pátio do cara. O cara que já foi pobre não deixa de ter família grande. O que pobre mais tem é cachorro e parente e parente arriado. Vê o Ronaldinho? Ou o Fenômeno? Parentes, amigos e cracas. Os caras das barracas puxaram um plástico de lona e estavam dourando uma carne com salsichão e puxando uma cerveja legal. E ficaram no “oi tudo firme” e viraram de costas. Necas de solidariedade no esquema deles. O Nestor estava pilotando a churrasqueira e distribuindo coraçõezinhos pra criançada. O filho do cara, meu afilhado de crisma, deitado na rede com os olhos mais vermelhos que camisa colorada e uma magrona tatuada com a mão dentro da bermuda dele. Assim na maior. Era um BBB em cada canto meu. Dei um abraço no Nestor e saí de mansinho. Ali urubu voa de costas. E fui lá pra perto da Plataforma.
− Casa de praia é sempre assim…
− Me deixa terminar essa parte que depois tu fala. Trocamos de roupa dentro da camionete. Ainda bem que os filhos não foram na furada do Nestor. Peguei as cadeiras, a caixa térmica com as cevas e os dois guarda-sol. A nega velha foi na frente com a sacola das tralhas dela. Sabe que mulher está sempre tentando perder uns quilos? Pois a minha achou os quilos que as outras perderam. O que faltava de biquini sobrava de mulher. Me dei por conta que botou a plástica da barriga fora. Sabe como é com viagra e no escuro, tu manda bala e dorme. Quando ela caminhava na minha frente com as lanchinhas escorregando na areia e passou outra mulher, foi como o pesadelo do antes e depois. Daí que álcool e amor, além de começar com a mesma letra… Deixa pra lá. Ainda bem que eu carregava as coisas, pois o nordestão resolveu encarar de vez e era guarda-sol voando e chapéu com criança correndo atrás. Até to acostumado com o chocolatão do mar, mas de perto cara vi que tava tudo preto. A areia e a água. Uns 50 metros com uma nata de petróleo que só maluco e surfista iam na água. Um mousse de óleo fedorento na praia. E aquele povaréu ali onde tinha areia mais limpa – como se fosse possível. Ficamos ali pelos cômoros curtindo o que dava até pegar a estrada de volta. Cara imagina quando esses loucos furarem o tal de pré-sal. Escreve lá uns conselhos! Primeiro − evite as nossas praias no verão. Segundo − evite certos convites que podem ser uma furada. Terceiro − pizza e outras maravilhas são inimigas do verão. Quarto − acredite que a Petrobrás e o petróleo são nossos, não o dinheiro, só a bronca e a poluição. E pra encerrar o papo de hoje, fui!
E foi rápido com o celular de brinco à orelha esquerda e sempre falando alto.

