Bagos de touro – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 21 Ma rço 2012

2012 – 03 – 21 – Bagos de Touro – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Bagos de Touro

C

onta uma antiga anedota gauchesca que o graxaim deitava-se diariamente sob o pau da mangueira e fitava longamente o escroto balançando do touro Ataulfo. Acredita-se que estivesse esperando cair para comer. Até que um dia morreu ali naquele plantão, mas a ossada continuava mirando e desejando as bolas do touro. A gastronomia gaudéria é fantástica. As estâncias fazem festas nos dias de castração e os testículos são assados e comidos nos braseiros para num ritual de estímulo à virilidade de bombachas. Eis assim o porquê das bombachas – calças bem largas para acomodarem os apetrechos masculinos e evitarem o olho grande dos graxains de plantão. A emasculação também retira o pênis, como diferença. A castração é sempre traumática, para homem e animal. Lembro-me do Capitão Osório Belíssimo colocando um gato com a cabeça dentro da sua bota, deixando o genital exposto para num corte rápido retirar seus testículos sem unhar ninguém. Ou do João Coragem castrando um carneiro. Também as Prefeituras castram os animais que perambulam pelas ruas ou a pedido dos donos. Sempre dá uma náusea privar algum ser de sua natureza.

Há mais de vinte séculos A.C, os chineses usavam eunucos na corte e os meninos capturados, principalmente se mongóis, eram castrados. A Bíblia, como em Mateus e Lucas, cita em várias passagens os eunucos e na mini-série Ester mostravam-se vários deles. Alexandre Magno tinha um amante eunuco, Bagois ou Bagoas. Talvez daí – bagos. Nos harens eunucos protegiam as esposas e concubinas. Não se conhece um sultão sem eunucos a seu serviço ou escravidão e vários são conhecidos no Império Turco-Otomano e no Império Romano. A sodomia (Sodoma e Gomorra) e a felação foram consideradas como práticas pecaminosas ou heterodoxas pelo cristianismo, mas está presente com a humanidade de todas as épocas e continentes. Todo o ato sexual que não fosse para a procriação e perpetuação da família se configuravam como pecaminosos. Daí vem a tradição da burguesia ibérica, principalmente lusitana, de separar mulher-sexo e mulher-esposa.

O mundo mudou. As pessoas mudaram. O sexo se tornou ora claro, ora nebuloso. Essa bela mulher gingando os quadris na Marcos de Andrade, pode não ser realmente uma mulher. Assim como esse garotão com carro de suspensão rebaixada e som a mil, pode ser uma garota. Liberdades e afirmações. Muitas indecisões. Faltam armários ou sobram os escondidos ou dissimulados. Feminilização opcional por química e cirurgia. Ainda há a incidental por esteroides, anabolizantes ou nos líquidos e alimentos. Na Medicina, por necessidade terapêutica, faz a “castração química” em enfermidades, tanto em homens quanto em mulheres. Necessidades e opções.

Incidente na Festa da Uva – 2012

Recebi esse relato de fonte plenamente confiável: − Tive necessidade de ir ao toalete anexo aos Pavilhões na Festa da Uva. Limpos, mas lotados. Insuficientes para o número de mulheres, naquele momento. Estranhei que dois sanitários não tinham portas. Abertos completamente. Num deles, uma gringa suava e gemia contorcendo-se em cólicas. Com as dores e vergonhas expostas pela ausência da necessária porta. Como se o vento Minuano e o Nordestão travassem um combate em sua barriga e saiam em estrépito. Uma amiga confortava-a. Tentava ao menos. – “Que diaréia (um R), dio mio!” Há que se cuidar do que se come em festas, nestes dias de mais de 40º C.

Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira

Médico – Cirurgião

(51) 3485-1800

Blog: https://edsonolimpio.wordpress.com

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