2012 – 03 – 28 – Sono pra que te quero! – Edson Olimpio Silva de Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Sono pra que te quero!
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m caro amigo e guru das artes físicas alongou literalmente nossa curta conversa entre um aparelho de ginástica e outro. Está naquele estado de pré-pai. Semigrávido. A esposa grávida e ele com as dores antecipadas de um futuro que além de belo é conspirador contra a sua tranquilidade de homem livre para dormir e roncar. Dizemos que as mulheres são seres estranhos e incompreensíveis. Disso ninguém discute ou duvida. Nem elas. E nós poderosos machos da espécie? Desbravadores de terras inóspitas infestadas por pigmeus antropófagos e exímios matadores de baratas que ousam cruzar o caminho de nossas amadas e protegidas, de repente verificamos que nossos dias singulares de futebol e cerveja e papos com os amigos madrugadas sem fim deram espaço para uma vida a dois, um vida de casal. Até aqui estufamos o peito, soltamos o grito de guerra do Tarzan e vamos à luta pelas nossas Janes. Eis que tudo isso começa a ficar nebuloso, pior que Grenal disputado nos pênaltis. Logo seremos pais. Nada jamais será o mesmo. Nunca mais. E não é da responsabilidade e coisa e tal, estamos preocupados com o nosso sono.
Nem sabíamos que sono era algo importante. Alguns até pensam que é somente o descanso do guerreiro entre uma sessão de sexo selvagem ou de sexo terapêutico ou tântrico. Desprezámos o sono em nossa juventude como quem despreza carro a álcool. Até se tem um, mas caracas… Eis que com a vida a dois, descobrimos como dormir em menores espaços. As camas encolhem. E as cobertas? Enquanto ela sua às bicas, você está com frio. Nem vamos tocar no lúgubre hálito matinal ou nos gases dos singelos brócolis. Deus do céu, a gravidez é maravilhosa quando não estamos amedrontados, principalmente pela futura vida de sono no precatório. Observamos os nenês dos nossos amigos e já rangemos os dentes – é muita dureza. Choro, fralda, choro, mamadeira, choro, bico, choro, cólicas, choro e noites em claro. Arquitetamos um plano – as mulheres sempre conseguem fazer os nenês dormirem, afinal elas tem tetas e são mulheres. Mas elas exigem divisão de tarefas – deu pra nós. Não temos tetas para dar leite, logo ficamos com as fraldas e seus conteúdos. E choros. Mas ainda bem que poderemos tirar uma soneca entre uma aula de Pilates e outra. De cinco em cinco minutos vai compensar quase uma hora noturna. Ainda podemos dormir no banheiro, pois a hora da privada é privada e inviolável. Há quem se torne religioso para aproveitar umas sonecas na igreja ou orando. Mulher aguenta anos nessa faina diária, talvez suportemos alguns meses antes de apagar fazendo sexo. Quando conseguimos!
Mas temos as compensações que ficarão gravadas nas imagens fotográficas, pois nem ao certo saberemos se realmente vivemos aquilo ou se sonhamos. A alegria e a felicidade de ser pai é algo imenso e insone. Nunca mais o nosso sono será nosso. O nosso nenê vai crescer, os dentes ficarão em sua boquinha com seus chorinhos e logo engatinhando e caminhando. E o nosso bendito sono acompanhará seu crescimento e num piscar de pálpebras sonolentas ele sairá da infância para adolescência e um novo mundo de preocupações. E nós ali acompanhando suas descobertas e novas noites em claro. Conforta-nos que um dia serão adultos e terão suas casas e suas vidas e seus filhos. Meu Deus, seus filhos serão nossos netos e o ciclo reinicia com maior ou menor intensidade.
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico – Cirurgião
(51) 3485-1800
Blog: https://edsonolimpio.wordpress.com
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