2012 – 04 – 11 – Nomes aos bois – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Nomes aos bois
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uspire! Novamente. Agora bem lento e profundo. Isso! Dê uma boa relaxada, pois essa coluna que já foi carinhosamente chamada de Sonrisal vai ser um colírio para clarear as vistas, ou melhorar a visão. Lembrem-se dos bretes. Aqueles corredores de metal ou madeira que conduzem os animais equinos, caprinos, bovinos e… humanos. Doeu? Ofendeu-se? A generalização jamais é do cronista. Alguns entendem que em vez de atitude bovina, somos forçados viver suinamente. Um horror? Real. – De que esse cronista está tratando? – alfineta-se. Das estradas. Das ruas, estradas e rodovias ou qualquer outro nome ou epíteto para esses bretes em estado deplorável e levando ao morticínio. Continuo indignado. Continuamos indignados?
Quais os números do feriadão de Páscoa? Centenas de mortos. Milhares de mutilados do corpo e da mente. A culpa se rateia entre autoridades incompetentes e mentirosas, crédulos de carteirinha, egoístas, assassinos cheirados ou mamados em álcool e drogas, motoristas despreparados e bretes de asfalto, cimento e terra insuficientes e abjetamente conservadas. Essa figura de imagem, fantasmagórica em sua essência, uma metáfora ou uma alegoria de dor aparentemente sem fim para várias gerações de brasileiros torna-se mais brutal quando o penalizado ainda cai em hospitais ou nauseocômios – perdão pelo trocadilho – sem as condições básicas de prestarem atendimento adequado ou até mínimo.
“O boi que muge do curral ou da mangueira pelo brete pútrido rumo à marretada ou ao choque fatal, vindo a sangrar e morrer no anonimato das boiadas.” – T. Jordans. É uma das faces macabras da banalização da desgraça. Exemplos? Tomem-se de náuseas pela ERS 118. Arrastam-se governos e… na mesma. No final do governo Olívio foi invadida por máquinas, algumas terraplanagens e painéis políticos gigantes aqui entre Viamão e Gravataí. Depois… nada. Eis que o mesmo candidato da época está com a caneta do poder agora e… nada. E os nós dos cruzamentos no entorno do centro de Viamão?
O motorista ao seu lado ainda está berrando ou gemendo no celular? Um enxame de motoqueiros alucinados insiste em espatifar-se contra algum para-brisa ou fazer um túnel em algum veículo. Uma lotação escolar buzina e seu motora dirige cortando um e outro em desabalada e insensata carreira. Um motorista proprietário do brete insiste em trafegar pela faixa da esquerda (de ultrapassagens) enquanto uma fila como a do SUS se arrasta sofridamente atrás da criatura egoísta. No carro à sua frente vai outro desvairado com o braço para fora desconhecendo que a doação do que restar de seu membro jamais servirá para outro. Veículos sem as mínimas condições de trafegar rodam em nome de tudo pelo social – campanha funesta de doação de órgãos ou de auxílio para as funerárias carentes. Ironia? Realidade. Sua inteligência e percepção citarão dezenas de outros exemplos. Tristes exemplos. Repudiáveis exemplos. Ligue-se e sobreviva!
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