2012 – 04 – 18 – De Corpo e Alma – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
De Corpo e Alma
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á quem duvide da nova poesia. – Como assim nooova poesia? A poesia tradicional ou clássica acometeu-se de crises existenciais. Alguém lembra alguma letra de música do momento que fale dos sentimentos mais belos? Que fale do amor? As singelas músicas de carnaval são ancestrais. Algumas beiram o jurássico de almeida. A música de periferia fala de realidades e de brutalidades como (mal) comparando o pôster rasgado colado com fita na parede e a tela adornada por suntuosa moldura. – Há espaço para tudo e todos! – regurgita-se. O filósofo do apocalipse, T. Jordans, com sua percepção ferina observou que até a indústria automobilística contribui para o empobrecimento das relações afetivas e humanas. Acho que vale citar aqui algumas de suas apuradas observações.
“Os veículos antigos traziam bancos do tamanho e formato dos bons e amados sofás de tantos amassos e… desamassos. O entrevero era total. Um vale tudo da língua ao dedão do pé esquerdo. Fazia-se amor ao som do rádio e com a lua enciumada por testemunha vertendo lágrimas de prata. Eis que diminuíram os carros e separaram os bancos. E colocaram a alavanca de mudanças, que era ao volante, e o freio de mão entre eles. Freio para frear… também às emoções. Muitos acidentes e empalamentos ocorriam na maldita alavanca de câmbio e no freio. As mentes macabras pioraram com cintos de segurança que impedem uns toques a mais. A mãozinha dela quase não toca mais a coxa ou algo mais dele! Horrível. E colocaram consoles. Cada vez maiores, quase um muro de Berlim. Carregam-se cães no colo, mas mulher… E o rádio deu lugar a toda sorte de geringonças de discos, fitas e cabos. E ainda tem o celular. Tudo para dificultar e distrair. A potência sexual masculina diminuiu na proporção que o som aumentou. É tão cruel que tem carro arrastando a traseira no chão com o som a trocentos decibéis. Se ganha a mulher pelo som, pelo carro e menos por si mesmo e pelo seu desempenho (em todos os sentidos)? O emburrecimento é bilateral. Não escolhe sexo. Nem há sexo definido em muitos pares – ou ímpares. E(leia I) pode? Ipod, ipad, tablet, etc. – poder pode. Dever? – Pô Maurinha, o Roquinho (Roquifeler Dionatam dos Santos) prefere transar com o mouse do que comigo. Beleza que o Gugu (Rodrigo Gustavo) chega mais! – escutado durante sessão de tatuagem.”
Amar-se de corpo e alma. Iniciava-se invariavelmente amando de alma. Era o pulsar crescente do coração apaixonado. A falta da amada? Um vazio que a sua ausência, mesmo temporária, transformava em dores vertidas no papel. Seu perfume. Seus olhos. Seu contorno ao sol nascente nas areias da Cidreira. Seu cabelo surfando à brisa da tarde no calçadão de Ipanema, engasgando com pipocas de chocolate. Passou como o vento. O tempo é de iniciar-se pelo test-drive do corpo. Legal – de gastar a caneta! Muito corpo e preferencialmente quase nada de alma. Tudo é muito rápido. Temporário. Maravilhoso enquanto dure. Tesão. Paixão. Furor. Mil orgasmos – alguns reais! A poesia desce pela ducha do chuveiro e insiste, teima, luta por renascer em algum novo olhar. Numa troca de olhares. Numa gota de cristal na pele ardente… 2012. 2012! Dizem que vai acabar o mundo para começar tudo de novo. Que achas?
Dr. Edson Olimpio Silva de Oliveira
Médico – Cirurgião
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