02 MAIO 2012 – Cargas Negativas – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Cargas Negativas
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embrem a música: – “Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou quem morreu…”, mas e a realidade? Esta é a realidade. Essa é a vida de todos nós. Esse mundo com tantas belezas é também e muito um mundo de sofrimentos, dor e dissabores de todos os tamanhos e gostos. É parte da nossa evolução e necessidade para o nosso entendimento e iluminação. Mas seria preciso tanto? Ou podemos evitar ser inundados de mais e mais sofrimentos além daqueles que representam a nossa carga ou a nossa cruz? Acredito que sim.
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Muitas pessoas evitam assistir ao Jornal Nacional pela avalancha de notícias tristes e de tantas coisas ruins. Muitos evitam ouvir o jornalista-senador nas manhãs da Rádio Farroupilha – “tem que ouvir de botas e capa para se proteger do banho de sangue e de tristezas” – alegam. Amigos revelam que evitam ler a Veja e outras revistas nacionais pela crescente e avassaladora divulgação dos escândalos políticos e assemelhados. E é assim com vários programas e especialmente com os noticiários, que causam esse constrangimento e esse mal estar.
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É um teste necessário. Tente ou evite acordar já sendo afogado com as más notícias da programação matinal. Evite almoçar ou fazer as refeições com os olhos e ouvidos grudados na TV. Não que queiramos que seja um alienado, mas desejamos que não seja uma vítima inconsciente numa solidariedade sofrida e cáustica. Saciar a sede sim, mas se afogar nunca! Experimente viver assim durante algumas semanas e sinta as diferenças, perceba as mudanças na sua qualidade de vida. Note mais leveza, menor agressividade, menos depressivo e uma melhora na disposição geral. Principalmente se diariamente é obrigado, forçado a enfrentar a tranqueira do trânsito na ida e volta a Porto Alegre e a insanidade de muitos motoqueiros e motoristas.
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“Deus dá a cruz que as costas podem carregar!” – apregoa a filosofia ou a fé cristã. Eis que todos nós carregamos a nossa e queiramos ou não a cruz de muitos, de milhares e de milhões e ainda nos dizem que não é suficiente… Que devemos resgatar as dívidas de séculos e séculos. E ainda nos cobram – e caro! – pela nossa “culpa coletiva”. Uma dívida impagável pela nossa e pelas gerações seguintes e muito disso pela estratégia e pela esperteza dos políticos e formadores – ou deformadores? – de opinião. A vassalagem é necessária para conduzir a boiada humana, nesta forma de concepção.
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Usemos mais tempo para construir e amar do que para simplesmente sofrer ou destruir!

