09 MAIO 2012 – O tempo de cada um – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
O tempo de cada um!
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ivemos em constante busca. Convivemos com ansiedade em doses homeopáticas ou em volumes amazônicos. Sofremos com isso. As nossas crenças nos impelem numa crescente de atender às necessidades e anseios dos esposos e das esposas, dos filhos, da família, do emprego e das chefias, dos líderes de toda ordem, dos governantes, dos cães, gatos e até dos passarinhos da casa. Jamais conseguiremos satisfazer a todos, como prega o ensinamento divino de que é “impossível servir dois senhores ao mesmo tempo”. Por que vivemos assim? Muitos são levados pela inconsciência de seus atos ou ações, outros pela coletividade ou impulso tribal, certamente a maioria por culpa ou mesmo pela possibilidade ou tendência à culpa.
A culpa está entre os mais antigos e primitivos sentimentos do homem e a base de toda a dor. Talvez a insatisfação seja um sentimento anterior à culpa tanto na humanidade quanto na espiritualidade. Tema instigante para pensarmos juntos. Eis que a mulher sendo mãe, ainda tem a sua profissão e as responsabilidades da casa não se ausentam junto ao seu corpo enquanto está no seu trabalho seja na escola, na empresa, no consultório ou hospital ou ainda no volante de um veículo. Seu coração pulsa acelerado pelos filhos num mundo de violência e drogas sedutoras. Há que atender as necessidades do marido e talvez dos pais ou parentes ou até da amiga ou dos vizinhos que dela possam necessitar. Há ainda os compromissos sociais impostos por toda uma gama imensa de solicitações. Vive-se assim a vida dos outros, aceita ou imposta, mas a vida dos outros. Quanto tempo sobra para a sua vida? Para a sua pessoalidade?
– Hiii, a última vez que fiz as unhas? Sei lá, umas duas semanas? Dou uma ajeitada e sigo em frente… – respondendo sobre algo que gosta e… necessita. O tempo de cada um é absolutamente diferente e incompatível com o egoísmo. Os homens possuem uma característica peculiar que os fazem vivenciar uma pescaria, uma partida de futebol ou até uma conversa jogada fora numa mesa de bar com amigos e cerveja, por exemplo. E geralmente sem culpa. E a mulher? Bem mais difícil ter esse tipo de desapego transitório. O envolvimento é sempre uma regra precoce ou tardia, mas uma regra. A fuga do fogão e do tanque para muitas mulheres trouxe a nova prisão também sem grades de um número ascendente de novas e constritivas obrigações.
Mais enxaqueca, infecções urinárias, pressão alta, dores do dedão do pé ao cabelo, diminuição da libido ou sexo pelo sexo e um coquetel ácido de depressão, bipolaridade, ansiedade e um sei lá de tantos sintomas, queixas e moléstias. Certamente um dos caminhos da saúde e do equilíbrio mental, físico e espiritual passa pelo cultivo adequado do “seu tempo”. O que para muitos pode ser uma bobagem, para a pessoa é uma necessidade inalienável do seu ser. E isso pode ser uma singela soneca na rede depois de deliciar-se num livro sem o celular maldito tocando e seu tempo sendo respeitado por ela e pela “turma da redondeza”. Ter o “seu tempo” está no âmago de outra verdade que é “amar-se para poder amar aos outros…”

