25 JULHO 2012 – Você conhece, você não confia – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Você conhece, você não confia.
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ma grande montadora nacional de veículos usa um slogan semelhante ao título dessa instigante crônica – Você conhece, você confia. Isso para afirmar que quem usa e compra seus veículos está estribado em sólidas razões para confiar agora e novamente. Isso poderia ser usado no jogo eleitoral? Dizia-me um amigo: – Dessa pedra nunca sairá água! – ou seja, ali daquela criatura nunca sairá nada de útil. Talvez seu inconsciente se recordasse a cena bíblica do cajado tocando a rocha e jorrando água. Nem com milagre esperar alguma coisa daquele candidato? O estoico candidato e solene aspirante ao voto popular usará desse raciocínio simples em suas investidas na batalha da conquista do eleitor. Uma amiga dizia-se “atucanada diante de tantas visitas em sua casa, nem sabia que tinha tantos amigos candidatos”.
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Alguns candidatos estão com todo gás nesse início de campanha política. Outros estão guardando a energia para o Sprint final. No meio está aquela massa amorfa e insossa dos que “estão aí para ver o que vai dar” ou dos que “estou dando uma mão pro partido, sacumé o esquema do cuoscienti eleitoral”. Vários são soldados, poucos são oficiais e raros são os generais. Diversos estão de cola escaldada e orelhas ardidas de outros carnavais, digo, campanhas. Veteranos que cometem exatamente os mesmos erros e que morrerão no escrutínio dos votos, mas que retornarão impávidos e renascidos das cinzas na próxima eleição. É o fenômeno da reencarnação eleitoral e singrando por esse oceano político há que precaver-se de almas penadas e encostos. “Olho grande é bom para criar bastante remela!”- lembrava-me o seu Aldo Cabeleira. Há que precaver-se dos olhudos e dos bocudos. Os olhudos secam até pé de arumbeva. E os bocudos fazem dum siso uma caixa de dentaduras.
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– Esse cara é tão ruim de voto que nem a mulher, os filhos e o cachorro votam nele! – sentenciava numa sala de espera. Há controvérsias. – Algumas coisas são ruins para os rins, mas são boas para os bofes! – diz a sabedoria popular. E cria-se a dúvida: – Donde não se espera sair nada, dali não sai nada mesmo. – Mas até estrume tem serventia para adubar! – arremata a outra face do mesmo provérbio. A situação está tão feia que urubu voa de costas depois das imagens do Lula e do Maluf em sorrisos e afagos de mão – dizem as línguas ferinas que trocaram longos abraços e roçar de umbigos – num pacto de fazer ciúmes ao Sarney e todas as demais falanges infernais. – É o Armagedão, cara! – com os olhos caindo das órbitas alegava um amigo gringo e professor com pendores místicos.
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Todo mundo entende um pouco de política. Alguns macacos velhos ou velhas raposas e, ainda, são exímios manipuladores e negociantes. – Boca de urna, cabeça de juiz e barriga de mulher ninguém tem certeza do que vai sair. – é outra dessas pérolas da sabedoria do povão. Um amigo, enquanto devorava uma costeleta de porco com goles de cerveja preta, dizia ser “favorável ao voto em cotas, pois eles deveriam valer no mínimo uns três dos votos dos outros ou que 80% fossem rateados entre índios, negros, mulheres, sexo alternativo, gambás e crianças”. “A sociedade vai ser mais humana, menos machista e muito menos desigual” – completava. Os humores e odores estão à mostra e ai de quem se atravessar em seus caminhos. Afora o humor salvador da pátria amada e das singelas ironias pretendemos que o eleitor faça com seus candidatos uma sociedade melhor, mais digna e mais justa para todos. Você conhece? E confia?
Cr & Ag
Errata: No jornal Opinião de 18 de julho as fotos e texto da última página foram fornecidos pela assessoria da Brigada Militar, Sargento Alberto, citado no final.

















