O cafundó onde Judas perdeu as botas – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 13 Junho 2012

13 JUNHO 2012 – O CAFUNDÓ ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

O cafundó onde Judas perdeu as botas.

O

cafundó do Judas. Onde Judas perdeu as botas. Não sabemos de onde e da parte de quem surgem ou são criadas essas expressões ou manifestações da alma de um povo. Certamente o Judas da citação é o Iscariotes, o traidor de Cristo, o que vendeu o Filho do Homem por 30 dinheiros, o enforcado que não morreu e vaga pela eternidade ansiando por uma morte redentora – aqui entram as lendas. Nem sabíamos que usava botas, pensava-se em sandálias? Sim sandálias como as que usavam os demais discípulos oriundos de pescadores. Cafundó significa um lugar distante. Mais que distante… E onde Judas perdeu as botas seria quase o fim do mundo. Para complicar – onde Judas perdeu as meias. Argh!

– Meias?

– Sim, as meias, pois as botas ele perdeu bem antes.

Mais longe e distante de tudo isso estaria o “quinto dos infernos”. Talvez seja o local onde muitos políticos brasileiros vão matear com o chefão do Hades. O senhor absoluto dos reinos infernais não necessita de acordos ou conchavos, nem da caixa dois para manter a governabilidade e rios de fogo e cachoeiras de lava cobram aquilo que nenhum supremo tribunal jamais cobrou. No entanto, o exército de súditos continua crescendo faminto e sedento de poder.

É tudo uma questão de posição de observar e ver e sentir as coisas. É como estar do lado de dentro ou de fora do balcão. Ao lado ou deitado na mesa de cirurgia. Estar no gabinete repleto de bajuladores com as mordomias dos cargos ou na fila do SUS numa madrugada perdida de temperatura negativa com o filho nos braços ou com o pai ou a mãe há cinco dias numa maca esperando uma vaga que chegará quando o familiar do outro deixar esse mundo para um melhor ou… pior.

Os porto-alegrenses tripudiavam dos viamonenses com esse ditado. Os viamonenses aqui do Centro diziam o mesmo dos demais sobreviventes – “esses faxineiros vem lá do cafundó do Judas”. O lugar – a Faxina! Faxineiros – os seus moradores. A Faxina era tudo aquilo após o Passo do Vigário, não confundir com o Conto do Vigário, uma vastidão onde imperava a formiga e os estoicos sobreviventes produzindo mandioca, arroz e gado. E hoje as jazidas de areia roubadas das formigas e do ambiente. Ambiente que já foi meio e fim e agora é uma porcentagem qualquer enriquecendo bolsos e bolsas.

Quantas voltas o mundo dá! De uma semente se faz uma lavoura. Seriam as elucubrações de um feriadão com frio polar e o vento minuano mostrando ou dando-nos uma ideia de como foram forjados os habitantes dessas paragens desse Brasil abençoado que sobrevive apesar… apesar de tudo isso que aí está para nausear até ao mais resistente? – Podia ser pior Edinho! – alerta-me o amigo. Sempre pode piorar.

Deixe um comentário