A dama e o vagabundo – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 18 Julho 2012

18 JULHO 2012 – A Dama e o Vagabundo – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

“A Dama e o Vagabundo”

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proveitando o título homônimo do clássico de Walt Disney eternizado nas telas, abrimos o combate novamente para essa epidemia que cresce vertiginosamente na sociedade – a vadiagem consagrada. A humanidade conheceu e aperfeiçoou o homem provedor, aquele homem que provia a esposa e filhos e logo seus pais ou demais parentes de sustento com teto, comida, roupas e o mais necessário. A revolução industrial trouxe a criança para dentro do lar e a mulher para as frentes de trabalho que logo seriam disputadas em ofícios tipicamente masculinos. Sempre tivemos vadios ou indivíduos vivendo parasitariamente em suas famílias ou com o sexo feminino em busca de um porto seguro no casamento. Havia e há uma aura de disfarce do homem e uma hipocrisia da sociedade benevolente.

Cr & Ag

Há quase duas décadas o singular barbeiro Panca, um atilado observador da sociedade, revelava o número assustador de homens com profissão real de marido que enrolavam a plateia dizendo-se corretores. Sim corretores! E muitos com uma pastinha ou leva-tudo zanzavam aqui pelos bares do centro histórico de Viamão City negociando de um quase tudo que na verdade era um quase nada. Muitos esposos ou companheiros de professoras alertava o sagaz observador. Com a benemerência do nosso bolso os governantes espalharam bolsas disso e daquilo para todos os sexos. Eis que esse tipo de homem recebia mais uma facilidade indutora de sua vagabundagem disfarçada ou não. O sustento dos filhos e da família há muito não era obrigação e exclusividade sua. Comida e remédios? Compromisso do governo populista e indutor do parasitismo social ou que a mulher provesse.

Cr & Ag

Uma professora revelava tristemente “o caos nos empregos, pois o marido estava desempregado há quase dois anos, apesar de ser um ótimo motorista profissional”. – É uma vergonha o que pagam para um profissional e o tamanho da jornada de trabalho! – acusava. Trabalhava algum tempo numa empresa e saía por vários motivos que “agridem o trabalhador” e “fazia alguns bicos no taxi de um amigo para ajuda-lo já que andava ruim da coluna… ele não dá sorte” – acrescentava. E culpava do Brito ou Tarso pelo outro caos, o da educação. As mulheres são criaturas fantásticas e, por vezes, indecifráveis ou incompreensíveis em suas lógicas e argumentações.

Cr & Ag

O vadio é uma criatura protegida na natureza, até parece. Quando toda a arte de enrolar, mistificar e dourar a verdade, quando todos os argumentos apontam contra si, eis que a mulher parasitada apresenta o argumento final e intransponível, é a Muralha da China na defesa do vagabundo – “Eu amo ele!” Aí mermão esboroam-se todas as acusações e a criatura fica mais intangível, inatacável e absolutamente incólume. São os heróis da rapinagem, são inspiradores de muitos políticos sedentos e famintos de cargos e mordomias. Eles são a sarna que muitas precisam para se coçarem. Eles preferem o silêncio dos observadores, mas se tornam hábeis nas lides das alcovas e nos quadriláteros dos lençóis. Sua desprezível habilidade ou arte para alguns tem na mira outras potenciais mulheres provedoras, pois ao esgotar ou até ameaçar secar uma fonte nutridora, outra precisará ser acionada. – Damas! Acordai-vos! – dizia uma amiga já no terceiro relacionamento…

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