01 Agosto 2012 – O mundo dos descartáveis – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
O mundo dos descartáveis
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mundo mudou ou nós mudamos? Essa pergunta pode nada representar para uns tantos, mas para outros pode ser uma agulhada no traseiro. A melhor resposta seria de que “tudo muda, tanto o mundo quanto cada um e todos nós”? Talvez. Diz-se que a vida é um jogo. Certo? Para alguns é “um jogo de cartas marcadas” e descartamos as cartas que não queremos ou aquelas que não são mais úteis. Tendemos a descartar, colocar de lado, abandonar ou passar adiante aquilo que já usamos ou não nos servem mais. De objetos a pessoas. Infelizmente. Por vezes dolorosamente. Um filho lembrava que “as árvores maiores ou mais velhas tombam no curso da vida para que as mais jovens ganhem a luz e tenham seus próprios frutos”. Neste caso a vida ou a natureza das pessoas em sua finitude, em seus limites temporais ou por enfermidades ou acidentes, faz-nos descartáveis? Essas pessoas e todas as pessoas fazem falta para alguém ou para alguma coisa.
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Sintam a melancolia e as lágrimas de dor vertidas de pessoas que tiveram perdas de… seus amigos animais. Em muitos casos a vida não consegue repor as perdas, nem as pessoas desejam forçar uma reposição buscada ou aleatória. Infelizmente o mundo torna-se passageiro demais a cada dia. Tanto os objetos de necessidade ou de desejo tem um tempo de uso cada vez mais curto. Isso vale para os relacionamentos e para os amores. Somos cerca de cento e noventa milhões de brasileiros e temos mais de duzentos e cinquenta milhões de linhas de celulares e aumentando. A poligamia do celular e o seu descarte diante de um novo modelo com algum detalhe diferente ronda e aguça a cobiça. A indústria não faz bens duráveis como alguns anos passados. Tudo deve durar até o próximo modelo ou no máximo até a garantia expirar.
Cr & Ag
Há homens que casavam com seu automóvel. A criatura mantinha o seu primeiro fusca em melhores condições e com melhor plano de saúde do que para a esposa. – Mulher tem aos montes por aí, mas aonde vou achar um carrinho assim original e de um único dono! – falava sem temores o intrépido machão. A que um amigo resolveu apimentar essa história: – O teu fusquinha tu sabe a quilometragem, mas da mulher só Deus… E o sujeito nem se sentiu atormentado pelo míssil já que o alvo não era seu amado carrinho. Há guisado para qualquer pastel e pastel para qualquer gosto e boca. Muitos relacionamentos já nascem com prazo de validade e sem nenhuma garantia de funcionamento neste mundo de tantas modernidades. Aturar-se não é mais um exercício de convívio, é uma orientação dos advogados e dos terapeutas de casais.
Cr & Ag
A cerveja com os amigos é mais importante do que a sua mulher. O seu cão é mais importante do que o marido. Exemplos não faltam. Outro dia soube de caso que o sujeito foi promovido na empresa e para tanto mudou de cidade. Perguntem se a mulher quis ir junto? Optou por ficar com as amigas e outras delongas e daí para uma discussão sobre filhos e mesadas foi o mais importante. Relacionamento oco? Não parecia externamente. E isso não é algo incomum. Está mais fácil votar no mesmo candidato do que manter o relacionamento. Outro fez uma reforma geral no domicílio, da pintura aos encanamentos, da geladeira aos móveis, manteve a TV nova, o controle remoto e o cão pastor. Não tinha filhos. A “gatinha manhosa” já estava nos braços e abraços do personal trainer. Quem descartou quem? Pouco importa. Há quem diga que “ninguém é insubstituível”. Muitos acreditam que na realidade nada, absolutamente nada é descartável, pois tudo cumpre um ciclo e algum dia tudo retorna. E ancoram-se em leis da química, da física e da espiritualidade.
Recebi do humor do leitor.
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