Pau no burro Seberiano – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 05 Setembro 2012

05 Setembro 2012 – Pau no burro Seberiano – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

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viso de antemão que o Seberiano não é nenhum candidato atual. E nem “burro” é genericamente algum outro aspirante de cargo eletivo. Seberiano foi um carroceiro da minha infância aqui na quase tricentenária Viamão de Todos os Gaúchos e seus atos e atitudes eram compreensíveis naquela época, no mundo mais ecoconsciente seriam amplamente desaprovados. Todos sabem que os burros, além daquelas orelhas avantajadas em relação aos seus similares, tem como característica de atitude o ato de empacar. O animal quando inventa de calçar as pernas e as patas, de pouco adianta o dono puxar pela corda do freio. Conversar então… apesar de orelhudo é surdo aos convencimentos. Lembram-se da fábula dos dois burros presos um ao outro que brigavam para cada um alcançar seu monte de feno? O carroceiro Seberiano enfrentava frequentemente esse drama do burro empacado. Nesse momento há duas técnicas que ele usava. A primeira era deitar o relho no lombo do animal e aos berros rebocá-lo. Entrem na cena. A gurizada ali atiçando o Seberiano e alguns torcendo pelo burro. Largávamos o jogo de bolinhas de gude, o jogo de tacos e até da pelada de futebol. Parava tudo e juntava a gurizada da volta do cemitério velho. O Seberiano poderia ser agitador de torcida ou balaqueiro em propaganda eleitoral tal era a potência da sua voz.

Cr & Ag

Sei que aqueles que entraram na cena estão aflitos em saber o sucedido. Vamos lá. Torcíamos para falhar essas tentativas do Seberiano, pois desejávamos assistir a segunda e fatídica técnica de desempacar o burro. O Seberiano pegava o relho pela ponta da sola de couro e deixava todo aquele imenso cabo de madeira já lustrosa das mãos do homem em riste e bradava o derradeiro aviso: – Vai andar ou não? A gurizada gritava para o burro não andar. Vê-se que criança é um bichinho terrível. E o Seberiano extravasava sua raiva enfiando o cabo do relho no ânus do burro. Mesmo. – E aí? – deve estar perguntando o angustiado. O burro saltava e reiniciava a sua marcha. O carroceiro limpava o cabo do relho no pelego que servia de assento e… mais chicotadas no burro.

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Na nossa objetividade infantil, sabíamos que o desenrolar do ato culminaria com o empalamento do burro. Será que o burro empacava porque era “burro” ou porque desejava o cabo do relho? Nunca saberemos com certeza, mas os guris mais abastados com a experiência da adolescência teciam considerações dramáticas: – De que adiantam orelhas grandes para ouvir e o maior pênis dos animais para transar se só anda levando… Daí surgiu essa expressão meio nome feio – Pau no burro Seberiano!

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O ser humano aprecia buscar entendimentos em analogias, metáforas, parábolas ou outras armadilhas de linguagem. O entendimento nunca será o mesmo para todos. Daí que até para a divindade que é Única surgiram tantas correntes religiosas e filosóficas. É da nossa natureza o torcer e o distorcer. Até o contorcer-se. Cresce a voz sobre a calamidade da educação no país. E os absurdos e descaminhos dos responsáveis, da presidência da república aos pais. Repito e grifo – PAIS! Não há justiça social sem educação de qualidade. E educação de qualidade começa nos cursos básicos. Toda a obra social ou arquitetônica principia pela solidez das fundações. No Brasil não pensam e não fazem assim os responsáveis.

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