A reta final – Edson Olimpio Oliveira – Jornal Opinião – 19 Setembro 2012

19 SETEMBRO 2012 – A reta final – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

A reta final

H

á uma premissa desses novos e babilônicos tempos que refere o seguinte: – Se não está no Google, no Bing ou no Yahoo, não existe! – simplista? Sim, como “enter” ou deletar. Tudo é muito rápido, a velocidade deixa de ser por km/h e passa a ser entendida e expressa por Gb/seg. Para quem já enrolou a bandeira dos 40 anos, o entendimento fica dia a dia mais complicado. Até o sexo rola e desenrola pelas franjas dessa mãe-madrasta toda poderosa chamada de Dona Internet. O sexo que já era casual virou virtual. A mídia apresentou na última semana as descobertas biológicas de renomados cientistas americanos revelando que até em animais em liberdade havia a fecundação e novas proles geradas sem o macho. Nos meus remotos tempos de Ginásio Bento Gonçalves causava encanto para elas e raiva para eles que as abelhas procriassem sem o macho. Era a maldita partenogênese.

Cr & Ag

Assim descobriram também em sapos, rãs, lagartos e agora em espécies de serpentes dos desertos americanos. Há vertebradas que procriam sem depender da “troca de fluidos” com os machos. Pensava-se que eram somente os invertebrados como uns políticos de Brasília e de outras paragens. – Ma que cosa medonha tchê! – dizia o velho Taurino. A proporção de mulheres aumenta em relação aos homens onde o velho comunismo de guerra não arbitra o número de filhos por casal. Por quê? Diversas teses, como: abusos de hormônios, anabolizantes e produtos químicos nos alimentos, produtos que o plástico libera principalmente sendo aquecido que mimetizam hormônios sexuais femininos e finalmente, segundo algumas amigas – a supremacia crescente de uma espécie sobre a outra. Elas acrescentam que Deus estava triste ao concluir o mundo e suas belezas, pois faltava algo. Daí modelou o barro e fez o homem. Mas o mundo ainda estava incompleto, pois tanto Deus quanto o homem sentiam um vazio… e assim fez-se a mulher. E como todos sabem, deu no que deu. Entendimento interativo – aviso!

Cr & Ag

Muitos místicos apregoam que a humanidade está à beira do caos. Alguns aludem às supostas profecias maias e que este será o último dezembro do planeta que conhecemos. Cientistas observam as mudanças climáticas, a desertificação crescente, o progressivo desaparecimento de espécies animais e vegetais, a poluição e o lixo sufocante, a camada de ozônio deteriorada, o bem e o mal sendo cada dia mais evidente e o recrudescimento da ferocidade religiosa. Há quem veja sinais no Brasil – se Hadad perder e o Serra ganhar em São Paulo, se a Petrobrás continuar a dar prejuízo e afogar-se no pré-sal, se Dilma governar pela sua própria cabeça, nem Deus que é brasileiro poderá nos salvar.

Cr & Ag

Um paciente até por demais paciente dizia-me com ar melancólico: – Edinho, meu casamento tá uma coisa, mas vou segurar essa bronca enquanto puder carregar essa cruz nas costas, meu guru já avisou que o mundo está para acabar. Estamos no final dos tempos. O apocalipse tá vindo. Só não enxerga quem é surdo e mudo. Estamos na reta final. Daí que trocar o técnico agora não vai adiantar nada, o campeonato já tá perdido mesmo. – e aí? A dor ensina a gemer e a fome obriga a comer.

Cr & Ag

A situação está mais pra gato do que pra colibri. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Filosofia de comitê eleitoral? – Correm-se riscos até para soltar gases! Vá sair algo mais, ou ser mal entendido! – dizia um candidato entregando santinho aqui na Galeria Zavarize. A boca da urna está logo ali adiante – outra reta final. Pode ser a boca do inferno ou um portal de luz. Faminta ou ansiosa pelo voto. Seu riso eletrônico pode ser de deboche ou de simpatia. Uma certeza – dela só nascerá o resultado ou a prole de eleitos que nós “transamos”. Na urna não há partenogênese. A besta corrupta e nefasta para toda a sociedade terá sempre pai e mãe – eleitores. Assim como sua antítese.

Deixe um comentário