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10 Outubro 2012 – Com a boca no trombone – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Com a boca no trombone
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ntes que alguns mais afoitos e com os nervos a flor da pele vejam alguma conotação sexual na antiga expressão título, peço-lhes que se acalmem e sosseguem seus leões. Também aviso que por prazo de entrega de matéria ao jornal essa magnífica crônica é escrita sem o conhecimento dos resultados eleitorais. Há que ter “nervos de aço”, aproveitando a lembrança da música do Lupicínio. Campanha eleitoral pode ser como as campanhas napoleônicas, longas, sangrentas, dolorosas, defuntos anônimos e mortos ilustres, cadáveres irão pavimentar a subida dos vitoriosos, o porre eleitoral é infinitamente maior e mais devastador do que o etílico – para muitos. A célebre fábula da raposa que desdenha as uvas que não consegue tomar será muito aplicada – “concorri só pra ajudar o partido”. Mentiras deslavadas confundem-se com verdades transitórias. Grandes e intensas amizades irão soçobrar como caravelas nos rochedos traiçoeiros da vida. Desconfianças! Muitas. Certezas – “me engana que eu gosto”. Cortejos de bajuladores e ferozes baba-ovos disputarão os vencedores. Carpideiras acompanharão os derrotados.
Cr & Ag
“A derrota ensina tanto quanto uma crise hemorroidária” – T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. Nem sempre é verdade, a ilusão é irmã da cegueira tal qual o turco Nacib, personagem central da novela Gabriela. Mesmo ao flagrar a sua mulher na cama com o asqueroso Tonico e ao anular o casamento real, já prega aos quatro ventos de que “não é corno”, pois os papéis falsos nada valem. Assim é a idiotia da vida e da política, um tratado de psiquiatria, que talvez nem tudo Freud explique. Um tapete de santinhos de candidatos revestem as ruas de acesso ao local de votação. O pisoteio real e o pisoteio psicológico retratam agruras. – Tenho algo de bom? – indaga-me o atilado leitor. Muito de bom. Há que elogiar e enaltecer quem oferece a face e até os glúteos para baterem, principalmente se o faz por um dever cívico real e não malufista, sarneista ou até lulista. Orgulhem-se quem tem um ou mais projetos de reais melhorias das gentes de sua terra e não pelo poder e tudo de mesquinho que ele representa.
Cr & Ag
Um médico amigo e histórico do Partido dos Trabalhadores desfilhou-se (sic) motivado ou desmotivado que ficou com “a união de Maluf e Lula”. Certamente outros motivos derrubaram sua paliçada ideológica. O mensalão expõe o chefe dos chefes, mas não lhe amputa nenhum poder. Esse trombone é soprado pela dignidade restante daqueles que ainda lutam por uma democracia mais limpa e livre do feudalismo e do populismo latino-americano. Que seja um trombone de vara e que a “vara” pegue para valer. Dizia um candidato em campanha na entrada do Banrisul: – Quando chegarmos à Prefeitura vamos tocar o trombone bem alto, tem muito mensalão aqui em Viamão e o povo precisa saber! – o povo na calçada sorria, alguns e franziam o cenho outros. Outros ainda atiçavam mais o quase discurso inflamado. Ódios e rancores, vencedores e derrotados esse é o legado de campanhas eleitorais e bélicas. Também é o espírito da democracia que permite a alternância do poder e a purificação lenta, mas inexorável, dos atos e dos desatinos. Agradeçamos não estarmos numa Coréia do Norte ou numa fantasiosa Cuba.
Cr & Ag
Amigos agradecem que o peso da idade não os obrigue a votar. Outros jamais abdicam desse direito intrínseco do homem e mulher livre de tentar escolher aqueles podem representa-los preparar o caminho de uma sociedade melhor para eles ou melhor para todos. Inclusive para aqueles que ainda acreditam e oram pelas ditaduras de direita ou de esquerda. A luz ainda chegará a seus espíritos sombrios ou ludibriados. Que todos possam aspirar e tornem-se “elite e burguesia” por seus méritos e por muito trabalho honesto.
