28 Novembro 2012 – A gratidão e o papel – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
A gratidão e o papel
Sempre repercutem com grande intensidade as crônicas em que citamos fatos e vultos da Viamão querida por todos nós. Um amigo leitor lembra-se de um viamonense que propaga e divulga a sua forma a nossa cidade e seu povo, é o jornalista Rogério Vaz Mendelski. Na esteira das outras crônicas, o Rogério irmão da Marta. A Marta esposa do caro delegado Parobe Magdalena. O Rogério, não importa a emissora, é meu e de muitos o companheiro do acordar, fazer a higiene matinal, tomar café e ir ao trabalho. Há quem discorde de suas posições e de sua ideologia, mas jamais se pode atribuir ao Rogério a fraqueza de personalidade ou o mudar de posição pela “governabilidade”. Talvez tenha sido o jornalista mais agredido e acossado pelo petismo xiita. Dizem que os processos choviam a cântaros em sua cabeça. Não o conheço pessoalmente, mas sei que jamais deixou de ser fiel as suas ideias e ideais, amigo dos amigos e guerreiro implacável pela evolução e melhoria deste Estado. Há que enaltecer sua coragem e seu espírito viamonense.
Cr & Ag
Tenho por rotina e hábito imprimir em papel todas as fotografias importantes da minha família, dos meus amigos e colegas, das imagens que minhas retinas gostariam de fixar e o espírito de reaquecer-se ao relembrar. Da mesma forma, a maioria dos textos que escrevo, mesmo que não sejam enviados ao jornal ou publicados em livros ou revistas. Não sei viver no o mundo virtual com as coisas do coração. Há que haver o toque, o tempo de elaborar os sentimentos, os odores e toda essa gama de emoções que fazem a nossa humanidade amar e sofrer. Imensos arquivos de vídeo e imagem guardados em pastas de computadores soam-me como de um vazio doloroso. Amo o papel e sua capacidade de mensageiro e intérprete da vida. Cada nome dos meus pacientes gravado numa receita ou prescrição é singular. É único para aquele paciente. Não tenho “caligrafia de médico”, tenho a caligrafia de quem ama e torna visível e único o que faz. Não somente os medicamentos são mais legíveis, mas o nome do paciente recebe toda uma carga positiva de respeito e amor profissional.
Cr & Ag
Eis que o jornal deve receber do autor o mesmo cuidado que tem com sua vida pessoal e profissional. Não critico quem pensa ou faz diverso, pois o mundo não nos fez todos na mesma forma primordial e é na diversidade que crescemos e buscamos a beleza. Cultivo a gratidão e a protejo na minha trajetória de vida. Agradeço ao Professor Pedrão Nigeliskii que por esses quinze anos tem sido um amigo de fé e oferece-me esses espaços jornalísticos com absoluta liberdade. Outro amigo querido é o General de Exército Médico Luiz Alberto Soares, escritor, historiador, presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) gaúcha e por longos anos da nacional e um mecenas das artes literárias. O Soares é daquelas pessoas que o mundo nos presenteia com a sua amizade e carinho.
Cr & Ag
Perenizar, eternizar, divulgar, abrir o horizonte, estimular o conhecimento e o raciocínio do leitor e… um universo de deveres e possibilidades. Há quem compare o cronista com a mulher. – Como assim? – deve estar-se arguindo o primo Sílvio Boca (primo do Danilo, do Haroldo, da Maria do Clodoaldo, da Leda Barreto… a corda é longa). A mulher deve ser filha, esposa, mãe, neta, amiga, companheira, conselheira, apaziguadora, cúmplice, amante, protetora e tantos outros predicados e outras qualificações em sua existência. Há momentos em que a inspiração é escassa, mas o cronista deve cumprir seu prazo de entrega da coluna. Há quem faça a via curta – copiar da internet e colar. E deu. Aí sempre me bate esses sentimentos, as manifestações dos leitores, como da querida Úrsula Nigeliskii – “Edson, sempre começo lendo o jornal pela tua coluna!”. Amigos mostram recortes de jornais com as colunas arquivadas e rotinas e programas de vida podem ser evoluídos pelo toque de quem escreve e de quem lê. A luz nos traz alegrias e responsabilidades.
Nota de dor e de tristeza
De 2005 a 2012 o Brasil perdeu 41 713 leitos do SUS. A perda no Rio Grande do Sul, no mesmo período foram 2 534 leitos do SUS. O nosso Estado tem o dobro de médicos necessários para um bom atendimento conforme parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS). Sobram médicos, sobram pacientes e emergências lotadas, sobram mortos, mutilados e desesperados, faltam leitos e responsabilidade aos governantes. E falta consciência para uma melhor escolha ao eleitor enquanto sobra ideologia retrógrada, passividade e corrupção.
PARTICIPE E COLABORE COM MÉDICOS SEM FRONTEIRAS