2012 – 11 – 21 Novembro 2012 – Elmo do Darci Sandália e Edinho do Aldo Cabeleira – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião
Elmo do Darci Sandalia e Edinho do Aldo Cabeleira
Numa pausa recuperadora do fôlego na aula com o professor Franken Böes discutíamos sobre temas dessa coluna, das expressões quase esquecidas e, principalmente, fatos e pessoas que têm sido eternizadas nas páginas do jornal Opinião, sempre com formidável apoio do professor Pedrão. Na mesma esteira encontrei-me novamente com um dos homens mais corajosos e destemidos de Viamão – o Elmo da Funerária ou o Elmo do Darci Sandália. Invariavelmente o Elmo me trata como o filho do Aldo Cabeleira e saca do baú as caçadas de marrecão em Arroio Grande, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar e no Uruguai. Heim? Por que da valentia indômita do Elmo? Começa que quem se mete com o Elmo termina sob sete palmos. Os clientes podem queixar-se dos médicos, jamais do Elmo. E esse não teme fantasmas, almas penadas ou assombrações. Quer mais – o homem é uma enciclopédia viva sobre Viamão e sua gente. Há poucos como o grande Elmo. Lembrei-me de outros – o Moacir do Cartório e o Haroldo Franco.
Cr & Ag
Hoje somos ilustres desconhecidos num oceano de população crescente e atribulada em fazer contas e pagar quando puder. Trouxemos para esse luminoso espaço estórias e histórias da cidade e de seus personagens. Lembram-se da crônica “Quem roubou o caixão do Nei Fraga?” As controvérsias persistem apesar do resgate do ataúde. E das lendas de Viamão? E dos causos do tio Cirne? A saudade aflora na mente do cronista esses temas. Os Fragas são frequentes nestas andanças literárias, tanto pelo número de criaturas quanto por suas estórias. Segundo o primo Danilo Malta, quase todos somos de alguma forma parentes nesta cidade ancestral. As famílias separavam-se em muito pela política ou pelas rixas intrínsecas, isso não mudou. E a identificação da pessoa geralmente estava associada ao nome do pai, outro familiar, da família ou da origem geográfica.
Cr & Ag
O mundo torna-se homogêneo pela volumetria. Tudo fica como que pasteurizado, liofilizado, inodoro, incolor e insípido. Há criaturas que comem, bebem, dormem e transam numa corrente ou esteira de linha de montagem. A individualidade busca do sucesso, do ter mais e mais e acaba na depressão do ser menos. Há quem queira e esconda-se nesta massificação do cinzento como das sociedades comunistas de outrora ou ainda perdendo o ranço. Mas o mundo se repete e dois eméritos relojoeiros de Viamão eram colorados fervorosos – o Messilva e o meu querido tio Zé Uia e agora aí está o Alexandre (primo do Danilo) para infernizar os gremistas. Messilva e Zé Uia tinham sido barbeiros inicialmente.
Cr & Ag
Um universo de apelidos. O termo alcunha era usado para a bandidagem. Alguns incorporavam o apelido de tal forma que eram tratados como se sobrenomes fossem. Aí vai meu avô paterno – o velho Olimpio Carneiro, fundador de Estância Grande. O “carneiro” era um apelido e também avô da Maria do Clodoaldo (prima do Danilo também). Voltando ao Moacir do Cartório (primo da minha mãe Dora) e ao seu nobre pai Adônis. Entre inúmeras qualidades do Adônis estava a de orador exemplar. Tenho gravado a cena do sepultamento de um viamonense e nas despedidas finais, o seu Adônis tomou da palavra e em candente discurso trouxe todas as pessoas para as emoções incontidas em abraços e choro entre os túmulos do cemitério central. Esse extravasamento de emoções e sentimentos marcou esse guri viamonense e assisti fragmentos da dor e da coragem desse guerreiro enfrentando uma mortal enfermidade de laringe. Muito me doía silenciosamente olhar sua traqueostomia e a perda daquela voz que tanto tocava os corações. E esse guri pobre foi estudar fora de seu ninho querido, abrir uma grande lacuna temporal e optar por voltar e aqui construir família e profissão e hoje ser o médico com maior tempo profissional em Viamão.