Máscara Negra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião–30 Janeiro 2013

 

2013 – 01 – 30 – Máscara negra – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Quanto riso! Oh! Quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão, Arlequim está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão.”

Para quem ama ou para quem odeia, ele, o carnaval, está logo ali espreitando pierrôs e colombinas e o título desta “carnavalesca” coluna remete ao imortal Zé Kéti e a sua Máscara Negra. Não se conhece imunidade ao carnaval. Há quem se isole em algum lugar remoto e pouco sabido para tentar fugir dos festejos de momo. Pode-se até escapar dos sons, das músicas e da agitação típica, mas jamais se fica alheio ou imune aos seus feitos, defeitos e efeitos. Diz-se que o “Brasil somente acorda e começa depois do Carnaval”. Logo seus efeitos benéficos ou deletérios são para todos. Nesta trilha de afirmações há outros que afirmam que o espírito carnavalesco de tão entranhado na vida do brasileiro permanece até o carnaval seguinte. Logo, renova-se e jamais se acaba. Outros doutos e aprumados com as realidades do sofrimento e da alegria da brasilidade afirmam que o “Brasil é um grande salão ou uma imensa avenida onde desfilam escolas, blocos, bandas e avulsos de toda ordem e cor. Milhares de palhaços e escassos arlequins e colombinas”. Concorda?

Cr & Ag

Acredita-se que sua origem está nas festividades gregas de mais de cinco séculos antes de Cristo como homenagens aos deuses da fertilidade do solo e da carne. A secular Igreja Católica passou pela aceitação e rejeição por diversos períodos e fases. Na Roma Antiga a semana de carnaval (do latim carnis + valles ou prazeres e orgias da carne) marcava a liberação total. O entendimento e as festividades ganharam características peculiares em cada povo ou região, assim como em cada época. O carnaval de hoje certamente é bem diferente daquele de cinquenta anos passados. O que nunca mudou? A liberação total, a orgia, a elasticidade ou a perda dos limites do corpo e do espírito, para o bem e para o mal. Voltando à Roma dos imperadores, ali os escravos durante uma semana podiam ser príncipes ou reis da folia. Crê-se que o carnaval abriu as primeiras portas e janelas para romper com os grilhões da escravidão humana e ao nivelamento social.

Cr & Ag

Quem nunca viveu um carnaval, deve reencarnar, pois essa vida foi incompleta”, apregoa do alto de sua sapiência T. Jordans, o Filósofo do Apocalipse. E continua com sua versão bem humorada: – O gaúcho é o pai do carnaval no Brasil, pois ninguém conhece mais de prazeres da carne do que o gaúcho. Ou alguém insanamente discorda que carnaval e churrasco tratam de prazeres da carne? E aqui é onde se bota a melhor e até a pior carne no espeto. A orgia da carne deve ter sido de romanos reencarnados aqui na serra gaúcha que deu origem ao espeto corrido. Explorem as analogias e as realidades. – sentencia soberano quando os temas são carnais.

Cr & Ag

Há quem veja os partidos políticos como blocos ou escolas de samba com seus caciques e beneméritos. Há os puxadores de samba e a bateria, várias alas, como há os fantasiados dando o couro e o suor para a escola sair bem e ganhar. De qualquer jeito, mas ganhar. Comprando os jurados? Todos fazem, – apregoam seus líderes. “Vergonhas a mostra”, impossível para quem não tem vergonha. Como ter escrúpulos quem exibe suas partes pudicas a todos os ventos e leitos? Daí que ser o maior carnaval do mundo ou ter o maior bloco carnavalesco do planeta é uma honraria singela para 200 milhões de brasileiros. Somos o único carnaval em que quarta-feira de cinzas, enterro dos ossos ou sábado de aleluia são meros adereços na orgia travestida de dourada e sob a chuva de confetes e serpentinas.

“Foi bom te ver outra vez; – Está fazendo um ano; – Foi no carnaval que passou; – Eu sou aquele pierrô; – Que te abraçou e te beijou meu amor; – Na mesma máscara negra que esconde teu rosto, – Eu quero matar a saudade. – Vou beijar-te agora, – Não me leve a mal: Hoje é carnaval.”

Carnaval Veneza

Carnaval Veneza2

 

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