Comida Caseira – Edson Olimpio – Maio 2013

 

2013 – 05 – 01 Maio 2013 – Comida caseira – Edson Olimpio Oliveira – Crônicas & Agudas – Jornal Opinião

Comida caseira

O

gênero de programa que mais cresce na mídia trata de culinária com as mais variadas formas. Do simples ao gótico. Do caseiro ao grande chefe. Há lugar para todos os times e uma única divindade – a gastronomia. Há quem atribua isso a dois importantes fatores dos nossos tempos: primeiro – a mulher abandonou a cozinha doméstica no dia a dia para ter uma vida profissional. Segundo, ao fato das famílias usarem e abusarem cada vez mais do comer na rua ou comer fora. Eis que isso abriu o caminho para um aluvião de homens dedicando-se de corpo, alma e boca ao cozinhar por esporte, diletantismo ou necessidade de retorno às origens da comida caseira ou da saudosa comida de mãe e de avó.

Cr & Ag

O cronista já está com água na boca de lembrar-se de certos pratos domésticos. Sopa de feijão que é uma dessas obras de arte doméstica com fórmula e execução da Cledi que encanta o cronista e tem novo adorador no neto Lucas. Ah, querem a fórmula? Falem com ela! Mas aquele caldo único e grosso dos grãos esmagados, filtrados, com temperos naturais e isentos dessa formulação química abusiva, a massa no ponto, a linguiça rabinho de gato e… Deve-se degustar abusivamente no almoço, pois temos à tarde para continuar curtindo imagens e sabores inigualáveis.

Cr & Ag

Observe que até o tradicional churrasco tem fórmula e execução peculiar em cada assador. Absolutamente nada contra os lautos bufês e variedade de carnes nas churrascarias, mas um churrasco feito com o capricho e o amor do assador doméstico tem um valor único que se constitui em um ritual. O cérebro recorda da churrascaria tal e qual, mas somente o coração faz as glândulas salivarem lembrando-se das comidas caseiras. Dói-me ver ou saber das mães ou das avós que não tem tempo ou abrem um prosaico miojo e colocam nos pratos das crianças. O cozinhar e ser assistido por filhos ou netos é uma deslumbrante mostra de afetividade, de carinho, de amor declarado e degustado. Estudos demonstram que crianças que são alimentadas e que participam dessa liturgia da cozinha com seus familiares, tornam-se pessoas mais aptas a elaborar seus sentimentos e prepararem-se para a vida revestida do amor familiar.

Cr & Ag

Muito se fala e busca a denominada qualidade de vida. Acredite que a qualidade de vida passa obrigatoriamente por satisfazer o que é uma necessidade básica – comer e beber – ser realizada com alegria e amor. Nos tempos da nobreza ou pré-modernos, as cozinhas ficavam afastadas ou distantes da parte principal da casa ou do castelo. Além dos cheiros, sujeiras e da fumaça destruidora de pulmões, isso era tarefa para escravos. Inclusive a alimentação básica pelo leite do seio. As famílias eram desagregadas, ajuntadas por interesses e de amor escasso muitas vezes. No entanto, nas casas dos camponeses ou dos indígenas, a cozinha era a área mais nobre e utilizada da família. Uma família mais integrada e amorosa respeitando e cuidando dos seus do nascimento à velhice oferecendo às visitas ou convidados aquilo do melhor de sua culinária e das suas posses. E… bom apetite!

Mãe Negra

Quando o amor transcende…

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